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Cartão é o endividamento e inadimplência em São Paulo

Cartão é o endividamento e inadimplência em São Paulo

Atualizado: Sexta-feira, 28 Agosto de 2009 as 12

O cartão de crédito continua liderando o ranking dos tipos de dívidas mais utilizadas em agosto. A modalidade foi responsável por 65% das dívidas assumidas pelas famílias paulistanas, contra 61% em julho. No endividamento geral, o índice passou de 46% em julho para 49% em agosto. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Fecomercio, a inadimplência também mostra ligeiro aumento, já que total de famílias com contas em atraso alcançou o patamar de 19%, ante os 17% apurados em julho. O número contraria a trajetória declinante observada nos meses anteriores (21% em maio, 20% em junho e 17% em julho).

A quantidade de famílias que acreditam não ter condições de pagar total ou parcialmente suas contas nos próximos meses também subiu de 5% em julho para 8% em agosto. Segundo Adelaide Reis, economista da Fecomercio, o resultado de agosto deve-se ao aumento da demanda do consumidor por crédito, sustentado, principalmente pela elevação das operações com o cartão de crédito e o cheque especial, as duas modalidades de crédito mais caras do mercado.

Dados da PEIC mostram que a utilização do cheque especial passou de 8% em julho para 9% em agosto. Os carnês permanecem estáveis com 38% das dívidas contraídas este mês e o crédito pessoal em estabilidade com 12%.

Para a economista, a expansão do crédito este mês também é atribuída à elevação da massa real de salários (cresceu 3,2% em julho de 2009 em comparação a julho de 2008), ao aumento do prazo médio do financiamento ao consumidor e à redução das taxas de juros dos financiamentos oferecidas pelos bancos públicos, fruto do corte no spread. Soma-se a isso, o fortalecimento da confiança do consumidor no desempenho da economia nacional.

"Como a intenção de consumir continua em alta e a oferta de crédito está em expansão, há um retorno da tendência de aumento do endividamento das famílias paulistanas no horizonte próximo", afirma Adelaide. Quanto à inadimplência nos próximos meses, permanece o risco de crescimento em decorrência do aumento das operações de crédito e das altas taxas de juros em vigor no mercado.

Consumidores não querem mais dívidas

Segundo dados da PEIC, o porcentual de consumidores que não pretendem contrair dívidas nos próximos meses aumentou, passando de um total de 90% em julho para 92% em agosto. Os que planejam comprar a crédito no futuro próximo representam apenas 7% dos consumidores entrevistados este mês.

Quanto ao prazo médio de comprometimento da renda dos consumidores com dívidas, a PEIC indica que, em agosto, mais da metade dos entrevistados (51%) têm renda familiar comprometida com o pagamento de dívidas por até seis meses. Outros 28% do total têm a renda familiar comprometida por mais de um ano com pagamento de dívidas.

A PEIC aponta que em agosto 52% dos entrevistados têm até 30% da renda familiar mensal comprometida com dívidas. Estavam nesta situação 59% das famílias em julho. Já em relação ao tempo de atraso no pagamento de contas, a pesquisa mostra que 45% das famílias paulistanas estão com dívidas atrasadas há mais de 90 dias. Outros 37% dos inadimplentes têm contas com pagamentos atrasados em até 60 dias.

Nota Metodológica

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) é apurada mensalmente pela Fecomercio desde fevereiro de 2004. Os dados são coletados junto a cerca de 1.360 consumidores no município de São Paulo. O objetivo da PEIC é diagnosticar o nível de endividamento e inadimplência do consumidor. Das informações coletadas são apurados importantes indicadores: nível de endividamento, percentual de inadimplentes, intenção de pagar dívidas em atraso e nível de comprometimento da renda. Tais indicadores são observados considerando-se três faixas de rendas, duas faixas de idade, distinguindo-se entre homens e mulheres. A pesquisa permite o acompanhamento do nível de comprometimento do consumidor com dívidas e sua percepção em relação à capacidade de pagamento, fatores fundamentais para o processo de decisão dos empresários do comércio e demais agentes econômicos.

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