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Bovespa cai aos 60 mil pontos e dólar sobe a R$ 1,61

Bovespa cai aos 60 mil pontos e dólar sobe a R$ 1,61

Atualizado: Sexta-feira, 17 Junho de 2011 as 9:58

Os temas em destaque continuaram sendo Grécia e os endividados da zona do euro e a economia americana. O resultado foi um dia de instabilidade nos mercados locais e externos, que alternaram pessimismo extremando com momentos de recuperação.

Por aqui, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não seguiu a alta externa e renovou mínima não vista desde julho de 2010. O dólar teve novo pregão de alta. E os juros futuros rondaram a estabilidade, já que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) não mudou a visão vigente de nova elevação da Selic em julho.

No mercado americano, alguns dados econômicos acima do previsto deram fôlego a um repique de alta, que perdeu fôlego no decorrer da tarde. Mas compras de última hora levaram o Dow Jones a fechar com alta de 0,54%, a 11.961 pontos. O S&P 500 ganhou 0,18%, a 1.267 pontos. Mas o Nasdaq ainda perdeu 0,29%, a 2.623 pontos.

Entre as commodities, o barril de WTI teve leve alta de 0,2%, a US$ 94,95. Mas o índice CRB perdeu 0,61%.

Bovespa

A bolsa brasileira chegou a ensaiar alta, indo acima dos 62 mil pontos, mas não passou de tentativa. No fim da jornada, o Ibovespa apontava queda de 1,17%, aos 60.880 pontos. Menor pontuação desde 5 de julho de 2010 (60.865). O giro financeiro ficou em R$ 5,647 bilhões. Na semana, o índice recua 2,9%. Em junho, acumula baixa de 5,8% e, em 2011, de 12,2%.

Na Grécia, a tentativa do primeiro-ministro George Papandreou de aprovar de novas medidas de austeridade para que o país possa receber ajuda financeira ainda não surtiu efeito. A instabilidade política permaneceu e o premiê ainda não conseguiu receber o esperado voto de confiança.

As preocupações de um contágio na Europa e com a exposição dos bancos estrangeiros no país reacenderam a cautela vista antes de a crise econômica americana se deflagrar com a quebra do Lehman Brothers.

Ainda entre as notícias negativas do dia, o mercado analisou a possibilidade de o Comitê de Supervisão Bancária da Basileia exigir reserva adicional sobre o capital de grandes bancos que queiram se expandir.

'A aversão a risco com a Grécia continuou e os boatos referentes ao endurecimento das regras da Basileia trouxeram instabilidade. Além disso, houve uma rolagem forte no vencimento do Ibovespa futuro, o que pressupõe que o mercado continua preocupado, embora hoje tenhamos visto alguns indicadores positivos e uma ata do Copom até amigável', pontuou o diretor da Ativa Corretora, Álvaro Bandeira.

O diretor da Máxima Corretora, José Costa Gonçalves, assinala que o desânimo com o mercado é generalizado e atinge não somente os investidores estrangeiros, mas os locais. 'Há um medo de repetição da crise financeira', disse.

Câmbio

O humor externo continuou ditando o rumo da taxa de câmbio no mercado local na quinta-feira. Conforme a falta de consenso sobre como evitar um calote de fato da Grécia persiste, a cautela prevalece, o que resulta em maior demanda por moeda americana.

No fim da jornada, o dólar comercial subia 0,62%, a R$ 1,610 na venda, depois de fazer máxima a R$ 1,617. Na semana, o dólar ganha 0,81%.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar pronto avançou 0,66%, para R$ 1,6105. O giro caiu de US$ 183,5 milhões para US$ 122,5 milhões.

No mercado futuro, o dólar para julho registrava valorização de 0,12%, a R$ 1,6085, antes do ajuste final. Mas o contrato chegou a R$ 1,622.

Segundo o superintendente de tesouraria do Banco Banif, Rodrigo Trotta, pelo lado doméstico não há evento que justifique valorização do dólar. A questão é, mesmo, a preocupação com a Grécia e com a possibilidade de que a crise que recai sobre o país passe para outros membros da zona do euro, como Portugal, Irlanda ou Espanha.

Tanto no câmbio externo quanto no local os preços máximos do dólar foram registrados no período da manhã. À tarde o tom negativo foi perdendo força. O Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, chegou a subir a 76,02 pontos, mas fechou com leve baixa.

O mesmo vale para o euro, só que na mão inversa. A divisa comum caiu a US$ 1,40 no começo dos negócios, mas recuperou parte das perdas defendendo a linha de US$ 1,41.

Juros futuros

A curva de futuros teve um pregão de pouca oscilação. Reflexo da falta de surpresas da ata do Copom. O mercado já trabalhava com mais um ajuste de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião de julho do colegiado e conforme notou o economia-sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, o documento apenas confirmou esse movimento.

Na visão de Serrano, mesmo reconhecendo uma evolução mais favorável da inflação recentemente, o BC ainda demonstra preocupação com o aquecimento do mercado de trabalho.

Fora isso, diz Serrano, ao seguir com o ajuste dos juros, o BC ganha uma 'margem de segurança', caso o cenário no decorrer do ano seja de repique inflacionário ou mesmo de avanço mais firme da inflação.

Por isso mesmo, diz o especialista, apesar de o cenário-base ser de mais uma alta e fim de ciclo, não é possível descartar completamente a possibilidade de aperto também em agosto. Como sempre, tudo depende da evolução dos dados.

O oposto também não pode ser descartado, ou seja, chegar em julho e o Copom optar por manter a Selic em 12,25%. Por ora, esse é o cenário de menor probabilidade e sua evolução tem relação direta com o quadro externo e com o impacto que isso pode ter sobre a inflação local.

Por ora, o quadro favorece a inflação doméstica, pois é de menor atividade e commodities para baixo. A variável em aberto é a taxa de câmbio, que pode anular esses ganhos.

Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2011 apontava alta de 0,02 ponto percentual, a 12,13%. Outubro de 2011 marcava avanço de 0,01 ponto, a 12,31%. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, projetava 12,39%, sem variação.

Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013 mostrava estabilidade a 12,46%. Janeiro de 2014 subia 0,01 ponto, a 12,37%. Janeiro de 2015 apontava 12,35%, sem alteração. Janeiro de 2016 e de 2017 também estavam estáveis a 12,27% e 12,27%.

Até as 16h10, foram negociados 786.263 contratos, equivalentes a R$ 68,12 bilhões (US$ 42,68 bilhões), menos da metade do registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 332.540 contratos, equivalentes a R$ 31,20 bilhões (US$ 19,55 bilhões).

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