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BC vê melhora na economia, mas indica que ainda há espaço para cortar juros

BC vê melhora na economia, mas indica que ainda há espaço para cortar juros

Atualizado: Quinta-feira, 7 Maio de 2009 as 12

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) avalia que houve alguma melhora na economia brasileira e mundial entre março e abril, mas ainda vê espaço para continuar reduzindo a taxa básica de juros.

A avaliação faz parte da ata da última reunião do Copom, divulgada nesta quinta-feira. Na semana passada, o BC cortou a taxa básica de juros de 11,25% para o menor patamar da história, 10,25% ao ano.

"As perspectivas para a evolução da atividade econômica mostraram melhora desde a última reunião do Copom", diz o BC na ata. "A severidade da crise internacional exerceu influência negativa sobre a confiança dos consumidores e dos empresários, mas também nesse caso há sinais de recuperação."

Segundo o BC, a crise econômica criou uma "importante margem de ociosidade" na produção, "que não deve ser eliminada rapidamente em um cenário de recuperação gradual da atividade econômica".

Para a instituição, esse cenário deve contribuir para conter as pressões inflacionárias, o que vai continuar abrindo espaço para a queda dos juros.

'Nesse ambiente, a política monetária pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da inflação para a trajetória de metas.'.

Fragilidade

Na ata da reunião da semana passada, o Copom diz que a ação dos governos das grandes economias ajudou a melhorar "a percepção de risco sistêmico" na economia. Mesmo assim, o BC avalia que o "retorno da confiança permanece frágil"

Ontem, 6 de maio, durante evento com empresários, o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que ainda é cedo para dizer o que o pior da crise já passou e pediu um otimismo mais moderado.

O Copom destaca também a melhora nos fluxos de dólares, o que ajudou na recuperação de várias moedas de economias emergentes em relação ao dólar americano.

No Brasil, por exemplo, o BC já tem atuado no mercado de câmbio para evitar uma queda repentina do dólar. Somente em contratos de câmbio, Meirelles disse ontem já ter utilizado cerca de US$ 10 bilhões nas últimas semanas para estabilizar as cotações.

"Desde a última reunião do Comitê, surgiram sinais, ainda incipientes e sujeitos a reversão, de redução da aversão global ao risco, com impactos tanto sobre os preços de ativos brasileiros quanto os de commodities, influenciando também as condições financeiras", diz o Copom.

Juros baixos

Na ata, o BC destaca ainda que a continuidade na queda dos juros vai exigir mudanças na economia brasileira, acostumada com um ambiente de taxas e inflação em alta.

"Adicionalmente, o Comitê entende que a continuidade do processo de flexibilização monetária torna premente a atualização de aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional."

Ontem, em seu discurso, o presidente do BC afirmou que a queda dos juros já trazia "problemas", como a questão da caderneta de poupança e dos fundos de pensão, cujas regras podem ser revistas.

Inflação

O Copom reduziu a maioria das suas previsões para o reajuste de tarifas e preços administrados em 2009. A projeção de reajuste para o conjunto de preços administrados para o acumulado de 2009 caiu de 5,5% para 5,0%. Para a telefonia fixa, a previsão caiu de 7,6% para 6,3%.

Para a energia, foi mantida em 5%. As projeções para os reajustes nos preços da gasolina e do gás de bujão também foram mantidas, em 0% para 2009.

Para 2010, a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados foi mantida em 4,8%.

O BC informou também que a sua projeção para o IPCA (índice oficial de inflação), que serve como meta, caiu entre as reuniões do Copom de março para abril e está 'sensivelmente' abaixo da meta de 4,5%. A instituição não divulga o número exato.

Para 2010, as projeções de inflação mostraram estabilidade em relação aos valores considerados na última reunião do Copom.

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