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Alta da Selic pode aumentar juro de empréstimos e financiamentos

Alta da Selic pode aumentar juro de empréstimos e financiamentos

Atualizado: Quarta-feira, 28 Abril de 2010 as 12

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (28) a nova taxa básica de juros da economia. O consenso dos analistas de mercado é que a taxa, hoje em 8,75% ao ano, sofrerá elevação. A dúvida é de quanto: há quem aposte em alta de 0,50 ponto percentual a um ponto percentual.

Segundo especialistas ouvidos pelo G1, essa elevação pode mexer com o bolso do consumidor: "O banco deve subir o juro também, deve acompanhar esse aumento. Quem for pegar um empréstimo pessoal, um financiamento de carro, vai ter aumento na taxa", diz Douglas Pinheiro, coordenador do Curso de Administração das Faculdades Integradas Rio Branco. "Não sobe automaticamente, mas isso deve acontecer", aponta.

"Os juros devem subir e se manter altos por um tempo. Isso [a alta da Selic] tem repercussão para o consumidor, porque as linhas de crédito são balizadas pela Selic", explica Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios.

Para o consultor de finanças pessoais Conrado Navarro, a alta dos juros para o consumidor não será imediata com o provável aumento da Selic nesta quarta. "Ainda em 2010 o patamar de juros ao consumidor deve ficar no mesmo patamar, no máximo com pequenos aumentos."

Navarro acredita, porém, que se os juros continuarem subindo ao longo do ano, as taxas podem subir mais para o consumidor. "As linhas mais procuradas podem ter uma alta maior dos juros. Mas o consumidor deve ficar atento, porque pode procurar uma taxa mais atraente em outro banco, já que existe a portabilidade de crédito", lembra ele.

Repasse

Segundo Alcides Leite, porém, pode ser que as taxas de algumas linhas de crédito não subam porque os bancos não repassaram toda a queda da Selic aos consumidores quando a taxa estava em queda. "Os bancos ainda têm espaço. Além disso, o custo do empréstimo para o consumidor não é só ditado pela Selic: tem os custos administrativos, o risco de inadimplência etc.", diz o especialista.

Segundo Alexandre Chaia, economista e professor da escola de negócios Insper (ex-Ibmec São Paulo), as atuais taxas de juros cobradas pelos bancos já previam a elevação da Selic. A intensidade dessa elevação, no entanto, pode surpreender e levar as instituições financeiras a "apertar" as condições de crédito.

"O que era mais ou menos consenso na semana passada, que era de elevação em 0,50 [ponto percentual], já virou o mínimo, pode ser 0,75 [ponto percentual] ou até um [ponto percentual]. Se vier confirmando, isso pode ter residual de impacto [nas taxas bancárias] nos próximos dias", afirma.

Para Chaia, no entanto, o consumidor não deve se apressar a pegar um empréstimo esperando a elevação: "eu não acredito que faça tanta diferença. É um momento delicado, tem chance do BC não vir com aumento de taxa tão alto. Vale a pena pesquisar. A alta vai ser marginal para o consumidor, muda muito pouco no valor da parcela dele. Eu esperaria a definição dessa semana, ter um horizonte mais definido", aconselha.

Por: Laura Naime e Paula Leite

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