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'Ajustes moderados' nos juros são compatíveis com meta, diz Copom

'Ajustes moderados' nos juros são compatíveis com meta, diz Copom

Atualizado: Quinta-feira, 27 Outubro de 2011 as 10:22

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve, na ata de sua última reunião, quando os juros recuaram para 11,5% ao ano , a avaliação de que "ajustes moderados" na taxa básica da economia brasileira são "consistentes" com o cenário de convergência da inflação para a meta central de 4,5% em 2012.   Com isso, a autoridade monetária segue indicando que pode optar por um novo corte na taxa de juros na próxima reunião do Copom, marcada para o fim de novembro. A expectativa do mercado financeiro é de uma redução de 0,5 ponto percentual, para 11% ao ano, no Copom do fim do próximo mês.

"O Copom reafirma sua visão de que a inflação acumulada em 12 meses alcançou o pico no último trimestre, bem como de que a mesma começa a recuar no trimestre corrente e, assim, a se deslocar na direção da trajetória de metas. O Comitê avalia que, por si só, essa inversão de tendência contribuirá para melhorar as expectativas dos agentes econômicos, em especial dos formadores de preços, sobre a dinâmica da inflação nos próximos trimestres. Adicionalmente, o Comitê entende que essa melhora no sentimento será potencializada pelo processo, ora em curso, de reavaliação do ritmo da atividade, doméstica e externa, neste e nos próximos semestres", informou o BC, por meio da ata do Copom.

Crise externa

O Copom começou a baixar os juros em agosto deste ano, após a piora do cenário internacional. A explicação da autoridade monetária é que as turbulências externas devem durar alguns anos, contribuindo para frear o crescimento da economia brasileira e, também, da inflação no Brasil.

"O Comitê entende que a complexidade que cerca o ambiente internacional contribuirá para intensificar e acelerar o processo em curso de moderação da atividade doméstica, que já se manifesta, por exemplo, no recuo das projeções para o crescimento da economia brasileira neste e no próximo ano. Dito de outra forma, o processo de moderação em que se encontra a economia – decorrência das ações de política implementadas desde o final do ano passado – tende a ser potencializado pela fragilidade da economia global", informou o BC, na ata do Copom.

A avaliação do BC é de que, desde agosto, os riscos para a estabilidade financeira aumentaram e, assim, contribuíram para a continuidade do processo de deterioração do cenário internacional. "O Comitê entende que permanecem elevadas as chances de que restrições às quais hoje estão expostas diversas economias maduras se prolonguem por um período de tempo maior do que o antecipado", informou.

A autoridade monetária observou ainda que, nas economias mais avançadas, parece "limitado" o espaço para utilização de política monetária (redução dos juros para estimular o consumo) e prevalece um cenário de "restrição fiscal" (falta de recursos para gastos públicos). "Dessa forma, o Comitê avalia que o cenário internacional manifesta viés desinflacionário no horizonte relevante", informou.

Metas de inflação

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas. Neste momento, a autoridade monetária já está nivelando a taxa de juros para atingir a meta do próximo ano.

Para 2011 e 2012, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% em 2012.

Recentemente, o BC informou, por meio do relatório de inflação do terceiro trimestre deste ano, que prevê um IPCA de 6,4% para este ano, com 45% de chance de "estourar" o teto de 6,50% do sistema de metas, e uma inflação de cerca de 5% para o próximo ano.

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