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Câmara adia votação do plano de aumento do teto da dívida dos EUA

Câmara adia votação do plano de aumento do teto da dívida dos EUA

Atualizado: Quarta-feira, 27 Julho de 2011 as 8:02

A Câmara de Representantes dos Estados Unidos adiou para quinta-feira (28) a votação do plano republicano para aumentar o teto da dívida, depois de o Departamento de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês) ter indicado que sua proposta para reduzir o déficit não alcança o objetivo de US$ 1,2 trilhão de economia.

Fontes republicanas tinham antecipado que o plano poderia ser submetido à votação na quarta (27), mas agora o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, está refazendo seu plano orçamentário após descobrir que os cortes de gastos apresentados eram mesmo inferiores aos prometidos por ele, afirmou seu porta-voz nesta terça (26).

O CBO revelou que o plano de redução no déficit apoiado pelo Partido Republicano diminuiria em US$ 850 bilhões o buraco nas contas do governo nos próximos 10 anos, ou US$ 350 bilhões menos do que previam os integrantes do partido. A maior parte da redução no déficit seria motivada pela aplicação de limites a gastos discricionários. Se forem adotadas as limitações propostas no plano republicano, a economia seria de US$ 695 bilhões com esses gastos, US$ 20 bilhões com despesas obrigatórias e US$ 135 bilhões com o pagamento de juros, que diminuiria conforme a dívida pública caísse.

Os cálculos do CBO são baseados na referência para o orçamento estabelecida em março, adotada como padrão pelo Congresso. Os republicanos pediram ao órgão que também fizesse as contas tendo como base a referência de janeiro, que mostraria uma diminuição mais acentuada no déficit ao longo dos próximos dez anos porque não levaria em consideração os cortes nos gastos aprovados pelos congressistas desde o início do ano.

Quando calculado tendo como base a referência de janeiro, o plano dos republicanos geraria uma economia de US$ 875 bilhões em gastos discricionários, de US$ 20 bilhões em despesas obrigatórias e de US$ 175 bilhões com o pagamento de juros.

Líderes do Partido Republicano disseram que o plano reduziria o déficit fiscal dos EUA em pelo menos US$ 3 trilhões ao longo dos próximos 10 anos. Desse total, US$ 1,2 trilhão viriam de cortes nos gastos - mais especificamente da aplicação de limites às despesas - e os US$ 1,8 trilhão restantes seriam resultado de uma reforma no código tributário e em programas sociais.         Obama diz que falta de acordo sobre dívida trará 'problemas sérios'. (Foto: Reprodução/GloboNews)     ‘Problemas sérios’

Na véspera, o presidente Barack Obama afirmou, em pronunciamento na Casa Branca, que a falta de um acordo que permita elevar o teto da dívida do país trará problemas sérios à economia. “Se continuarmos nesse caminho, nossa dívida vai causar problemas sérios à nossa economia”, afirmou.

De acordo com Obama, o país deverá ver um crescimento do desemprego e alta nas taxas de juros. “E não teremos dinheiro para criar empregos suficientes”, disse.

O presidente dos EUA defendeu o plano bipartidário que vinha sendo debatido por republicanos e democratas nas últimas semanas e que, de acordo com ele, previa cortes de gastos do governo ao mesmo tempo em que poria fim a isenções de impostos de tributos das fatias mais ricas da população.

“Hoje estamos em um beco sem saída. Temos que aumentar o teto da dívida até a próxima terça, 2 de agosto, ou não poderemos pagar todas as nossas contas”, disse. “Pela primeira vez na história nosso rating AAA (a nota de crédito) pode ser rebaixado Podemos entrar em uma profunda crise econômica, causada exclusivamente por Washington”.

Crítica

John Boehner reagiu ao discurso afirmando que os EUA “não podem entrar em default”, mas advertiu que o “povo americano não aceitará um aumento da dívida sem cortes significativos nos gastos e uma reforma”.

Boehner admitiu que “os empregos e a poupança de um grande número de americanos estão em jogo”, mas acusou Obama de não aceitar as soluções propostas pelos republicanos.              

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