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Bolsa subiu, mas ainda perde 6% no mês, e dólar vale R$ 1,566

Bolsa subiu, mas ainda perde 6% no mês, e dólar vale R$ 1,566

Atualizado: Sexta-feira, 29 Julho de 2011 as 9:17

A quinta-feira foi de instabilidade e rumos distintos nos mercados locais e externos. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) descolou de Nova York e teve um dia de recuperação. O dólar voltou a ganhar do real. E os contratos de juros futuros curtos mostraram pouca reação à ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que não se comprometeu com novas altas ou mesmo com o fim do ciclo.

Em Wall Street, alguns dados econômicos melhores que o esperado, como demanda por seguro-desemprego, desviaram o foco da questão política durante parte do pregão. Mas a preocupação com o impasse entre democratas e republicanos sobre a elevação do teto da dívida acabou prevalecendo e o Dow Jones fechou com baixa de 0,51%, a 12.240 pontos. O S&P 500 cedeu 0,32%, a 1.300 pontos. O Nasdaq ainda defendeu leve alta de 0,05%, a 2.766 pontos.

No mercado de commodities, o barril do tipo WTI fechou praticamente estável. O contrato para setembro tenta, mas não consegue retomar a linha dos US$ 100. Ontem, fechou a US$ 99,47. O índice de matérias-primas CRB cedeu 0,59%.

Bovespa

A bolsa brasileira conseguiu breve espaço para recuperação na quinta-feira. Mas na semana, no mês e no ano não conseguiu reduzir de forma representativa as perdas já acumuladas.

O Ibovespa fechou com alta de 0,72%, aos 58.708 pontos. Na máxima do dia, o índice subiu 1,5% e testou novamente os 59 mil pontos. O giro financeiro atingiu R$ 5,669 bilhões.

Na semana, o índice recua 2,6% e, em julho, 5,9%, na pior perda mensal desde maio de 2010. No acumulado de 2011, a queda é ainda maior, de 15,3%.

O gestor de renda variável da Máxima Asset Management, Felipe Casotti, ressalta que a tendência de alta do mercado brasileiro não foi estabelecida e assinala que a aproximação do prazo final para a discussão da dívida dos EUA só estimula o aumento da cautela.

Câmbio

Pelo segundo pregão consecutivo o dólar ganhou do real e já acumula valorização de 0,84% na semana. As novas medidas cambiais anunciadas pelo governo continuaram na pauta.

No fim da jornada, o dólar comercial apresentava valorização de 0,57%, a R$ 1,566 na venda, depois de fazer máxima a R$ 1,570.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar pronto ganhou 0,10%, para R$ 1,565. O volume caiu de US$ 197 milhões na quarta-feira para US$ 84 milhões.

No mercado futuro, o dólar para agosto registrava valorização de 0,67%, a R$ 1,569, antes do ajuste final, depois de subir a R$ 1,5735.

O mercado segue assimilando as canetadas e esperando um detalhamento maior de como será feito o recolhimento do imposto que recai sobre o aumento de posição vendida em câmbio.

Depois das inúmeras críticas e reclamações, o Ministério da Fazenda emitiu comunicado dizendo que, 'em face da necessidade de desenvolvimento de sistemas de apuração e recolhimento do IOF por parte dos responsáveis tributários, a data do primeiro recolhimento do tributo será 5 de outubro de 2011'. No entanto, está mantida a apuração diária das posições.

Na prática nada muda, pois mesmo sem saber como, os agentes têm de fazer tal apuração e terão que pagar os ajustes ao governo a partir de 5 de outubro. De acordo com operadores, essa persistente falta de clareza ainda manteve instituições fora do mercado.

A situação ganha novo grau de complexidade conforme o fim de mês se aproxima e ocorre a rolagem de contratos cambiais. O dólar futuro é o principal deles. O contrato para agosto expira nesta sexta-feira e a referência passa a ser o dólar para setembro, que subia 0,50%, a R$ 1,582 antes do ajuste final.

Desde ontem fazer a rolagem de uma posição custa mais caro, reflexo da incerteza trazida pelas determinações do governo.

Os contratos que não forem rolados são liquidados com base na Ptax. Julho é o primeiro mês de vigência do novo método de cálculo dessa taxa referencial.

A média ponderada pelo volume foi abandonada e agora a Ptax é uma média aritmética de quatro consultas feitas pelo Banco Central (BC) entre 10 horas e 13 horas. Ontem, a Ptax fechou a R$ 1,5651, leve alta de 0,08%.

