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Comunicação clara evita conflitos com chefe estrangeiro

Comunicação clara evita conflitos com chefe estrangeiro

Atualizado: Sexta-feira, 3 Setembro de 2010 as 10:43

Com a economia em expansão e o otimismo no ar, o Brasil tem atraído muitas empresas e profissionais do exterior, o que aumenta significativamente as chances de deparar com um chefe estrangeiro. “No mundo global, cada vez mais vamos interagir com pessoas de outros países”, afirma Marcelo Cuellar, gerente da divisão de RH da consultoria Michael Page.

Além do idioma, as diferenças culturais podem representar desafios para os quais o profissional deve estar preparado. Uma das questões mais delicadas diz respeito à afetividade do brasileiro. “Em geral os estrangeiros são mais diretos e sinceros, o que em algumas situações pode soar agressivo”, afirma Cuellar.

Ele explica que o brasileiro tende a usar eufemismos em muitas situações. “Quando não está satisfeito com o resultado de um trabalho, o brasileiro, normalmente, diz que aquilo pode ser melhorado e pede para o profissional refazer. Já o chefe estrangeiro provavelmente vai dizer sem rodeios que não gostou”, diz.

Entender essa característica dos profissionais de outros países é muito importante para não encarar as críticas do chefe como algo pessoal. “Eles são muito objetivos, inclusive fazendo uso de respostas curtas”, diz Cuellar.

Língua não é maior obstáculo

O diretor de Recursos Humanos da Bristol-Mayers Squibb encara esse desafio. Com a mudança do presidente no final do ano e a chegada de um executivo inglês para assumir o cargo, ele vivencia de perto a questão da adaptação tanto do líder quanto dos profissionais. “A palavra chave é comunicação. As pessoas devem se esforçar para entender o que o chefe está falando e sempre checar se compreenderam bem a mensagem”, afirma.

Na opinião dele, os fatores comportamentais são mais críticos do que a questão da língua. Mas, em alguns casos o idioma pode levar a situações curiosas. “Meu chefe é francês e está há quatro anos no Brasil, mas quando usamos algumas gírias ou ditados nem sempre ele entende”, conta a publicitária Cristina Omura. Ela cita como exemplo uma ocasião em que a equipe afirmou que algo era mais velho do que andar para frente e o executivo não entendeu a expressão. “Ele é extremamente aberto, então acabamos nos divertindo com essas situações”, diz Cristina.

Conhecer a cultura ajuda na adaptação

Para evitar mal entendidos, Marcelo Cuellar, da Michael Page, aconselha uma conversa clara. Assim chefe e equipe podem alinhar as expectativas. Além disso, é essencial que o funcionário conheça um pouco sobre a cultura do líder para que possa compreender determinadas demandas. “Em alguns países, o foco é em resultados e o profissional é cobrado periodicamente por isso. Em outros, destaca-se o planejamento e o uso de relatórios é mais comum”, afirma. “É importante entender essas diferenças.”

Cristina já está acostumada a algumas características de seu chefe e afirma que enquanto os brasileiros são mais informais, os europeus são mais processuais. “É uma experiência muito positiva essa troca, pois me permite entender melhor outras culturas e enxergar outras formas de pensar”, afirma, destacando que já aprendeu algumas palavras em francês.

Por uma boa convivência

Algumas dicas ajudam a estabelecer um relacionamento mais amigável com o chefe de outra nacionalidade.

• Fique atento à comunicação. Evite abreviações e gírias e sempre confirme se a mensagem foi bem compreendida

• Evite usar expressões como abraços ou beijos nos e-mails, em alguns países isso pode ser visto como assédio.

• Tente conhecer as principais características da cultura do chefe. Isso ajuda a entender melhor determinadas demandas e comportamentos.

• Não encare as críticas como algo pessoal. Estrangeiros tendem a ser muito diretos nos feedbacks

Postado por: Thatiane de Souza

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