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Com 'plástico verde', Braskem utiliza cerca de 3% do etanol do país

Com 'plástico verde', Braskem utiliza cerca de 3% do etanol do país

Atualizado: Terça-feira, 14 Junho de 2011 as 9:34

Com a sua fábrica de ‘plástico verde’ operando já próxima da plena capacidade, a Braskem prevê consumir neste ano 700 milhões de litros de etanol – o que corresponde cerca de 3% da produção total prevista para o ano no país e faz da empresa a maior compradora de álcool para fins industriais no Brasil. Em termos comparativos, o volume de etanol consumido por ano pela Braskem equivale a 17 dias de vendas do combustível nos postos do país e é maior do que a soma das vendas das distribuidoras nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina em 2010.

  Marcelo Nunes, diretor de Negócios de Químicos Verdes da Braskem (Foto: Darlan Alvarenga/G1)       Inaugurada em setembro de 2010, em Triunfo (RS), com um investimento de cerca de R$ 500 milhões, a unidade industrial de eteno derivado de etanol tem capacidade de produção de 200 mil toneladas de polietileno verde por ano, o que representa cerca de 6% da produção de polietileno da Braskem.

As resinas são idênticas. A diferença está na matéria-prima e no apelo ecológico. Em vez do petróleo usado no processo tradicional, é a cana-de-açúcar que vai gerar o etanol que será transformado em eteno e, depois, em polietileno. Segundo a fabricante, o ‘plástico verde’ retira até 2,5 toneladas de carbono da atmosfera para cada tonelada produzida de polietileno desde a origem da matéria-prima.

A demanda pelo produto, que está sendo adotado na fabricação de frascos de higiene e beleza, embalagens de alimentos, sacolas, sacos de lixo e brinquedos, já supera a capacidade de produção. Segundo o diretor de Negócios de Químicos Verdes da Braskem, Marcelo Nunes, o mercado de biopolímeros está restrito atualmente pela oferta. “O interesse é altíssimo. A demanda é suficiente para absorver outro investimento de um porte até maior do que esse”, afirma.

A Brasken prevê para o 2º semestre de 2013 a inauguração da sua segunda planta de "plástico verde", dessa vez de polipropileno derivado de etanol, e vê espaço para novos investimentos no médio prazo. “A gente tem dito que esse é um produto que já tem receitas da ordem de milhões de dólares e que a gente quer transformar isso num negócio de bilhões de dólares nos próximos cinco, dez anos”, afirma Nunes.

A nova fábrica está orçada em cerca de US$$ 100 milhões e deverá elevar a demanda da empresa por etanol para cerca de 800 milhões de litros por ano. O local ainda não foi definido. “O investimento permitirá uma produção anunciada de 30 mil toneladas de polipropileno, que a Brasken já faz planos de elevar para 50 mil toneladas”, diz o diretor.

Segundo Nunes, novos investimentos em plantas industriais completas para produção de "plástico verde" terão que estar alinhados ao aumento da produção de etanol no país. Ele afirma, entretanto, que o mercado de biopolímeros não irá concorrer com o de biocombustíveis.

“O Brasil produz de 25 a 30 bilhões de litros. A gente utiliza uma fração, cerca de 3%”, diz o diretor. “Definitivamente não é concorrência. A gente vai ser um grande consumidor, mas, comparado ao mercado de biocombustível, muito pequeno”, acrescenta. “A gente acredita que vai ter sim um novo ciclo de investimento na indústria de etanol no país para acompanhar a demanda de carros flex, de biocombustíveis e tudo mais”.

Do volume de 700 milhões de litros de etanol que a Braskem prevê consumir neste ano, 465 milhões de litros serão utilizados na produção de polietileno verde. O restante será utilizado pela planta de produção do aditivo de gasolina ETBE, produto basicamente voltado para exportação.

Para enfrentar os períodos de entressafra e evitar problemas de desabastecimento, a Braskem mantém contratos de longo prazo com as usinas de etanol e costuma manter um estoque de segurança de dois meses de produção para absorver oscilações do mercado. “Como temos a única planta do mundo que produz polietileno verde, não podemos nos dar ao luxo de ter a fábrica parada e não ter o produto para entregar para o cliente”, afirma Nunes.

Para as futuras plantas, a Braskem faz planos de desenvolver projetos mais integrados e mais próximos da produção de etanol, de forma a reduzir os custos de frete.       Resina feita a partir de etanol é idêntica a

derivada de petróleo (Foto: Darlan Alvarenga/G1)   2ª geração de 'plásticos verdes'

Embora a capacidade da nova fábrica de "plástico verde" seja menor do que a que está hoje em operação, a Braskem acredita que o mercado de polipropileno verde possa ser ainda maior do que o de polietileno verde. Nunes explica que o polipropileno é uma resina mais dura e resistente, utilizada tanto em embalagens como em bens mais duráveis, como eletrodomésticos e automóveis. “Estamos fazendo uma planta de 50 mil toneladas de produção porque temos restrição em matéria-prima ainda”, diz.

Segundo o diretor, a empresa pretende ter vários contratos de fornecimento assinados antes mesmo da inauguração da planta. “Boa parte da capacidade a gente quer vender em 2011 ainda”, revela.

Atualmente, cerca de 80% da produção de biopolímeros é exportada, com destaque para a Europa, destino de aproximadamente 35% das vendas. Mas a Braskem já possui mais de 20 clientes no Brasil. Entre os clientes, estão empresas como Johnson&Johnson,Tetra Pak, Natura e Brinquedos Estrela.

Embora o "plástico verde" seja mais caro que o tradicional, o produto tem despertado o interesse de empresas que procuram agregar aos seus produtos elementos de sustentabilidade e que estão dispostas a pagar um preço diferenciado. “Por mais que a tecnologia seja competitiva, você tem um valor intrínseco de sustentabilidade nesse produto, que do ponto de vista de marketing ele precisa ter um preço mais caro”, afirma Nunes.

Por ainda ter oferta limitada de fornecimento e ainda não dispor de concorrentes, a Braskem não revela a diferença de preço entre a resina tradicional e a fabricada a partir de etanol.

A empresa diz já ter recebido consultas de diversos países interessados em projetos semelhantes, incluindo Tailândia, Taiwan e países da Europa.

“A gente está em processo de avaliação para ver o que é melhor: produzir no Brasil e exportar o produto ou levar uma planta para lá e estar mais próximo do mercado estrangeiro”, afirma Nunes. “A questão básica de levar uma planta para fora é que você tem que levar o etanol. Então você tem uma logística que pode ser impeditiva”, ressalta. Apesar das oportunidades abertas pelo desenvolvimento de resinas a base de etanol, o executivo acredita que o tende a ficar restrito a um “mercado de nicho” que não irá substituir a base produtiva em larga escala.

“Acho que ainda vai ser muito mais uma questão de restrição de oferta do que de restrição de demanda. Quanto mais a gente conseguir colocar, mais a demanda irá aumentar”, diz Nunes.

A Braskem é a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas. Em 2010, registrou um faturamento de R$ 34,7 bilhões. A companhia possui 31 plantas industriais distribuídas pelo Brasil e Estados Unidos. No Brasil, a produção anual é de 6,4 milhões de toneladas de resinas.          

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