Na avaliação do diretor de tesouraria do Banco Prosper, Jorge Knauer, esse segundo dia de alta no preço da moeda não pode ser atribuído exclusivamente às dúvidas que o mercado tem sobre as medidas do governo.

Segundo Knauer, é necessária a publicação de uma resolução mais clara sobre como se enquadrar aos pedidos do governo.

Parte da alta da quinta-feira, diz o especialista, pode ser atribuída ao comportamento do dólar no mercado externo. A moeda ganhou força, mesmo sem uma solução para a elevação do teto do endividamento federal americano. Se um acordo não sair até 2 de agosto, os EUA entram em default.

Juros Futuros

A ata do Copom não foi tão esclarecedora quanto se esperava e o próximo passo do Banco Central (BC) segue em aberto.

Entre as pequenas alterações do documento, o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otavio de Souza Leal, lista três pontos. Primeiro, a mudança de percepção com relação ao comportamento da demanda doméstica, que agora, na visão do BC, mostra moderação.

O BC também indicou que os efeitos defasados das ações de política monetária, bem como as ações prudenciais, sobre a dinâmica de preços devem se acentuar.

Encerrando, a visão com relação às commodities passou a ser de contribuição e não de pressão inflacionária. 'No final do ano passado e início deste ano, os riscos associados à trajetória dos preços das commodities nos mercados internacionais foram chave para o cenário prospectivo, entretanto, desde abril esses preços mostram certa acomodação', escreveu o Copom.

'Não há nenhuma indicação clara da intenção do BC com relação aos próximos passos da política monetária, o que nos parece razoável dada as incertezas externas que temos no mercado', diz Leal.

No entanto, pondera o especialista, com uma normalização após a definição do teto da dívida americana, o foco do mercado deve voltar para os dados internos que não dão tranquilidade ao BC para parar o juro na próxima reunião.

Ainda de acordo com Leal, apesar dessa falta de aceno claro, é possível dizer que a probabilidade de parada aumentou.

O especialista também avaliou as projeções contidas na ata. E o que chamou atenção nesse campo foi a incorporação do primeiro semestre de 2013 no horizonte de considerações. Ao contrário dos prognósticos para 2011 e 2012, ambos acima da meta, a visão para 2013 se encontra 'ao redor' da meta central.

Leal chama atenção que também foi em julho de 2010 que o Copom passou a considerar o primeiro semestre de 2012 no horizonte de projeções. Sendo que na reunião seguinte, o BC optou pela interrupção do ciclo de alta de juros.

A dúvida que surge é se essa coincidência seria o período do ano ou a vontade de alongar o período de convergência e, com isso, justificar uma parada no aperto monetário.

O economista sênior para a América Latina da empresa de análises de mercado 4Cast, Pedro Tuesta, também vê um tom mais ameno na ata, o que garante a manutenção de sua expectativa de pausa no ciclo de alta da Selic.

Ainda de acordo com o especialista, esse alongamento de prazo para convergência da inflação para 2013 é algo compatível com a prática de se utilizar uma janela de 24 meses para a política monetária.

Essa mudança, diz Tuesta, permite ao BC passar por cima do fato de que a inflação pode ficar acima do centro da meta em 2012 e concentrar seus esforços nessa previsão de que a inflação ficará ao redor de 4,5% no fim do primeiro semestre de 2013.

Dentro da BM&F, essa sinalização ou falta de sinalização da ata resultou em estabilidade dos contratos curtos. Já os vencimentos longos passaram o dia com leve alta, até que um firme repique tomou forma no fim do pregão.

A puxada é atribuída a fatores técnicos, como a baixa liquidez do mercado, bem como à formação de posições defensivas por parte dos agentes que acreditam que o BC terá de voltar a subir os juros se optar por parar agora.

Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2011 apontava estabilidade 12,40%. Outubro de 2011 não tinha alteração a 12,43%. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, projetava 12,47%, sem variação.

Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013 apontava alta de 0,01 ponto, a 12,68%. Janeiro de 2014 registrava alta de 0,08 ponto, a 12,82%. Janeiro de 2015 tinha valorização de 0,10 ponto, a 12,84%. Janeiro de 2016 também subiu 0,10 ponto, a 12,78%. E janeiro de 2017 projetava 12,73%, alta de 0,14 ponto.

Até as 16h10, foram negociados 632.437 contratos, equivalentes a R$ 52,88 bilhões (US$ 33,79 bilhões), alta de 31% sobre o registrado no pregão anterior, mas um volume baixo para dias de ata do Copom. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 230.170 contratos, equivalentes a R$ 21,88 bilhões (US$ 13,98 bilhões).          

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