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China e EUA assustam mercados e Bovespa cai 3,5% no fechamento

China e EUA assustam mercados e Bovespa cai 3,5% no fechamento

Atualizado: Quarta-feira, 30 Junho de 2010 as 7:58

A forte desvalorização das ações brasileiras nesta terça-feira apagou todo o ganho acumulado na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) no mês. Seguindo de perto a derrocada vista nas Bolsas asiáticas, europeias e americanas, o investidor vendeu principalmente ações de empresas baseadas em commodities, como Vale, Gerdau, OGX e os demais destaques do setor.

China e EUA forneceram os números e os motivos para a queda de hoje, num contexto de mal-estar com o ritmo lento da recuperação mundial.

O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, retrocedeu 3,50%, aos 61.977 pontos. O giro financeiro foi de 7,63 bilhões, acima da média do mês (R$ 6 bilhões/dia). Nos EUA, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, cedeu 2,65%. Na Europa, a Bolsa de Londres caiu 3,10% enquanto a Bolsa de Frankfurt retraiu 3,33%. E na Ásia, a Bolsa de Tóquio perdeu 1,27% e em Hong Kong, as ações perderam 2,30%,

No pregão brasileiro, ação preferencial da Vale, que movimentou sozinha mais de R$ 1 bilhão em negócios, desabou 4,82%. Outras perdas importantes foram vistas nos papéis da OGX, que sofreu retração de 6,89%, assim com nas ações da Gerdau (baixa de 3,95%). O setor bancário também mostrou perdas importantes, a exemplo da ação ordinária do Banco do Brasil em queda de 4,13%.

''Nós estamos vivendo um cenário de extrema incerteza, de muita aversão ao risco, e agora, com o agravante da economia chinesa: ninguém sabe qual a perspectiva de desaceleração, e isso afeta a Bolsa brasileira, por causa da questão das commodities, até mais do que a crise na Europa'', comenta Adriano Moreno, estrategista-chefe da Futura Investimentos. ''Nós temos recomendado ao clientes muita cautela, porque os próximos pregões vão continuar difíceis'', acrescenta.

O dólar comercial foi vendido por R$ 1,811, em um acréscimo de 1,57% sobre o fechamento de ontem. A moeda americana oscilou entre R$ 1,814 e R$ 1,793.

''Acho que se não fosse o momento atual da economia brasileira, essa taxa facilmente atingiria R$ 1,90'', avalia Ideaki Iha, da mesa da corretora Fair. O profissional lembra, entre outros fatores, a perspectiva de melhora do ''rating'' (nota de risco de crédito) do país, como anunciado recentemente pela agência Fitch.

Pela manhã, números frustrantes do front asiático já assombravam os investidores. Na China, há expectativa por uma possível desaceleração da economia local, após o pico de maio, conforme sinalizada em sondagem da entidade privada Conference Board. E no Japão, a produção industrial teve queda de 0,1% em maio, enquanto as exportações contraíram 1,7%.

Horas depois, outra notícia reforçou o pessimismo sobre a retomada da economia global. Uma pesquisa privada apontou uma forte deterioração na confiança do consumidor americano. O índice do instituto Conference Board teve uma leitura de 52,9 pontos em junho, ante 62,7 em maio (dado revisado). Economistas do setor financeiro esperavam uma cifra em torno de 62,5 pontos para o período.

Também gerou nervosismo a expectativa pelo ''teste de fogo'' a que devem ser submetidos os bancos europeus ainda nesta semana. Na quinta, várias instituições financeiras devem devolver bilhões de euros a títulos de empréstimos de emergência concedidos na pior fase da crise, o que deve por à prova as condições do sistema financeiro do velho continente.

No front doméstico, a FGV apontou inflação de 0,85% em junho ante 1,1% em maio, pela leitura do IGP-M, utilizado para o reajuste dos contratos de aluguel. A cifra veio acima das estimativas do mercado (em torno de 0,7%). No ano, a variação foi de 5,68%, enquanto nos últimos 12 meses foi de 5,17%.

A Comissão Europeia revelou que o nível de confiança do consumidor na economia, entre os países da zona do euro, melhorou ligeiramente em junho na sequência de uma forte queda em maio. O índice teve leitura de 98,7 pontos ante 98,4 no mês passado.

Por Epaminondas Neto

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