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Banco do Vaticano é acusado de lavagem de dinheiro

Banco do Vaticano é acusado de lavagem de dinheiro

Atualizado: Terça-feira, 1 Junho de 2010 as 1:50

O Instituto para as Obras Religiosas (IOR), conhecido popularmente como o Banco do Vaticano, está sendo investigado pela justiça italiana por uma suposta lavagem de dinheiro ilegal, informa nesta terça-feira o jornal La Repubblica.

IOR, que administra as contas de diversas ordens religiosas, assim como de associações católicas, é uma instituição da Igreja Católica que se beneficia da extraterritorialidade, já que se encontra na Cidade do Vaticano e não se rege pelas normas financeiras vigentes na Itália. O Instituto esteve envolvido em um escândalo político-financeiro nos anos 80, pela quebra, em 1982, do Banco Ambrosiano (do qual o Vaticano era um acionista importante) devido ao peso de uma dívida de 3,5 bilhões de dólares e um rombo fiscal de 1,4 bilhão de dólares.

Segundo o jornal La Repubblica, 10 bancos italianos, entre eles os poderosos Intesa San Paolo e Unicredit, estão envolvidos no caso.

A justiça italiana suspeita que o Banco do Vaticano adminitre através de contas anônimas, identificadas apenas com as siglas IOR, importantes somas de dinheiro de procedência incerta.

Segundo o jornal, em 2004 "cerca de 180 milhões de euros circularam em dois anos" sem que tenha sido fornecida a identidade dos autores da transação, como exige a lei italiana.

"Indaga-se sobre a possibilidade de que pessoas com residência fiscal na Itália utilizem o IOR para esconder crimes como fraude e evasão fiscal", afirma o jornal.

"Tratam-se de contas suspeitas", segundo os promotores de Roma citados pelo jornal, que podem solicitar uma rogatória internacional para identificar as instituições e pessoas que se beneficiaram com as operações e descobrir se, através delas, entrou dinheiro ilegalmente na Itália.

Há menos de um ano, IOR designou como presidente Ettore Gotti Tedeschi, representante então na Itália do grupo Santander , para substituir Angelo Caloia.

O banqueiro Caloia foi encarregado por João Paulo II em 1989 para a primeira limpeza na administração das contas papais após o escândalo do Banco Ambrosiano, o que permitiu descobrir as ações do tristemente célebre monsenhor americano Paul Marcinkus, o chamado "banqueiro de Deus", falecido em fevereiro de 2006.

Contas milionárias de fundações fantasma, transferências de dinheiro sem controle e vínculos com mafiosos são algumas das revelações do recente livro sobre as finanças da Santa Sé, escrito pelo italiano Gianluigi Nuzzi, com o título de "Vaticano Spa".

O livro denuncia o "período pós-Marcinkus", a década iniciada após o escândalo pelos negócios turvos entre o IOR e o Banco Ambrosiano.

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