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Bovespa abre em baixa em dia de vencimento de opções

Bovespa abre em baixa em dia de vencimento de opções

Atualizado: Segunda-feira, 16 Maio de 2011 as 11:02

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu o dia em baixa, pressionada pelo cenário conturbado no exterior. Além das dificuldades no Oriente Médio, na Europa e nos Estados Unidos, a prisão do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, eleva a aversão ao risco nos mercados internacionais. Além disso, hoje é dia de vencimento de opções sobre ações no Brasil. Às 10h26 (horário de Brasília), o índice Bovespa (Ibovespa) recuava 0,29%, para 63.049 pontos.

Detido no fim de semana em Nova York, sob a acusação de agressão sexual e tentativa de estupro, Strauss-Kahn não participará da reunião de ministros de Finanças europeus, em Bruxelas, o que eleva a preocupação com a crise das dívidas soberanas na Europa. Mas para o diretor da Ativa Corretora, Álvaro Bandeira, o escândalo envolvendo Strauss-Kahn não interfere no processo de resgate financeiro dos países debilitados da periferia europeia. "(O fato) não é bom, mas não afeta as decisões dos líderes", diz. Para Bandeira, a Bovespa está em uma fase de inércia diante de acontecimentos que já eram previstos, como as pressões inflacionárias e o ciclo de aperto monetário nos países emergentes, além do ritmo lento de recuperação nas economias desenvolvidas. "O único acontecimento fora do esperado foi o terremoto seguido de tsunami no Japão", completa.

A Bolsa de Tóquio, aliás, fechou em baixa de 0,9% hoje, caindo pela terceira sessão consecutiva, após a divulgação de novos danos no complexo de reatores da usina em Fukushima impulsionar uma onda de vendas de ações da Tokyo Electric Power (Tepco) e de outras empresas de utilidade pública. Na China, a elevação dos custos de financiamento diante do mais recente aumento na taxa de depósito compulsório penalizou o setor financeiro e fez com que o índice Xangai Composto caísse 0,8%.

No Brasil, os investidores observam o rescaldo da temporada de balanços do primeiro trimestre de 2011. As atenções estão voltadas para a Petrobras, cujo balanço trouxe várias surpresas, como um aumento de 4% na produção nacional, as vendas maiores no mercado nacional e o repasse da alta do preço internacional do barril para alguns derivados no mercado interno. Estes fatores garantiram à estatal petrolífera um lucro recorde no período, de R$ 10,985 bilhões, o equivalente a uma alta de 42,18% em relação ao mesmo período do ano passado. A companhia também foi favorecida pela valorização do real nos três primeiros meses do ano.

Os números trimestrais da Petrobras vieram bem acima da previsão dos analistas e em linha com o crescimento de grande parte das petroleiras internacionais, pondo por terra o argumento de que a companhia seria prejudicada por não repassar a alta de quase 40% no preço internacional do barril para a gasolina e o diesel comercializados no País.

Em entrevista sobre os resultados financeiros da empresa, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, admitiu que os preços no Brasil têm certa defasagem em relação ao custo internacional, mas ressaltou que "na prática", eles acompanham o petróleo tipo Brent em um ritmo mais lento. Ele destacou ainda que o primeiro trimestre de 2011 foi "excepcional" para a companhia.

Uma reação ao balanço robusto da Petrobras poderá ser freada pelo vencimento de opções sobre ações. A opção é um contrato que confere ao portador o direito de compra ou venda de um ativo a um preço predeterminado. O vencimento de opções é a data de validade desses contratos. A partir do dia seguinte, o detentor da opção não pode mais exercê-la. Por isso, no dia de vencimento das opções e nos dias imediatamente anteriores, o movimento da Bolsa pode sofrer distorções, com os investidores atuando de forma tal que os preços das ações se aproximem daqueles valores que mais os favorecem quando a opção for exercida.

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