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Consumidores não desanimam com aumento sobre IOF e vão às lojas

Consumidores não desanimam com aumento sobre IOF e vão às lojas

Atualizado: Segunda-feira, 11 Abril de 2011 as 8:27

O governo quer diminuir o ritmo do consumo, conter a inflação e aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), deixando o crédito mais caro. Mas, no primeiro fim de semana depois da medida, o brasileiro não desanimou e foi às compras, principalmente às concessionárias.

Pela reação dos consumidores nesse fim de semana, a estratégia do governo pode não dar muito certo. Vários fizeram as contas, e os economistas também. O resultado foi o mesmo: o valor da prestação não vai aumentar muito com o novo IOF. Assim, quem não pode comprar à vista vai continuar financiando. O ideal, dentro do possível, seria dividir a compra num número menor de parcelas.

A publicitária Liandra Matos já sabe o que quer comprar e como pagar. “Para a televisão é muito mais caro. Vai ter de parcelar, não tem jeito”, comentou.

O imposto cobrado em operações como empréstimos pessoais subiu de 1,5% para 3% ao ano. As prestações vão ficar mais caras. Para o Conselho Regional de Economia, o aumento não é suficiente para mudar o comportamento do consumidor.

“O aumento do imposto vai ter um impacto pequeno sobre o custo das compras e dos consumidores. Em consequência, o consumidor certamente vai continuar comprando”, prevê José Sérgio Pagnussat, representante do Conselho Regional de Economia.

Tem gente que não está nem preocupada. “Você vê o tamanho da parcela que dá para pagar no mês”, diz uma jovem. “A diferença é pequenininha, não tem jeito de pagar à vista e aí acaba comprando”, conta a analista de sistemas Catarina Borba.

O governo, no entanto, acha que vai fazer diferença e terá um impacto no consumo. Espera que os brasileiros parem de gastar tanto porque, quando a economia fica acelerada demais, o resultado é a inflação.

Nas operações com cartão de crédito, o IOF só é cobrado pelos bancos quando o cliente não quita todo o saldo devedor. O militar Adauto Pereira já sabe o que fazer. “No meu caso particularmente, eu me reeduquei a usar e a pagar a fatura total. Para mim, continua sendo um bom negócio”, acredita.

O economista Rogério Boueri recomenda: para não perder dinheiro, o melhor é diminuir o número de parcelas. “Quanto mais tempo você ficar preso à dívida, mais IOF você vai pagar. Vai dobrar o IOF sobre a dívida e isso vai ter algum impacto, especialmente no mercado de automóveis e no mercado de bens de consumo duráveis”, orienta.

Como fica para pagar em 60 vezes um carro popular de R$ 30 mil, com juros de 1,8% ao mês? Ao longo de cinco anos, dá uma diferença de mais de R$ 700 no valor total do financiamento. Concessionárias estão lotadas, mas muitos clientes agora negociam para se livrar do financiamento o quanto antes.

“Um parcelamento razoável, de um ou dois anos, me parece que não vai afetar muito o orçamento familiar. Facilita o crédito e a aquisição de bens. No final, acho que todo mundo fica feliz”, comenta o funcionário público Mauro Ribeiro.

O impacto do novo imposto pode ser insignificante no valor das prestações. Em compensação, vai ser ótimo para os cofres do governo, que vai arrecadar mais.

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