Voz da Verdade: "Eu não tenho medo do cara achar brega. O que existe são músicas que tocam o coração"

Voz da Verdade: "Eu não tenho medo do cara achar brega. O que existe são músicas que tocam o coração"

Atualizado: Terça-feira, 27 Outubro de 2009 as 12

Por Felipe Pinheiro - www.guiame.com.br

Após um ano de celebração pelas três décadas de ministério, com lançamento do DVD comemorativo 30 anos de Voz da Verdade, o grupo lança em 2009 o CD Chuva de Sangue, com 16 canções inéditas num mix de estilos que vão do clássico ao forró. "Essa chuva está caindo. Onde ela tocar, vai abençoar", disse o líder Carlos Moysés em entrevista ao Guia-me.

Com data marcada para gravação do DVD, no dia 19 de dezembro no Ibirapuera (SP), o Voz da Verdade já tem colhido testemunhos em decorrência do novo álbum.  "A minha filha estava tocando Alto Avivamento, que é um rock, e o motoqueiro parou. Ele disse que estava todo arrepiado e perguntou o que ela estava ouvindo: 'É gospel?'. A minha filha então deu um CD para ele. Você percebe como 'pegou' ele?", disse Moysés.

Além do último trabalho, lançado na ExpoCristã desse ano, o vocalista avaliou a repercussão do Voz da Verdade entre católicos e, apesar da carreira consolidada, expôs que ainda se surpreende ao lado do grupo: "Eu vou pregar em certos lugares e pastores falam que a nossa música os converteu. Têm curas, libertações. Essa surpresa eu quero ter sempre".

Guia-me: Chuva de Sangue é um título bem impactante. O que o grupo quis passar?

Carlos Moysés: Para Deus cobrir o mundo inteiro teve que suar gotas de sangue. É uma alegoria que a gente faz, porque se você perceber o sangue está em todo o lugar; inclusive nas ceias dos evangélicos do mundo inteiro. Eu coloquei isso como uma chuva de bênçãos. O sangue de Jesus nos purifica de todo pecado e assim estamos livres de todo o mal. Essa chuva está caindo. Onde ela tocar, vai abençoar.  O inimigo não pode nos tocar porque essa é a nossa marca. Quem tem a marca do sangue de Cristo, o inimigo não chega.

Guia-me:  O CD possui uma grande diversidade de estilos - clássico, forró, romântico e rock. Existe algum receio de que abrangendo todos esses estilos a identidade musical do Voz da Verdade seja danificada?

Carlos Moysés: Não, porque a identidade do Voz da Verdade sempre foi assim. Se você perguntar qual o estilo do Voz da Verdade, ninguém sabe. O miolo é romântico, com músicas mais sentimentais. Mas desde o início nós sempre fomos assim. Gravamos músicas lentas, depois rock, reggae. Sempre houve essa diversificação.

A minha filha estava tocando "Alto Avivamento", que é um rock, e o motoqueiro parou. Ele disse que estava todo arrepiado e perguntou o que ela estava ouvindo: "- É gospel?" A minha filha então deu um CD para ele. Você percebe como "pegou" ele? Aí o forró vai "pegar" outro, o romântico outro. As letras também precisam ter a sua responsabilidade.

Guia-me: Depois de 30 anos de ministério, o senhor tem algum temor da repercussão das músicas junto ao público?

Carlos Moysés: Como a maior parte sou eu quem compõe, eu não tenho medo do que os outros vão dizer. Do cara de repente achar brega. Isso não existe. O que existe são aquelas músicas que tocam o coração das pessoas. Não pode ter medo, pois senão você fica muito fechado. Você vai alcançar só um campo e acabou. Sendo diversificado, o seu campo é bem maior.

Guia-me: E depois de todo esse tempo de carreira, o senhor se surpreende com alguma coisa?

Carlos Moysés: Eu me surpreendo, e estou me acostumando, com o que as pessoas falam para nós por vários lugares do Brasil que passamos. Depois de tantos anos, eu posso falar: Não há conjunto no Brasil, na parte musical, que salvou e transformou mais pessoas do que o Voz da Verdade. Eu falo isso não para o meu orgulho, porque eu amo e respeito todos os ministérios, mas é uma realidade.

Eu vou pregar em certos lugares e os pastores falam que as músicas os converteram. Tem curas, libertações. Essa surpresa eu quero ter sempre.

