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Busca por segurança acelera mercado de blindagem de imóveis

Busca por segurança acelera mercado de blindagem de imóveis

Atualizado: Domingo, 26 Junho de 2011 as 8:53

A violência cresce nas grandes cidades e a população se preocupa cada vez mais com a segurança pessoal. A busca por proteção acelera o mercado de blindagem de imóveis, que cresce a cada ano.

Antigamente, blindar um imóvel era privilegio da classe alta. Hoje, o tipo de serviço se tornou bem mais acessível e pode ser encontrado em ruas de bairros de classe média de São Paulo. Em uma delas percorrida pela reportagem, a cada dez prédios residenciais, pelo menos oito tem uma cabine blindada. Em prédios com segurança reforçada, a guarita tem porta e janela blindadas e os vidros são à prova de bala.

A grande procura pelo serviço criou novas oportunidades no mercado de segurança. Nos últimos 3 anos, o número de empresas especializadas no setor no Brasil chegou a 150, o que representa cerca de 60% de crescimento. O levantamento é da Associação Brasileira De Blindagem.

  Edson Moraes e o sócio Cristiano Martins aproveitaram o bom momento e investiram no negócio. “A gente precisa conhecer bem o produto, conhecer bem o público que a gente está ofertando esse material para a gente ter sucesso com blindagem”, diz Moraes.

O investimento inicial foi de R$ 100 mil, usados para estruturar o espaço e comprar matéria-prima. Na fábrica, os funcionários cortam as chapas de aço, lixam e soldam. Os vidros chegam de um fornecedor terceirizado. Quando a blindagem é arquitetônica, a pintura e os detalhes em madeira recebem cuidados mais que especiais. Tudo tem que ficar bonito, mas seguro.

Depois de passar pelo processo de blindagem, uma porta fica pelo menos cem quilos mais pesada. Com a estrutura em aço fica praticamente impossível de ser violada.

“Ela é praticamente impossível de ser estourada, porque a dobradiça é de um material de alta resistência, de aço e inox, e tem pinos de segurança que ajudam a evitar o arrombamento (...). [A porta] não chega a entortar porque a gente usa chapa de aço balístico. Internamente tem tubos que ajudam a segurar o arrombamento”, explica o empresário.

Para se ter uma ideia do poder do aço balístico, ele resiste ao impacto de um tiro de fuzil. Nas portas, ele reforça os pinos de trava, as maçanetas e os batentes.

“Temos vários níveis de blindagem, desde o nível um até o nível três. O nível um é uma porta antiarrombamento e até calibre 38. O nível dois são algumas armas como a ponta 40, o calibre 38 e até a pistola magnum 357. E nós temos o nível 3-A, que são todas as armas de mão, essas que eu falei mais a magnum 44 e a submetralhadora 9 milímetros. E nós temos o nível 3 que são todos os fuzis”, diz Moraes.

A empresa também fabrica guaritas para prédios e cabines de casas lotéricas. Depois de prontos, os produtos blindados são instalados por uma equipe especializada. “Precisa de ter um funcionário qualificado para fazer esse tipo de instalação”, diz o sócio Cristiano.

Certificado

Para trabalhar com blindagem, a empresa precisa de certificação dos órgãos de segurança, inclusive do Exército. O custo da blindagem de uma porta gira em torno de R$ 4 mil. Uma guarita sai por cerca de R$ 100 mil. O faturamento médio da empresa é de R$ 300 mil por mês.

Preocupada com a segurança, uma gráfica em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, investiu R$ 80 mil na instalação de uma guarita totalmente blindada.

“O cliente tem maior confiabilidade quando você tem um produto que garanta essa segurança para o produto dele”, opina André Ricardo da Silva, coordenador de operação da gráfica.

Em uma casa em São Paulo o dono aproveitou a reforma para substituir as portas antigas. Quatro delas, incluindo a da sala, vão ganhar reforço. O investimento foi de R$ 20 mil. “Estou tentando colocar um pouco de segurança na casa, uma coisa que antes ela não tinha”, diz Luiz Carlos Panissolo.

De olho na clientela que não para de crescer, a empresa já comemora os bons resultados. “Para 2011, a nossa expectativa era de 20%, mas atingimos essa meta antes da metade do ano, então nosso crescimento vai chegar a 50%”, afirma Moraes.          

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