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Cidade de Deus, no Rio, ganha moeda e banco próprios

Cidade de Deus, no Rio, ganha moeda e banco próprios

Atualizado: Quinta-feira, 15 Setembro de 2011 as 2:40

Cédulas de CDD (Foto: Bernardo Tabak/G1)

  Foi inaugurado, nesta quinta-feira (15), o primeiro banco comunitário carioca, na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Com o objetivo de desenvolver a economia local, o Banco Comunitário Cidade de Deus vai operar com dinheiro próprio, a moeda social CDD. Cada CDD vale R$ 1.

“O objetivo é o desenvolvimento sustentável do território”, ressaltou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Solidário, Marcelo Henrique da Costa. “Se não há o consumo interno feito pela comunidade, a riqueza local escoa para outras áreas”, complementou.

Moradoras há muitos anos da Cidade de Deus, D. Benta e D. Geralda

 (sentadas) estampam as cédulas de CDD. (Foto: Bernardo Tabak/G1)  

De acordo com o secretário, apenas moradores da Cidade de Deus terão acesso à moeda. Desta forma, segundo Costa, os comerciantes e prestadores de serviços da região vão ter interesse em disputar o consumidor local e vão se cadastrar para poderem receber as cédulas de CDD.   “Já temos cem comerciantes cadastrados, e muitos deles já estão dando desconto e fazendo promoções, como o sorteio de bicicletas, para atrair o consumidor que for comprar com CDD”, explicou o secretário. Segundo Costa, a princípio, apenas comerciantes da Cidade de Deus vão participar do projeto.

Inauguração do Banco Cidade de Deus (Foto: Bernardo Tabak/G1)    

O evento de inauguração do banco comunitário também teve a participação do prefeito do Rio, Eduardo Paes, e do secretário nacional de Economia Solidária, Paul Singer, entre outras autoridades e políticos.

“A riqueza gerada pela comunidade vai ficar na comunidade. Essa política já se mostrou eficiente para reduzir a pobreza”, ressaltou Paes. A agência da Cidade de Deus é o 63º banco comunitário criado no Brasil.

“A economia solidária está se difundindo no mundo inteiro”, destacou Singer. “Se quebrarmos o isolamento que existe entre os próprios pobres, e fazermos eles crescerem e se amar, vão deixar de ser pobres. O poder público tem que incentivar e dar recursos, mas o segredo é o pobre se resgatar”.

Secretário não teme problemas com comércio de outros bairros

Com a criação da moeda social CDD, que vai circular em cédulas com os valores de 0,50 centavos, 1, 2, 5 e 10, somente os empreendimentos cadastrados vão poder fazer a troca do CDD por real. O objetivo é fazer com que os moradores da Cidade de Deus comprem produtos e serviços dentro da comunidade, gerando um circuito econômico local.

O secretário Marcelo Costa disse não temer reclamações e até ações judiciais de comerciantes de outros bairros, que podem perder clientela com a nova moeda social. “Comerciantes de outras regiões que quiserem entrar com processos judiciais vão ter problemas com a imagem, pois vão estar contra uma política social e econômica muito bem recebida. Vai pegar mal para eles”, afirmou.

Benta Neves do Nascimento, de 66 anos, 45 deles morando na Cidade de Deus e muito conhecida dos moradores, foi uma das escolhidas para ter o rosto estampado nas cédulas. “Existe muito comércio na Cidade de Deus, mas muita gente comprava fora da comunidade. Agora, a gente vai gastar o dinheiro aqui dentro”, ressaltou ela, apostando no sucesso do projeto.

No novo banco, os clientes também vão ter acesso a linhas de crédito (em reais), para investir na produção, e a empréstimos (em moeda social CDD) para o consumo. O secretário Marcelo Costa informou que a próxima comunidade carioca a receber um banco comunitário será o Complexo do Alemão.          

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