Waguinho: o dono da boca que prega a palavra de Deus

Waguinho: o dono da boca que prega a palavra de Deus

Atualizado: Sexta-feira, 11 Novembro de 2011 as 9:19

Para quem não o conhece, ele é o “dono da boca”, “a boca que prega, que louva e que ora... que dá aleluia e que dá glória”. O trocadilho da música “O dono da boca” do ex-vocalista do grupo Os Morenos, nascido na Vila Cruzeiro, periferia do Rio de Janeiro, tem razão de ser. Convertido ao Evangelho há dez anos, Wagner Dias Bastos, conhecido como Waguinho, deixou para trás a vida de pagodeiro afundado no mundo das drogas, bebida, mentira e promiscuidade, para ser um mensageiro da Palavra de Deus. Faz isso ao som do samba, o ritmo que o levou à fama e à ruína e que agora é o seu instrumento de evangelização.

Membro ativo da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, casado com Fabíola e pai de Waguiner e Kaina, Waguinho faz ao lado do pastor Marcos Pereira um trabalho de evangelização em 700 comunidades cariocas e comanda um centro de recuperação com cerca de 300 dependentes químicos. Manteve-se popular como cantor gospel, e acabou enveredando para a política. Em sua primeira candidatura a um cargo público, em 2008, conquistou 1,3 milhão de votos para o Senado - o que não lhe garantiu uma cadeira no Congresso, mas abriu novos caminhos. Aos 46 anos, Waguinho é cotado para sair candidato a prefeito de Nova Iguaçu. “As nossas propostas de transformação e ressocialização foram bem recebidas no Rio de Janeiro”.

Em entrevista à revista Exibir Gospel, ele contou o seu testemunho de conversão, falou dos planos futuros na política, do preconceito que enfrentou ao levar o samba para dentro das igrejas e do desafio de evangelizar regiões dominadas pelo tráfico de drogas.

    Conte-nos o seu testemunho de conversão. Como foi deixar de ser líder de um grupo de pagode de sucesso, como Os Morenos era na época, para ser um pregador do Evangelho e cantor de samba gospel? Waguinho - Eu me converti há uma década e, de sete anos para cá, decidi que pegaria no microfone somente para louvar e exaltar o nome de Deus. Hoje sou missionário da Igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias, presidida pelo pastor Marcos Pereira. A igreja faz um trabalho de recuperação com drogados e traficantes no Rio de Janeiro. É por meio desse projeto social que o nosso ministério é conhecido no Brasil inteiro. Atuamos em 700 favelas e comunidades espalhadas por todo o Estado do Rio e já conseguimos recuperar mais de oito mil pessoas do vício e do tráfico das drogas. Faço isso com alegria.

  E como era o Waguinho antes da conversão? Waguinho - Vivia no meio das drogas. Fui viciado em cocaína, bebia muito e me envolvi com prostituição. Mas tive o privilégio de encontrar Jesus e me libertar. Hoje não me vejo fazendo outra coisa senão adorar a Deus, dar o testemunho do que o Senhor fez na minha vida e dos milagres que O tenho visto fazer na vida de muitas pessoas, que, tal como eu, estavam perdidas no tráfico e na dependência química.   Quando o SBT transmitiu a reportagem sobre o trabalho da AD dos Últimos Dias, houve muita especulação sobre a relação entre a igreja e os traficantes dos morros, como se houvesse um acordo para que conseguissem entrar nas comunidades. Afinal, como vocês conseguem fazer isso? Waguinho - É o respeito que foi adquirido ao longo de mais 20 anos de trabalho do pastor Marcos Pereira. Por termos um cuidado especial e acreditarmos realmente na recuperação dessas pessoas, o trabalho dá certo. O meu assessor, por exemplo, é um ex-traficante da Favela da Rocinha. Hoje, seis anos depois, ele trabalha como representante de vendas e é um homem restaurado e transformado pelo Evangelho da salvação. Esse é o resultado do nosso trabalho e as pessoas veem isso. Quem conhece o Evangelho, sabe que o poder de Deus é soberano, não tem arma de fogo nem nada que possa parar o amor de Deus. Mas se até de Jesus as pessoas tinham desconfiança, por que isso não aconteceria conosco? O mais importante é dar seguimento ao trabalho em que acreditamos, que é o da transformação do homem pelo Evangelho de Cristo.

