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Banco Central adota medida para tentar conter queda do dólar

Banco Central adota medida para tentar conter queda do dólar

Atualizado: Quinta-feira, 6 Janeiro de 2011 as 10:07

O Banco Central divulgou hoje uma circular que deve conter a valorização do real em relação ao dólar. Pela medida, os bancos que apresentarem uma posição “vendida” em dólar – ou seja, que tenham um passivo cambial excessivo – terão de recolher dinheiro ao BC sem qualquer remuneração sobre esse volume. A medida deve reduzir as posições vendidas em quase US$ 7 bilhões.

“Esse fator, isoladamente, vai gerar uma demanda por dólar e tende a fazer com que a cotação suba”, diz Aldo Luiz Mendes, diretor de política monetária do BC. Segundo ele, os bancos saíram de uma posição “comprada” – ou seja, com mais moeda estrangeira em carteira do que vendidas – em dólar de US$ 2,9 bilhões no fim de 2009 para uma posição “vendida” de US$ 16,8 bilhões em 2010. “Não é bom que o sistema se desloque muito para um lado ou outro.”

Conforme a regra criada, as instituições terão de recolher ao BC 60% da posição “vendida” em dólares, se esse volume superar o teto de US$ 3 bilhões ou se superar o patrimônio de referência (PR) do banco. Por exemplo, se um banco tem posição vendida de US$ 6 bilhões e PR de US$ 2 bilhões, ele deveria recolher US$ 1,8 bilhões se considerasse o teto de US$ 3 bilhões ou US$ 2,4 bilhões, se considerasse o seu PR. Nesse caso, será recolhido o valor maior, de US$ 2,4 bilhões, que será depositado em reais e sem remuneração pelos bancos.

Segundo Mendes ainda há no médio e longo prazos uma tendência de entrada de recursos no Brasil – o que pressiona mais a valorização do real. Mas há uma recuperação prevista nos EUA e que isso deve levar a um influxo de capitais, ou seja, tirando dólares do país e levando a uma desvalorização do real. A visão é semelhante à do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Com a medida, que entra em vigor a partir de 4 de abril, o BC espera reduzir essas posições “vendidas” de US$ 16,8 bilhões para US$ 10 bilhões. Para Mendes, o período de adaptação de três meses é suficiente para que o mercado se adapte a essa alteração. Deverá em tese haver uma oferta menor dos leilões de compra de dólar do Banco Central no mercado, podendo o BC até agir eventualmente vendendo dólares no mercado à vista, diz ele.

Para o Banco Central, a medida não tem finalidade primeira em intervir na taxa cambial, porque seria essa uma ação prudencial, para evitar o risco de exposição dos bancos a uma variação brusca da taxa cambial. “As instituições podem estar casadas em moedas, mas não necessariamente em prazos.” O risco estaria em um caso extraordinário que revertesse a tendência cambial imediatamente, explica.

Para Mendes, nessa situação atual, não necessariamente há no mercado apostas especulativas .contra a valorização do real. Essa posição “vendida” dos bancos pode ter sido causada por uma demanda forte por dólares por parte dos importadores, por exemplo, ou por gastos mais freqüentes de turistas no Brasil.

Segundo Mendes, a decisão foi informada ao Ministério da Fazenda. Na terça-feira, Mantega disse que o governo não deixaria o “dólar derreter” e que, apesar da previsão do mercado de que o resultado da balança comercial seja positivo em apenas US$ 8 bilhões neste ano, o resultado deverá ser próximo ao de 2010, de cerca de US$ 20 bilhões.

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