Soraya Moraes fala sobre a conquista dos três Grammys

Soraya Moraes fala sobre a conquista dos três Grammys

Atualizado: Segunda-feira, 17 Novembro de 2008 as 12

Por Myrian Rosário

A entrega do Grammy Latino 2008, no último dia 13 de novembro, em Houston, nos Estados Unidos, marcou um momento histórico para a música gospel brasileira. Pela primeira vez desde o surgimento da premiação, uma música cristã foi indicada entre as concorrentes para a "Melhor Canção Brasileira em Língua Portuguesa". No páreo com Soraya Moraes, que concorreu com "Som da Chuva", estavam ninguém menos que Djavan, Vanessa da Matta, Jorge Vercillo e Sérgio Mendes, nomes consagrados da MPB no mundo todo. "Eu já estava realizada com a indicação", diz Soraya, que não só conquistou o inédito gramofone dourado nessa categoria como também em outras duas:  Melhor Álbum Cristão em Língua Portuguesa ("Som da Chuva") e Melhor Álbum Cristão em Língua Espanhola ("Tengo Sed de Ti"), sendo a vice-campeã em número de troféus nessa edição do Grammy. O cantor colombiano Juanes foi o campeão, com cinco gramofones.

Em entrevista exclusiva ao Portal Guia-me , Soraya fala da sua emoção, da aprovação de Deus e da importância do seu feito para a música cristã brasileira.

Guia-me: Dá para descrever a sua emoção ao receber esses prêmios?

Soraya Moraes: A emoção é realmente muito forte porque nós sabemos de onde o Senhor nos tirou e a obra que Deus tem feito na nossa vida. Quando ouvi meu nome sendo chamado para receber o prêmio, senti um amor muito forte dEle pela minha vida, uma aprovação pelo ministério. Ao mesmo tempo, me senti aliviada, já que no meio de tantos artistas, dos holofotes e das câmeras, Ele pegou pela minha mão e me exaltou de uma maneira muito forte, muito grande. Esses Grammys representam o cumprimento do que Deus nos deu através da canção "Som da Chuva". Nós clamamos por uma chuva muito forte de Deus e veio uma tempestade.

Guia-me: Você esperava ganhar o Grammy de "Melhor Canção Brasileira em Língua Portuguesa"?

Soraya Moraes: Eu realmente não esperava. Estava realizada com a indicação. Essa foi a primeira vez que indicaram uma música cristã nessa categoria. Eu já estava fazendo história ali. Todos os indicados estão no mesmo patamar. Eles oferecem um coquetel para todos os indicados, que recebem uma medalha e um diploma assinado pelo presidente do Grammy. Quando eu estava na fila para receber a medalha, olhei ao redor e vi gente como o Alexandre Pires e o Kenny G. O Senhor já havia me abençoado por estar ali. Tenho um coração muito grato a Deus. Claro que não vou ser hipócrita de dizer que eu não queria o prêmio. Todos os que estavam concorrendo queriam ganhar. Eu só não esperava que seria tanto. Fui a vice-campeã em número de Grammys conquistados, com três. Um hispânico ganhou cinco e foi o campeão. Deus é bom!

Guia-me: Na sua opinião, qual é o significado do Grammy dessa categoria para a música gospel brasileira?

Soraya Moraes: Essa conquista foi tremenda. Quem ganha com isso não é só o meu ministério, meus músicos, mas todo o corpo de Cristo, os adoradores. A música cristã saiu de dentro da igreja, saiu das quatro paredes para ser considerada uma expressão de arte, da cultura, do sentimento brasileiro. As religiões africanas no Brasil são consideradas cultura e a cristã não é. A música cristã não tem direito aos incentivos do governo com as leis de patrocínio porque não é considerada como expressão de arte nem de cultura. Se você observar num evento como a Marcha Para Jesus, onde um milhão de pessoas cantam a mesma música de cor, isso é uma expressão de cultura. Eu espero realmente que essa premiação seja usada para trazer a música cristã para um novo patamar e, o mais importante, para provocar uma curiosidade para que as pessoas de outras religiões comprem mais. Assim, a Palavra de Deus vai entrar e tocar o coração. Nós gravamos CDs, mas o meu intuito não é só que os cristãos ouçam minhas músicas e sim que a mensagem alcance pessoas de todas as religiões. Uma alma vale mais do que o mundo inteiro.

Guia-me: Qual foi a sua sensação ao competir com grandes nomes da MPB?

Soraya Moraes: Eu respeito todos porque são pessoas que entendem muito de música, são verdadeiros poetas, sabem o que estão fazendo. Não é porque as músicas deles não têm conteúdo evangélico que temos que discriminar. Eles representam uma forma de arte que é um cartão-postal do nosso país. Lá fora, quando você fala de Brasil, as pessoas logo falam de Bossa Nova, de Kaká, Pelé, de futebol... Mas, ao mesmo tempo, para mim é uma satisfação enorme ter sido a vencedora nessa categoria porque quem votou não foram pessoas que admiram o trabalho da Soraya Moraes, foram músicos e produtores que são membros cadastrados. Se os especialistas consideraram que a minha música deveria ter esse mérito esse ano, eu só tenho a agradecer a Deus. Independente do lado espiritual, da unção que não pode faltar, dos jejuns que nós sempre fazemos, meu marido tem muito critério na elaboração dos arranjos, na seleção dos músicos, na preparação do coral, que ensaia muito. Nós também levamos em conta a qualidade musical, as letras têm que ter conteúdo. O resultado disso foi a conquista do Grammy, que chega a nós como uma aprovação de Deus, um sinal de que estamos no caminho certo.

Guia-me: Qual foi a reação dos outros cantores evangélicos que também concorriam ao Grammy diante da sua conquista?

Soraya Moraes: Todos vibraram muito. A Fernanda Brum, o André Valadão e o Toque no Altar estavam lá pela primeira vez e já estavam na maior alegria por isso. Nós festejamos, tiramos muitas fotos, fomos ao shopping e almoçamos juntos.

Guia-me: Quais são os seus planos daqui para frente?

Soraya Moraes: Vamos continuar trabalhando o CD "Som da Chuva", que ainda está novinho. Vamos fazer shows em algumas cidades, como Fortaleza e Brasília, ainda esse ano. Também vamos começar uma nova turnê em janeiro, só que dessa vez para o público hispânico, dentro do nosso ministério internacional, na América Latina. Vamos continuar trabalhando muito.

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