Guia-me: O senhor consegue identificar o motivo desse mover de conversão pelo Voz da Verdade? Porque existem vários outros ministros de louvor debaixo da mesma graça.

Carlos Moysés: O problema é que Deus te dá algo na mão. Para fazer funcionar é você. É igual a história dos talentos contada por Jesus, que o cara escondeu e poderia ter colocado no banco para gerar lucro. Por isso Deus não pede só talento, mas disposição.

Os meus filhos decidiram gravar um CD. Eu perguntei: - Por quê vocês querem gravar? É por dinheiro, fama? Dinheiro e fama vão vir, isso é natural. E quanto mais vir, melhor. Isso não é um mal. Mas a intenção, o que nos fez fortes, é para o que Deus nos chamou.

Se vendêssemos ou não CDs seríamos a mesma coisa. Eu não dependo da venda dos CDs para ser uma bênção. Vamor pregar, cantar e continuar fazendo o ministério. Muita gente às vezes começa ao contário, se perguntando quanto vai vender, qual o estilo. Eu vou atrás daquela música que diz: "o artista vai onde o povo está". Jesus ía aonde o povo estava. O Voz da Verdade vai aonde o povo está.

Muita gente vem do secular porque percebe que o gospel está forte. Esse cantor pode até conseguir ser conhecido, mas não tem aquela autoridade. O Voz da Verdade pode falar: Nós temos autoridade.

Uma banda que nem a nossa, que tem cerca de 20 componentes, não subsite por causa das vaidades. A nossa subsiste porque nós não deixamos o ministério. Se alguns integrantes decidem gravar sozinhos, como os meus filhos agora, eles não abrem mão do Voz da Verdade. É a casa deles.  

O Evangelho não é igual ao mundo. É a responsabilidade ministerial. O que você quer com isso? O resto material Deus abençoa depois. Hoje vendemos bem, mas é porque fazemos para Deus.

Guia-me: Hoje o senhor acredita que o público do Voz da Verdade seja mais conservador, pelos vários anos de existência do ministério?

Carlos Moysés: Não, porque já estamos na terceira geração. Eu conheci uma senhora com mais de 70 anos que quase teve um enfarte de emoção após nos ver ao vivo. Ela foi parar no hospital. Ela começou a curtir o Voz da Verdade com cerca de 45 anos e hoje tem filhos e os filhos que nos amam. Os filhos dos filhos nos amam. Nós temos essas três gerações na mão tranquilo. A maior parte dos shows é formada pela juventude e também pelos fãs número zero.

Guia-me: O álbum é composto por 16 faixas inéditas. Qual você destacaria?

Carlos Moysés: É muito difícil, porque o CD está muito diversificado. Eu não tenho música de trabalho. Eu acho isso errado. Tem a música "Vale dos Ossos Secos", do Samuel. É uma música bem estruturada, bem feita harmonicamente com as guitarras. Eu sempre digo: - Ouça e defina você. Fazemos o CD para a pessoa ouvir inteiro. Eu conheço alguns caras do sertanejo que dizem: - Vamos fazer uma música de trabalho e o resto a gente enche lingüiça. Isso é irresponsabilidade com o seu público. Eu quero que ele ouça do começo ao fim, mas é óbvio que vão aparecer músicas mais fortes do que outras. Isso é natural.

Hoje tem a música "Escudo". Aonde eu for, eu tenho que cantar porque senão eles me matam. Teve a época de "Sou um Milagre", que eu falo que é a música dos católicos, só eles regravam essa faixa. Como o Padre Marcelo Rossi, KLB, Padre Juarez.

Guia-me: E como o senhor recebeu esse pedido de regravação dessa música por católicos?

Carlos Moysés: Eu achei muito legal. Se você estudar cientificamente, tudo o que você fala, o seu corpo absorve. Por isso a Bíblia fala: Diga o fraco, eu sou forte [Joel 3?:10]. Se eu estiver certo de que eu sou fraco, eu fico fraco mesmo. Eles cantando a minha música, vão absorver aquilo. Nós temos fãs católicos muito carismáticos que têm encontrado Deus. Esse negócio de católico e crente não interessa. Interessa aquele que serve a Deus. Até o pai do KLB falou que a família dele estava mudando com essa música. Você tem que ir aonde o povo está precisando. O caminho a pessoa escolhe.

Voz da Verdade - "Sou um Miagre":

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