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Aos 19 anos, filho de Eike Batista lança sua primeira empresa

Aos 19 anos, filho de Eike Batista lança sua primeira empresa

Atualizado: Domingo, 13 Fevereiro de 2011 as 11:08

Se os empresários não entenderam a presença daquele menino de nove anos à mesa de negociações sobre a venda de minas de ouro no Chile, tampouco o garoto sabia o que fazia ali.

O único que via propósito na situação era o pai da criança: o empresário mais rico do Brasil, Eike Batista, à época mais conhecido como o marido de Luma de Oliveira, a eterna musa do Carnaval carioca e mãe do menino.

O objetivo era preparar o primogênito, Thor, para o mundo empresarial.

Naquele mesmo ano o garoto montou seu primeiro empreendimento: pela bagatela de R$ 1, os colegas de colégio não precisavam se molhar, em dias de chuva, no caminho entre a sala e a cantina. Esse era o preço da carona no guarda-chuva do "pequeno empresário".

"Ali ele sentiu o gostinho de bolar um bom negócio, sem passar ninguém para trás. Empreender está no DNA dele", diz Luma. Foram dez anos de reuniões ao lado do pai, com presidentes de empresas, xeques árabes e uma infinidade de altos executivos.

Agora, aos 19, Thor Batista lança sua primeira empreitada formal: uma filial da boate Pachá, de Ibiza, no Jockey Club do Rio.

"O que está escrito na porta do inferno é "It's all about money" [É tudo pelo dinheiro]. Você tem que dar seu jeito de se virar sozinho. Não vou querer seguir uma carreira em que eu fique dependente do meu pai para sempre", diz Thor, sobre a decisão de buscar rumo próprio no mundo dos negócios.

A Pachá Rio tem investimento inicial de R$ 6 milhões e previsão de abertura em agosto ou setembro. Thor se associou ao empresário Mario Bulhões, 26, para montar a boate. Herdeiro de tradicional família de advogados -os Bulhões Pedreira-, Mário entrou no ramo de entretenimento há três anos, ao abrir a Pachá de Búzios.

"Brinco que, na área jurídica, sou neto do Pelé e filho do Zico. Então, não vou jogar futebol sem gostar do esporte. Thor está sendo muito corajoso ao virar empresário como o pai e montar os próprios projetos", diz Bulhões.

LETRA X Juntos, os dois criaram a BBX Entretenimento. A sigla une as iniciais dos sobrenomes dos sócios e o mítico X que batiza todas as empresas de Eike -o bilionário acredita que a letra, símbolo da multiplicação, faz os negócios prosperarem. A independência de Thor tem limites. A BBX vai contar com a estrutura da EBX -holding das empresas de Eike- e poderá usar seus advogados, contadores, engenheiros e o que mais precisar. Além disso, a Pachá Rio servirá pratos produzidos na cozinha do Mr. Lam, o requintado restaurante de culinária chinesa que Eike abriu em 2006 na Lagoa, zona sul. "O Rio precisa de um clube igual ao nosso, de altíssimo nível, para atender clientes que vêm de fora. Hoje o que temos aqui é amador", define Thor. O preço da entrada vai girar em torno de R$ 150. A já planejada expansão da BBX também se entrelaça com o império de Eike: eventos no Hotel Glória, ainda em reformas, e festas com o iate Pink Fleet em Angra dos Reis, em Búzios e na região Sul estão planejados. Antes mesmo de ser servido na Pachá o primeiro satay de frango -espécie de espetinho chinês, o prato favorito do pai-, Thor e Mario já vasculham os mares de Angra em busca de uma ilha para instalar mais uma filial. A vontade de se dedicar totalmente à BBX, somada à falta de aptidão para a matemática, deve levar Thor a trancar a matrícula do 2º período de economia no Ibmec/RJ neste semestre. A ideia não só tem o apoio do pai como veio dele a sugestão. Thor costuma ouvir de Eike que a melhor faculdade é acompanhá-lo em suas reuniões de negócios. "Acredito no potencial do meu filho. Ele tem alma de empreendedor e foi feliz na escolha do segmento para iniciar seu primeiro negócio. Tenho certeza de que terá sucesso. Quero que siga o caminho que escolher e, ao mesmo tempo, conheça meus negócios", disse Eike à Folha. Thor só não está disposto a abrir mão de uma atividade: a musculação. Com 1,89 m, 93 kg e 7% de gordura no corpo, não abre mão da hora e meia de malhação diária na academia montada em casa, no alto de uma encosta no Jardim Botânico, zona sul. Tanto comprometimento com a atividade física vem da transformação pela qual seu corpo passou desde que começou a se exercitar, há dois anos. O adolescente magrinho se transformou em um homem forte. A autoestima acompanhou o aumento da massa muscular. "Era sedentário e tinha vergonha do meu corpo. Quando comecei a malhar, passei a estudar fisiologia e a fazer acompanhamento médico. Fiquei feliz com o resultado. Isso virou meu vício." Thor não bebe, não fuma e diz tomar suplementos alimentares sob orientação médica. Para manter o controle das diferentes substâncias experimentadas, ele faz exames de sangue regulares.

PÂNICO O vigor físico e financeiro do rapaz atraiu mulheres como a modelo e panicat (dançarina do "Pânico na TV") Nicole Bahls, com quem teve um rápido relacionamento em 2009. Há três meses namora a estudante Tamara Lobo, que conheceu há um ano e meio através de amigos em comum. Thor usa anel de compromisso na mão esquerda. Diz que é "para dar mais segurança" à namorada. A pedido da menina, aliás, emagreceu 12 kg, porque ela o prefere menos musculoso. Com todo o tempo livre investido na musculação e na namorada, Thor lamenta encontrar só esporadicamente o avô paterno, Eliezer Batista, um dos criadores da Vale e que mora uma rua abaixo da sua. A busca de identidade própria não é novidade na família Batista. Assim como Thor é comparado ao pai, Eike precisou sair da sombra de Eliezer para se tornar o oitavo homem mais rico do mundo. "Sempre vão me comparar a meu pai, alguém difícil de superar. Não vejo isso como desafio, mas como um privilégio de tê-lo em casa como professor. Quero dar o máximo e viver feliz", diz Thor.  

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