Qual é a força da Palavra de Deus na restauração de vidas aparentemente tão perdidas? Waguinho - É o Evangelho que me transformou. Eu era um pagodeiro drogado, bêbado, macumbeiro, mentiroso, mulherengo, viciado, que vivia aí cantando músicas que levavam as pessoas a se embebedar, se drogar e se prostituir. Agora eu pego no microfone para trazer uma palavra de vida, de transformação. É fundamental que nos mantenhamos firmes nisto, para que as pessoas que não conhecem o Evangelho vejam a diferença que é uma pessoa servir a Deus.  

Você era um artista muito conhecido no meio do pagode. Como os seus fãs daquela época reagiram à sua conversão e ao seu ministério? Waguinho - Não podemos ficar preocupados com o que as pessoas pensam sobre nós. Você precisa acreditar na sua própria libertação. Se não acreditar na sua mudança, que está liberto e que Jesus Cristo está na sua vida, vai ser difícil convencer os outros. Esse convencimento só pode ser feito pelo seu testemunho. São 10 anos tirando as pessoas das drogas, 10 anos recuperando pessoas do tráfico, 10 anos louvando ao Senhor, quatro CDs, dirigindo um centro de recuperação com 300 pessoas. Nas eleições de 2008, em que concorri a uma vaga no Senado, tive 1,3 milhão de votos. Isso é a prova da credibilidade que temos entre as pessoas que conhecem o nosso trabalho. Sempre haverá os olhares de desconfiança, mas temos de olhar para aquele que nos chamou: Jesus Cristo.

  E no meio evangélico? Como foi recebido o seu samba adorador? Waguinho - No início, houve muitas críticas devido ao ritmo, tão famoso no meio mundano. Mas hoje eu entendo que todos os ritmos louvam ao Senhor, para que todos possam ver a Glória de Deus e sentir o fluir do Espírito Santo. Mas, para isso, é necessário estarmos em comunhão com Cristo, porque a Palavra nos dá o respaldo. Quem é espiritual, discerne o que é espiritual. Quem é carnal, nada discerne. Durante um tempo, houve uma certa dúvida no coração dos evangélicos em relação ao meu ministério musical. Porém, no decorrer da minha caminhada, Deus tem feito uma grande obra na minha vida, ensinado-me o verdadeiro Evangelho e como mostrar isso às pessoas.  

Como foi a sua adaptação na Assembleia de Deus dos Últimos Dias, que possui uma doutrina mais rígida, comparando-se a muitas denominações evangélicas hoje? Waguinho - No início, como era leigo, custava a entender algumas coisas. Mas a Palavra do Senhor diz: “Se verdadeiramente o filho do homem vos liberta sereis livres”. Comecei a aplicar no meu coração e na minha vida os mistérios de Deus e a leitura da Palavra. Isso me trouxe esclarecimento e hoje entendo perfeitamente que Jesus, quando veio ao mundo, vivia à base de uma doutrina, que está na Bíblia, que é muito esclarecedora e nos faz entender o porquê de muitas denominações serem diferentes. Existem igrejas que guardaram a essência de Deus, os mandamentos e se convertem a cada dia, andando no sentido contrário do mundo.  

“Samba Adorador”é o seu quarto CD. Como está a repercussão deste trabalho? Waguinho - Este é um CD que exalta muito o nome do Senhor. Graças a Deus, tem tido muito êxito não só entre os evangélicos, mas também para aqueles que têm sede da Palavra, mas ainda têm uma venda nos olhos. O ritmo do samba consegue aproximá-los de Deus. Já vendemos cerca de 30 mil cópias e temos percorrido todo o País para louvar e bendizer o nome do Senhor.  

E na política? Pretende se candidatar de novo a um cargo público? Waguinho - As nossas propostas de transformação e ressocialização foram bem recebidas no Rio de Janeiro. Da primeira vez que fui candidato, por um partido muito pequeno, sem dinheiro para investir na campanha, tive 1,3 milhão de votos. Isso me direciona para outros sonhos. Hoje há uma tendência muito forte que eu venha a ser candidato pelo PC do B à Prefeitura de Nova Iguaçu, que é a cidade onde moro.    

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