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Brasil tem pior resultado com Exterior em 63 anos

Brasil tem pior resultado com Exterior em 63 anos

Atualizado: Sexta-feira, 23 Abril de 2010 as 12

Dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) mostram uma piora nas contas externas brasileiras. No primeiro trimestre, o déficit das transações correntes (uma espécie de conta corrente do país) chegou a US$ 12,145 bilhões, o pior da série que teve início em 1947.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, atribuiu o avanço do saldo negativo ao maior nível de atividade econômica. E deu destaque ao crescimento dos gastos com serviços, principalmente viagens internacionais e aluguel de equipamentos.

Com maior renda e empregos, os brasileiros acabam fazendo mais viagens ao Exterior. E o pagamento de aluguel de equipamentos está associado ao maior nível de investimentos. Pelos cálculos de Lopes, dos US$ 7 bilhões de incremento do déficit de conta corrente no primeiro trimestre, US$ 3,5 bilhões estão associados ao aumento com gastos na conta de serviços.

Outro motivo para o avanço do saldo negativo é a maior remessa de lucros e dividendos das empresas ao Exterior. Para Lopes, é natural que, com maior crescimento da economia, as empresas apresentem ganhos maiores e, por isso, enviem mais recursos para fora. Além disso, outro componente a influenciar o resultado negativo das contas externas é o saldo comercial menor este ano.

Segundo Lopes, a conta de transações correntes deve voltar à “normalidade” dentro de dois anos. Em 2011, o resultado deverá ser ainda negativo na mesma magnitude da previsão para este ano, de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

- A maturação de investimentos vai ajudar a ter mais exportações. Tudo isso leva a crer que o resultado de transações correntes volte à normalidade dentro do médio prazo, em dois anos - afirmou.

Nesse período, Lopes explicou que o déficit brasileiro será coberto com a ajuda dos recursos que ingressam no país para o investimento em portfólio, como ações e renda fixa, e com a boa oferta de financiamento externo em papéis e empréstimos diretos que existe atualmente. Em uma situação "crítica", acrescentou, o BC poderia usar as reservas internacionais de US$ 246 bilhões para ajudar a fechar as contas.

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