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Bovespa e dólar abriram a semana com leve valorização

Bovespa e dólar abriram a semana com leve valorização

Atualizado: Terça-feira, 11 Janeiro de 2011 as 10:58

Os mercados brasileiros de câmbio e ações abriram a semana com baixa oscilação e volume financeiro mais fraco que nos últimos dias. A segunda-feira contou com uma agenda fraca de indicadores e o foco dos investidores esteve voltado a Portugal.

O mercado teme que o país precise de um socorro financeiro da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e esta preocupação levou a uma jornada negativa na Europa e nos Estados Unidos.

No Brasil, o Ibovespa operou no vermelho durante a maior parte das operações, mas conseguiu mudar de rumo no fim do pregão. O índice encerrou a sessão com valorização de 0,10%, aos 70.127 pontos, e o giro financeiro atingiu R$ 4,815 bilhões. Em Wall Street, o índice Dow Jones recuou 0,32% e o S&P 500 perdeu 0,14%, enquanto o Nasdaq avançou 0,17%.

Apesar de a informação ter sido contestada pelos países envolvidos, matéria publicada no domingo pela revista alemã Spiegel relatou que França e Alemanha temem que Portugal perca em breve sua capacidade de levantar recursos nos mercados financeiros, e apontou que os países poderiam pressionar Lisboa a buscar resgate.

'O mercado está preocupado com a Europa como um todo, não só com Portugal. Os investidores estão um pouco nervosos e isso deve continuar pelos próximos dias. Alguma coisa terá de ser feita para ajudar o país', disse o diretor do Paraná Banco Asset Management, Roberto Sevalli.

Ainda que acredite ser prematuro falar da economia brasileira neste momento, dado que a equipe econômica ainda está se 'assentando na cadeira', Sevalli está otimista com o quadro nacional.

'Há uma análise que está sendo feita de que em março ou abril o rating do Brasil poderá subir um novo degrau, enquanto outros países enfrentam dificuldades, o que pode dar uma mudada radical no quadro brasileiro', ressaltou.

No campo corporativo, o setor de consumo esteve no centro dos negócios no pregão. O Valor revelou ontem que a Lojas Americanas, dona de 54,94% do capital da B2W, prepara-se para adquirir o total das ações da subsidiária e fechar seu capital, provavelmente ainda neste trimestre, em uma operação estimada em cerca de R$ 1,7 bilhão. A forma mais provável para isso é a incorporação, sem a necessidade de oferta pública.

Apesar de a Lojas Americanas ter afirmado que 'não há qualquer estudo em andamento ou decisão' sobre uma possível incorporação de sua controlada B2W, a notícia teve impacto nos papéis das empresas.

Ontem, a principal alta do Ibovespa foi B2W ON, que subiu 7%, para R$ 34,24, e girou R$ 76,2 milhões. No sentido contrário, os papéis Lojas Americanas PN caíram 0,7%, a R$ 15,53, com total negociado de R$ 47,4milhões.

No câmbio, a moeda americana também encerrou o pregão com ligeira alta. Depois de fazer máxima a R$ 1,697, o dólar comercial encerrou o pregão na mínima do dia, com leve alta de 0,11%, a R$ 1,686 na compra e R$ 1,688 na venda. O giro interbancário somou US$ 850 milhões.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar pronto fechou com leve ganho de 0,07%, a R$ 1,6877. O volume subiu de US$ 186,25 milhões para US$ 202,5 milhões.

Uma das principais notícias do dia partiu da publicação, no Diário Oficial, de resolução que autoriza oficialmente a aplicação de recursos do Fundo Soberano do Brasil (FSB) em depósitos especiais remunerados em instituições financeiras federais no exterior. O FSB também poderá operar no mercado futuro de câmbio.

Em entrevista ao jornal britânico Financial Times (FT) veiculada no domingo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda disse que os investidores podem esperar medidas para o mercado futuro. Ele também afirmou que pode levar a questão da guerra cambial para a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para o operador de Mesa de Derivativos Financeiros da Hencorp Commcor, Alberto Orsovay, a publicação da resolução pesou sobre os negócios, porque confirmou a expectativa dos agentes de que o governo vai continuar agindo para impedir a valorização excessiva do real.

No mercado de juros futuros, indicadores de inflação divulgados levaram os contratos a marcar nova sessão de alta dos prêmios de risco.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) encerrou a primeira semana do ano com inflação de 0,92%, 0,20 ponto percentual acima da elevação de 0,72% observada no fim de dezembro de 2010.

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), por sua vez, registrou alta de 0,42% na primeira medição de janeiro, praticamente metade da taxa apurada em igual período do mês anterior, de 0,83%.

Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em fevereiro subia 0,01 ponto percentual, a 10,87%; março subia 0,02 ponto, a 11,03%; abril avançava 0,02 ponto, a 11,26%. O de julho de 2011 tinha ganho de 0,04 ponto, a 11,74%, e o de janeiro de 2012, o mais líquido do dia, apontava 12,28%, alta de 0,07 ponto.

Ente os mais longos, janeiro de 2013 ganhava 0,09 ponto, a 12,55%; o de janeiro de 2014 subia 0,12 ponto, a 12,46%; janeiro de 2015 aumentava 0,11 ponto, a 12,36% e o de janeiro de 2016 também acumulava 0,10 ponto, a 12,22%.

Até as 16h10, foram negociados 803.165 contratos, equivalentes a R$ 70,45 bilhões (US$ 41,78 bilhões), queda de 14% sobre o registrado no pregão anterior. O contrato com vencimento em janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 254.110 contratos, equivalentes a R$ 22,69 bilhões (US$ 13,46 bilhões).

O gestor de renda fixa e derivativos da Meta Asset Management, Henrique de La Roque, apontou que tanto o resultado do IPC-S quanto o do IGP-M vieram um pouco acima das expectativas.

Segundo ele, apesar de o consenso do mercado ser de uma alta da Selic para 11,25% neste mês, parte dos analistas aposta em um reajuste mais acentuado e essa expectativa foi reforçada com os indicadores publicados na sessão.

Por: Beatriz Cutait

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