Vou não! Toco não! Posso Não!

Vou não! Toco não! Posso Não!

Atualizado: Segunda-feira, 11 Abril de 2011 as 11:13

Quando olho para o nosso Brasil, sinceramente acabo me convencendo sobre aquele ditado popular de que “Deus é Brasileiro”, pois aqui é o único país do mundo onde você encontra diversidades de cores, sabores, uma fauna e flora riquíssimas, ausência de terremotos, vulcões, tsunamis e ainda conta com pessoas de diferentes raças vivendo em relativa harmonia e por que não incluir nessa miríade de benesses a existência de vários ritmos musicais?

A título de informação, a primeira canção cristã cantada no Brasil, ocorreu no período colonial por viajantes alemães luteranos da Igreja Calvinista na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro. De lá pra cá a música cristã brasileira tomou vários rumos, em comparação à música cristã mundial, ainda somos uma criança aprendendo a andar, mas podemos dizer que atualmente vivemos um processo de maior amadurecimento junto aos veículos de comunicação, gravadoras, imprensa, eventos de boa qualidade, isto é, sem dúvida, um enorme avanço, mas ainda temos muito para crescer.

Mas quando nos deparamos com a absorção por parte das igrejas evangélicas aos ritmos brasileiros percebemos uma resistência um tanto quanto preconceituosa repleta de doutrinas, tradicionalismo e dogmas.

Vamos pensar um pouco ...

Por que vemos que os ritmos populares como Forró, Samba, Reggae e afins ainda são considerados algo estranho no cancioneiro das igrejas, mesmo estando estes mesmos ritmos tanto enraizados na cultura popular secular?

Quando olho para o nosso Brasil, sinceramente acabo me convencendo sobre aquele ditado popular de que “Deus é BrasileiroLendo Livros como a “Música Sacra Evangélica do Brasil” da escritora Henriqueta Rosa Fernandes Braga e “A Religião mais Negra do Brasil” do Pr. Marco Davi, percebo que houve ou há uma repreensão das igrejas mais tradicionais para a não entrada de ritmos de origem brasileira dentro de suas reuniões, devido o balanço e a sonoridade, que muitas das vezes são tratadas como algo pecaminoso, levando ao cristão a recordação de sua vida boêmia de outrora.  A influência estrangeira é bem mais forte como se fosse algo mais santificado e adequado para os cultos.

Esse pensamento ou teorias viajam durante anos dentro das igrejas! Um dia desses, eu estava em um culto e houve um momento de oração onde os músicos emendaram na seqüência bem baixinho uma Bossa Nova no final do culto. O pastor nos falou o seguinte: “Esse ritmo me tira da Unção!“. Imediatamente esse episódio me fez refletir sobre o caso e logo entendi que Bossa Nova não era o estilo de música da preferência do pastor!

Um grande amigo meu, compositor e cantor de MPB, certa vez mostrou o CD dele para um Pastor só porque as canções não falavam de alguns temas utilizados por muitos cantores atuais. O pastor falou que esse ritmo não se encaixava na programação da igreja dele... observe a expressão “igreja dele”... aff !! Fazer o quê né ?

Eu já vivi e passei por muitas situações assim. Todos sabem que eu nasci e me criei em Salvador/BA, local onde se valorizam os ritmos e estilos com influências africanas. Eu toquei durante 07 anos na Banda Átrios do Rei e vi muitas vezes irmãos, reclamando de forma direta através de suas orações em publico de que aqueles batuques e tambores eram coisa do diabo, isso mesmo do rabudo!

Ainda vejo um ar de preconceito não só com os ritmos brasileiros, mas com todo tipo de novidade que surge na área musical. Agradeço a Deus pela vidas de bandas como Resgate, Oficina G3, Kadoshi, Banda Rara, Dj Alpiste, Adhemar de Campos, Grupo Logos, Vencedores por Cristo, Janires, Rebanhão, entre outros que foram pessoas de vanguarda e que não tiveram medo de enfrentar o status quo reinante.

Eu ainda sonho em ver um culto somente com música brasileira. Ainda sonho com rádios tocando somente música brasileira. Ainda sonho com gravadoras investindo em artistas que tocam música genuinamente brasileira.

Enfim, Vou Sim! Toco Sim! Meu Tambor, meu atabaque e meu triângulo !!!

Por Mr.Pingo

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