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Alta da inflação é pontual e não preocupa equipe econômica, diz secretário

Alta da inflação é pontual e não preocupa equipe econômica, diz secretário

Atualizado: Segunda-feira, 8 Fevereiro de 2010 as 12

A alta da inflação em janeiro não preocupa a equipe econômica porque decorre de fatores pontuais que não deverão se repetir nos próximos meses, disse sexta-feira, dia 5, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o secretário afirmou que o crescimento da economia e a ampliação do esforço fiscal em 2010 impedirão que o impacto dos aumentos de preços no início do ano se alastre nos próximos meses.

O secretário, ressaltou que, apesar de não se preocupar com o repique da inflação, o governo está atento ao comportamento dos preços. "Esses fatores tendem a desaparecer com o tempo, o que não significa que não tenha de prestar atenção a eles. Achamos que um cenário desses [de descontrole da inflação] não é preocupante porque nossa expectativa de crescimento não adiciona pressões excessivas de demanda", ressaltou.

Para Barbosa, a prova de que o governo está tomando medidas pontuais para que os aumentos de preços não se espalhem ocorreu com a redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que entrou em vigor hoje. "O preço do álcool parou de subir e tudo indica que ele deve se estabilizar e começar a cair à medida que a safra de cana foi colhida", afirmou.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo governo para fixar a meta oficial de inflação, foi de 0,75% em janeiro. A elevação nos preços foi a maior desde maio de 2008, quando o índice fechou 0,79%. Em janeiro do ano passado, a inflação oficial havia ficado em 0,48%.

Segundo Barbosa, os fatores atípicos responderam por quase dois terços do índice de janeiro. Da variação registrada no mês passado, 0,49 ponto percentual deve-se a elevações que não se repetirão nos próximos meses: 0,14 ponto do reajuste de tarifas de ônibus; 0,10 ponto da elevação de preços do álcool e da gasolina; e 0,25 ponto do encarecimento dos alimentos in natura, cuja produção foi afetada pelas chuvas no Sul e Sudeste.

A ampliação da meta de superávit primário (esforço fiscal para pagar os juros da dívida pública) em 2010 também contribuirá para a queda da inflação nos próximos meses, disse o secretário. Ele reafirmou o compromisso de retomar a meta de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. "Parte dos estímulos dados no ano passado serão retirados, além disso os gastos do governo crescerão menos neste ano, o que garante o cumprimento da meta", declarou.

Na avaliação do secretário, o superávit primário é importante para ajudar a segurar a demanda e impedir pressões inflacionárias. Ele, no entanto, evitou comentar se a diminuição dos gastos públicos reduz a necessidade de aumento dos juros pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. "Naturalmente, pela própria lógica da política econômica, há uma contribuição. Se isso substitui a necessidade de aumento dos juros, é uma consideração para o Banco Central", declarou.

Por: Ivanir José Bortot e Wellton Máximo

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