Vou gravar um CD em estúdio. E agora?

Vou gravar um CD em estúdio. E agora?

Atualizado: Terça-feira, 5 Abril de 2011 as 11:43

"Vou gravar o meu primeiro CD em estúdio. E agora?". Essa é uma situação na qual muitos músicos já se encontraram ou ainda vão se encontrar. E nesse momento, indagações como "devo levar os meus próprios instrumentos?", "será que a minha gravação vai ficar cheia de efeitos?", "será que já ensaiei o suficiente?" surgem na mente do artista que sonha em ter o seu primeiro CD gravado e produzido por uma boa equipe de profissionais.

Em entrevista exclusiva ao Guia-me, o músico, produtor, arranjador e dono de estúdio, Júnior Finnis respondeu a essas e outras perguntas sobre esse assunto. Temas como disciplina, tecnologia e a concepção do músico cristão como alguém bem sucedido também foram abordados pelo profissional.

Preparo

"Não existe uma fórmula, o que existe é o bom senso". Foi assim que Finnis tentou definir a importância do ensaio como forma de preparo para os músicos antes de entrar em um estúdio para a gravação de um CD. Segundo o profissional, existem duas formas diferentes de se trabalhar em relação ao fator "ensaio": uma delas é quando a banda ou cantor leva os seus próprios músicos (completa) e a outra é quando há a ajuda de um produtor / arranjador na criação do CD.

"Na primeira opção, as pessoas já estão, pelo menos teoricamente, acostumadas a tocar juntas ou até mesmo já vem fazendo shows juntos etc. Outra maneira é quando se usa a figura de um produtor arranjador para criar o CD. Nessa segunda, geralmente os produtores costumam gravar os instrumentos ou convidar os músicos de sua confiança para executarem o trabalho", afirmou.

Finalizando o raciocínio, Júnior lembrou que em qualquer uma das formas em que se trabalhe para a gravação de um CD, o ensaio tem sempre grande importância. Apesar de reconhecer que as habilidades dos músicos ajudam a agilizar o processo, em sua opinião, a banda também precisa estar entrosada e interessada em aperfeiçoar cada detalhe da música.

"Lógico que melhores músicos precisarão ensaiar menos, porém quanto mais ensaio melhor, existe a questão do entrosamento, do feeling, a medida que se vai tocando uma determinada música, a tendência é que ela fique cada vez melhor, mais aprimorada", lembrou.

Intimidade com o instrumento

Não é necessariamente uma regra que o músico leve sempre o próprio instrumento ao invés de usar um disponível no estúdio, mas segundo Finnis o fato de usar ou não o próprio instrumento pode influir no desempenho do músico durante o processo de gravação. Fatores como a "intimidade" com o instrumento e analisar a qualidade do equipamento devem ser pesadas na hora de decidir qual será usado.

"Isso é muito relativo. Existe sim a questão do costume que um músico adquire com o seu instrumento, e a tendência é que ele tenha melhor desempenho com o próprio instrumento. Porém se o seu instrumento não for lá assim tão bom e no estúdio tiver um muito superior, isso pode abrir novos horizontes na hora de tocar. E quem sabe pode até servir de incentivo pra ele trocar de instrumento (risos)", brincou.

Tecnologia = Fábrica de Cantores?

"Como ela / ele pode cantar tão bem no CD e tão mal no show?". Muitos já devem feito tal comparação a respeito de diversos cantores. A verdade é que a tecnologia tem conseguido mascarar cada vez mais a falta de técnica de artistas que, muitas vezes não tem tanto talento como aparentam em seus álbuns. Finnnis lembra que a tecnologia não é totalmente usada "para o mal" na música, porém lembra a importância aplica-la com bom senso.

"Na minha opinião, tudo que vem para ajudar ou facilitar o trabalho é bem vindo. O que acontece é que tem gente usando esses recursos para tornar pessoas totalmente sem talento musical em astros. Para se ter uma idéia hoje em dia dentro de um estúdio tudo é possivel. É possível cantar afinado, é possível tocar no tempo certo, e por aí vai. Eu prefiro corrigir pequenos defeitos, tipo, o artista cantou um trecho da música com muito sentimento, fez uma interpretação maravilhosa, mas escorregou em uma única nota já bem no finalzinho. Sou totalmente a favor de usar a tecnologia nesse momento para corrigir e aproveitar o que o artista tem de melhor, caso contrário corre-se o risco de ficar algo muito mecânico, robótico, ou algo assim", disse.

