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Cade aprova fusão entre Sadia e Perdigão com restrições

Cade aprova fusão entre Sadia e Perdigão com restrições

Atualizado: Quinta-feira, 14 Julho de 2011 as 8:50

                                      Mais uma fusão no mundo dos negócios vai mexer com a vida de quem faz compras no supermercado. Foi aprovada a fusão da Sadia com a Perdigão, mas com algumas restrições, para garantir a concorrência. Quem sempre sai perdendo com a concentração de mercado são os consumidores, já que isso diminui a concorrência. Por isso, as condições do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para aprovar a fusão. Parte da Perdigão tem que ser vendida para alguma concorrente. Assim, a Sadia não se tornaria dona absoluta do mercado, o que prejudicaria o consumidor.

Juntas, detêm mais da metade do mercado de alimentos processados no Brasil. Sadia e Perdigão vendem 80% dos congelados, pizzas e pratos prontos. Agora, elas são a mesma empresa.

‘São duas empresas concorrentes que tinham produtos diferenciados, o que, talvez, equilibrava o preço, e agora vão estar juntas’, diz a profissional de turismo Claudete Andreola. ‘O que faz com que os preços baixem é a competitividade, a concorrência’, lembra a analista de sistemas Kenia de Souza

Para tentar garantir a concorrência com outras empresas, a fusão foi aprovada sob condições. A Perdigão será obrigada a vender fábricas, granjas e centros de distribuição, o equivalente a 80% da capacidade de produção da empresa. A venda representa 13% da receita das duas juntas. Alguns produtos da Perdigão, como lasanhas, almôndegas e pizzas, têm que sair do mercado por até cinco anos. O objetivo é facilitar a entrada da nova concorrente que comprar parte da empresa.

‘É preciso realmente ter um incentivo das menores apara que estas cresçam e possam competir com qualidade e preço, porque senão vamos ficar reféns de uma marca só’, diz a nutricionista Raquel Botelho.

O consultor especializado em varejo Eugenio Foganholo acredita que a fusão, dessa forma, é boa para o consumidor. ‘Os concorrentes terão melhor condição de competição no mercado e certamente serão favorecidos com o aumento e o ganho de participação a partir de agora. Com a competição preservada, os preços, pelo menos, deverão continuar estáveis a partir de agora’, afirma Eugenio Foganholo.

Para o Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), as condições impostas são uma tentativa, mas não garantem a concorrência. ‘O consumidor não tem o benefício do preço final, ainda corre o risco da concentração de mercado, que pode, pior do que aumentar o preço, reduzir a qualidade do produto ofertado, porque não há concorrente. Esses entraves para a fusão não são uma garantia de que o mercado responderá dessa forma’, alerta o presidente do Ibedec, Geraldo Tardin.

Pelo que foi aprovado, os funcionários terão garantia de estabilidade por seis meses. Comprar de volta o que foi vendido, só depois de dez anos. Se a empresa não cumprir essas e outras condições poderá ser punida com multas de R$ 50 mil por dia e até com a anulação da fusão.            

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