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Bovespa fecha estável em dia volátil; ações da Petrobras caem

Bovespa fecha estável em dia volátil; ações da Petrobras caem

Atualizado: Sexta-feira, 25 Fevereiro de 2011 as 8:27

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve um dia instável e encerrou os negócios desta quinta-feira praticamente no "zero a zero". A bateria de indicadores americanos, e balanços de empresas domésticas de peso, mexeram com os negócios, mas a crise do Oriente Médio (com foco na Líbia) ainda foi um dos fatores dominantes.

Os papéis da Petrobras, que responderam por um quarto dos negócios de hoje, desvalorizaram após dois dias de alta acentuada: a ação preferencial da petrolífera, que sozinha girou quase o dobro de negócios com as ações da Vale, teve perdas de 1,18%. Já a ação ordinária cedeu 1,81%. "Basicamente, as ações acompanharam a baixa do petróleo lá fora: quando o barril começou a cair, as ações também caíram por aqui", nota Ivanor Torres, chefe do departamento de análise da Geral Investimentos.

E na ponta inversa, investidores voltaram a comprar ações de empresas ligadas ao consumo doméstico, como varejistas e, principalmente, construtoras e imobiliárias. Os ativos de Cyrella, Rossi Residencial e MRV subiram entre 2,8% e 4%. Esses papéis foram alvo de movimentos fortes de venda, devido à expectativa de que apertos na política monetária (juros) devem afetar a demanda nos próximos meses.

Efetivamente, as estatísticas publicadas hoje pelo Banco Central apontaram um recuo na concessão de crédito em janeiro, resultado das medidas já adotadas pelo governo para conter a inflação. Hoje, no entanto, prevaleceu o que analistas chamam de "recuperação técnica", quando os preços baixos atraem compradores.

O Ibovespa, principal termômetro dos negócios da Bolsa paulista, subiu apenas 0,06%, aos 66.948 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,98 bilhões. Nos EUA, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, recuou 0,31%.

O dólar comercial foi negociado por R$ 1,664, em um declínio de 0,65%.

Entre as notícias importantes do dia, o Departamento de Trabalho dos EUA contabilizou uma redução na demanda pelos benefícios do auxílio-desemprego: o total de solicitações caiu para 391 mil até a semana passada. Analistas de Wall Street estimavam uma cifra na casa dos 400 mil.

E o Departamento de Comércio informou uma contração de 6,9% no montante de encomendas de bens duráveis em janeiro, ante um incremento de 4,3% em dezembro (dado revisado). Especialistas do setor financeiro já contavam com um decréscimo, porém não tão acentuado de 2,5%.

O mesmo órgão apontou uma cifra (anualizada) de 284 mil imóveis novos vendidos em janeiro, ante 325 mil unidades em dezembro. O declínio de 12% foi muito pior do que as projeções do mercado, que previa um descenso de 8,8%.

Ainda no front externo, o governo alemão anunciou que o PIB (Produto Interno Bruto) nacional cresceu 0,4% no quarto trimestre, a sétima expansão trimestral consecutiva, num ritmo acima do esperado por economistas do setor financeiro.

BRASIL

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registrou uma taxa de desemprego de 6,1% em janeiro, ante 5,3% em dezembro. O índice é o menor para o mês desde o início da série histórica, em março de 2002.

E o Ministério do Trabalho reportou a criação de 152 mil empregos formais em janeiro, o segundo melhor desempenho para esse mês na série histórica.

EMPRESAS

O grupo Pão de Açúcar reportou um lucro líquido de R$ 819,2 milhões para o exercício de 2010, em um crescimento de 25,2% sobre o ganho acumulado em 2009 (R$ 654 milhões). Considerando os resultados da Globex (Ponto Frio), o lucro consolidado cai para R$ 722,4 milhões.

A ação preferencial do grupo CDB valorizou 0,81%, enquanto a ação ordinária da Globex (com um volume bem menor de negócios) disparou mais de 5%.

A operadora de celular Vivo registrou lucro líquido de R$ 1,893 bilhão em 2010 na comparação com 2009, crescimento de 115,7%. A ação preferencial teve ganho de 4,10%.

E a Klabin (papel e celulose) anunciou um lucro líquido de R$ 361 milhões no exercício de 2010, em um incremento de 8% sobre o ganho apurado em 2009. A ação preferencial disparou 7,13%.

Ontem à noite, a Natura (cosméticos) apurou um lucro líquido de R$ 744,1 milhões no ano passado, o que representa uma alta de 8,8% contra o ano anterior. A ação ordinária retrocedeu 2,32%.

Por Epaminondas Neto

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