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Aversão a risco global deve pesar sobre abertura da Bovespa na semana

Aversão a risco global deve pesar sobre abertura da Bovespa na semana

Atualizado: Segunda-feira, 23 Maio de 2011 as 11:39

SÃO PAULO - O mercado financeiro inicia a semana com forte aversão a risco. A indicação de desaceleração do setor manufatureiro chinês em maio e as preocupações com a dívida soberana europeia, que não se restringem à Grécia, pesam sobre o humor dos investidores.

Na Ásia, as bolsas já encerraram a sessão com perdas representativas. Em Xangai, o Shanghai Composite caiu 2,93%, assim como, em Hong Kong, o Hang Seng teve desvalorização de 2,11% e, em Tóquio, o Nikkei 225 recuou 1,52%.

As principais bolsas europeias também sofriam queda representativa nesta manhã e os índices futuros de Wall Street cediam cerca de 1%.

No Brasil, ainda influenciada pelo recuo dos preços das commodities, a bolsa brasileira também deve abrir o pregão desta segunda-feira em forte baixa. A sinalização parte do Ibovespa futuro que, há pouco, declinava 1,22%, aos 62.110 pontos.

Na sexta-feira passada, o Ibovespa teve valorização de 0,37%, aos 62.596 pontos. O giro financeiro atingiu o valor elevado de R$ 12,5 bilhões, diante principalmente da oferta pública voluntária de permuta de ações da PortX, que movimentou R$ 6,343 bilhões em leilão.

Na semana - a quarta negativa -, a bolsa brasileira teve baixa de 1,01% e, em maio, já perde 5,35%, pior desempenho mensal desde o de maio de 2010 (-6,64%). Em 2011, o Ibovespa ainda recua 9,68%.

No mercado americano, as bolsas fecharam a jornada passada com desvalorização. O índice Dow Jones caiu 0,74%, enquanto o Nasdaq recuou 0,71% e o S&P 500 perdeu 0,77%.

Na semana, o Dow Jones ainda teve baixa de 0,7%, o Nasdaq se cedeu 0,9% e o S&P 500 cedeu 0,4%.

Destaque desta sessão, a atividade manufatureira da China registrou em maio a menor leitura em 10 meses. O indicador do HSBC para o desempenho do setor recuou para 51,1, depois de marcar 51,8, em abril. Apesar do abrandamento, o índice permaneceu acima de 50, que separa o crescimento da contração.

O resultado é preliminar, feito com base em até 90% das respostas à pesquisa do HSBC. O dado final deve sair em uma semana.

No front europeu, o mercado permanece receoso com relação à crise fiscal enfrentada há mais de um ano. Na última sexta-feira, a agência de classificação de crédito Fitch rebaixou a nota em moeda local e estrangeira de longo prazo da Grécia de 'BB+' para 'B+', enquanto o rating de curto prazo permaneceu em 'B'. As notas foram colocadas em observação negativa.

Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou um empréstimo de US$ 36,8 bilhões para Portugal como parte de um pacote de resgate para ajudar o país a resolver os seus problemas económicos e de endividamento.

Agora o foco também está voltado para a Itália, depois que a agência de classificação de risco Standard & Poor´s mudou sua avaliação para o rating de perspectiva de crédito do país de 'estável' para 'negativa'.

A S&P alegou dúvidas quanto à capacidade da Itália em honrar seus compromissos, diante de projeções de crescimento fracas. A agência ressaltou que o comprometimento político para reformas estruturais parece estar enfraquecendo, o que torna a situação do país ainda mais delicada.

Além disso, na Espanha, o resultado das eleições ocorridas no fim de semana, com a derrota do Partido Socialista do primeiro-ministro José Luis Rodrígues Zapatero, amplia os temores em torno dos ajustes necessários.

Na cena corporativa brasileira, a Petrobras revelou na noite de sexta-feira que fechou abril com produção média de 2,565 milhões de barris de óleo equivalente (BOE), considerando seus campos no Brasil e no exterior. O resultado representa uma queda de 1,83% ante a produção de 2,613 milhões de BOE registrada em março.

Considerando apenas a produção de óleo e líquido de gás natural (LGN) no Brasil, a produção média da empresa em abril foi de 2,003 milhões de barris diários, 1,76% abaixo dos 2,039 milhões de barris diários em março.

No setor de consumo, a imprensa francesa divulgou ontem que o grupo Carrefour concedeu mandato ao banco de investimentos Lazard para estudar a possibilidade de fusão entre sua filial brasileira e o Grupo Pão de Açúcar. A informação foi publicada originalmente pelo 'Journal du Dimanche' e depois reproduzida pelo site do 'Le Figaro'. De acordo com as publicações, o Carrefour estuda essa opção por causa de 'dificuldades' enfrentadas no Brasil.

(Beatriz Cutait | Valor)

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