Reconhecendo a realidade do mercado e falando como produtor, Júnior ainda lembrou que é possível encontrar um equilíbrio entre o sucesso profissional e a seleção por parte dos produtores, escolhendo artistas que realmente tenham talento, elevando assim até mesmo a qualidade da música.

"Sei que é difícil pra quem trabalha e vive disso, de repente recusar um trabalho por que o sujeito não tem talento, afinal existe a questão financeira envolvida, 'quem vai pagar o leite das crianças?'. Mas se todos conseguissem isso, com certeza o sucesso da música mundial estaria em melhores mãos", assegurou.

Disciplina

A arte pode e deve viver em equilíbrio com a disciplina. Pelo menos é o que afirma o produtor, quando questionado sobre a importância do músico cumprir horários responsavelmente em relação aos seus trabalhos. Segundo Finnis, a organização com o tempo pode até mesmo servir como "cartão de visita" para o artista, que confessou ter aprendido tal lição da pior forma possível: perdendo bons trabalhos.

"Em todas as áreas de nossa vida dependemos de uma disciplina. Se quisermos nos dar bem e obter sucesso no que fazemos, temos que ter disciplina. Na música não é diferente, pra se obter a confiança dentro da atmosfera de trabalho é preciso disciplina. Você pode muito bem deixar de ser chamado em uma próxima oportunidade por falta de disciplina, e isso já aconteceu comigo, é verdade, acontece, não se engane", reconheceu

Diferencial

Finnis lembra que a imagem do profissional da música foi distorcida ao longo do tempo e isso se deve à própria classe dos artistas, que durante décadas deu motivos para que os relacionassem sempre a bebidas, drogas e tudo que faz parte de uma vida totalmente desregrada.

"O que eu vejo é que infelizmente essa falta de disciplina é algo que historicamente persegue os músicos. Sempre se ouve falar que o músico é um cara atrasado, desregrado, boêmio, desorganizado, bêbado, drogado e uma série de outros adjetivos. Não condeno quem pensa assim, afinal essa foi uma imagem construída pelos próprios músicos ao longo de gerações", confessou

Porém, segundo o produtor, o fator "disciplina" também é a oportunidade do músico cristão mostrar que é diferente e dar exemplo de integridade. O profissional também lembrou que a Igreja é um celeiro de talentos artísticos e isso também deve ser valorizado.

"Acredito que isso tem mudado com uma nova geração que tem despontado, existem caras muito bem estruturados trabalhando, profissionais de altíssimo nível mesmo, e vou mais além, isso deve-se em parte pela entrada cada vez maior de músicos cristãos dentro do  mercado de trabalho, que tem recebido esses profissionais de braços abertos por saber que se tratam de pessoas íntegras, e que não darão "dores de cabeça" futuras, além de saberem que a igreja é o berço dos melhores músicos do mundo. Infelizmente ainda existe muito preconceito com isso dentro das igrejas e esse ainda é um assunto muito polêmico", lembrou.

Reconhecimento

Finalizando o seu depoimento, Finnis lembrou que o músico cristão deve ser reconhecido como um profissional que pode atingir um alto nível de competência e também de maturidade espiritual, fazendo a diferença por onde quer que passe.

"Torço pelo dia em que o músico Cristão será visto na sociedade como alguém bem sucedido no que faz, e alguém que é capaz de fazer diferença por onde quer que ande, sem se preocupar com 'o que vão dizer na minha igreja'. Existem muitos pastores e líderes prontos para punir, e não para acompanhar de perto, não para cuidar. Como se somente no meio musical existisse promiscuidade, desonestidade. Enfim (risos) vamos cuidar da boa aparência, do horário, da conduta, vamos ser luz?", sugeriu.

Para fazer contato com o Jr. Finnis e saber mais sobre os seus serviços e projetos: E mail:   [email protected]

Twitter: @jrfinnis

Fone: (85) 3281.5791

Por João Neto - www.guiame.com.br

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