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Com rombo de R$ 4,3 bi, PanAmericano não vê desvio de recursos

Com rombo de R$ 4,3 bi, PanAmericano não vê desvio de recursos

Atualizado: Quarta-feira, 16 Fevereiro de 2011 as 3:56

As fraudes do banco Panamericano foram tão complexas que os novos gestores decidiram apagar o passado e começar do zero uma nova contabilidade a partir de dezembro. O balanço apresentado nesta quarta-feira, portanto, mostra apenas os resultados do banco em dezembro (prejuízo líquido de R$ 133,6 milhões), o primeiro da nova gestão, sem revelar os resultados nem do último trimestre nem do ano de 2010 inteiro.

Os dados confirmam o rombo de R$ 4,3 bilhões, mas surpreendemente, os auditores não encontraram indícos de desvios de recursos das contas do banco, segundo o diretor superintendente do Panamericano, Celso Antunes da Costa.

A principal hipótese é que a fraude contábil tenha sido feita para encobrir uma operação deficitária decorrente de custos elevadíssimos com comissões para lojistas e demais distribuidores de crédito associados a uma captação de recursos com taxas elevadas.

"Torturamos os números e eles confessaram tudo. Não acredito que o rombo possa ser maior do que R$ 4,3 bilhões", disse Costa.

Segundo ele, as fraudes nos balanços do PanAmericano foram muito bem arquitetadas. "Não estou defendendo os auditores e todos que viram as contas do banco. Mas foi uma obra de inteligência para gerar as incosistências contábeis. Não foi fácil desarmar isso. Havia um grau de de automação muito grande."

Antunes acredita, porém, que uma minoria dos funcionários fazia parte da inteligência que arquitetou o mecanismo de manipulação dos números.

ROMBO

Em entrevista em São Paulo hoje, a nova administração do banco afirmou que as inconsistências de empréstimos cedidos a outros bancos e que não existiam eram muito grandes, além de ser muito difícil identificar o momento em que aconteceram. Isso tornou praticamente impossível fazer demonstrações financeiras por período.

Os administradores, então, iniciaram um trabalho de inventariado em que contabilizaram todos os empréstimos em vigor, bens e demais ativos do banco, ao mesmo tempo que identificaram todos os contratos e compromissos estabelecidos junto a clientes e fornecedores.

Dessa conta, descobriram que o patrimônio líquido, a soma de tudo que os acionistas tinham no banco, era de apenas R$ 197 milhões. Esse montante não era sufuciente para dar respaldo à carteira de crédito de R$ 13 bilhões emprestados aos clientes (incluindo sessões) e que estava baseada em uma posição patrimonial "fictícia" de R$ 1,5 bilhão.

Assim, o rombo no balanço do banco, inicialmente projetado em R$ 2,5 bilhões subiu em mais R$ 1,3 bilhão, somando R$ 3,8 bilhões, como foi confirmado pelo PanAmericano no início do mês. Além disso, outros ajustes não relacionados a inconsistências, no valor de R$ 500 milhões, aumentaram ainda mais a dívida do banco.

Depois que inventariou sua posição patrimonial, os novos contadores fizeram as demonstrações financeiras do que aconteceu em dezembro, único mês cheio sob a nova administração. Neste mês, o banco teve prejuízo de líquido de R$ 133,6 milhões.

Em 2009, o banco já havia apresentado um prejuízo de R$ 7,88 milhões. O balanço de 2008 foi o último em que os resultados do banco ficaram no "azul", com um ganho de R$ 73,5 milhões.

NEGÓCIO

O BTG Pactual e o Grupo Silvio Santos acertaram no último dia 31 de janeiro a venda do banco por R$ 450 milhões. O acordo também incluiu um empréstimo adicional pelo Fundo Garantidor de Créditos, entidade dirigida pelos bancos, de R$ 1,3 bilhão ao PanAmericano. Em novembro do ano passado, o fundo já havia emprestado R$ 2,5 bilhões. Os outros R$ 500 milhões foram tirados do próprio banco PanAmericano, de uma forma que o fundo ainda não explicou.

Em dezembro de 2009, a Caixa Econômica Federal havia adquirido 36,56% do capital total do banco por R$ 739,27 milhões. O restante das ações segue na Bolsa, com acionistas minoritários.

Reportagem da Folha publicada no último dia 3 aponta que a Caixa e o BTG Pactual ainda devem comprar R$ 14 bilhões em títulos e carteiras de crédito do banco para que ele possa funcionar em condições competitivas. A Caixa se comprometeu sozinha a colocar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões no PanAmericano.

Por Toni Sciarretta

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