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Copom começa reunião hoje e deve encerrar ciclo de aumento de juros

Copom começa reunião hoje e deve encerrar ciclo de aumento de juros

Atualizado: Terça-feira, 19 Abril de 2011 as 8:46

Começa nesta terça-feira (19) a reunião do grupo de diretores do BC (Banco Central) que formam o Copom (Comitê de Política Monetária). Eles irão definir o valor da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 11,75% ao ano. A Selic é utilizada como referência para o custo dos empréstimos aos consumidores e empresas.

De acordo com o último boletim Focus, uma pesquisa semanal feita pelo BC com analistas de bancos e corretoras, a expectativa é de que o Copom aumente a taxa Selic para 12,25% ao ano. Caso se confirme a previsão, será o terceiro reajuste consecutivo de 0,5 ponto percentual.

O tom dado pela equipe do Banco Central, no entanto, dá mostras de que essa pode ser a última elevação da taxa de juros de um ciclo que começou em janeiro. A ideia seria observar a reação da atividade econômica e da inflação às medidas tomadas durante os últimos meses, em especial o aperto nos juros e na restrição ao crédito.

Em documentos internos, o BC atribui a inflação não apenas à alta no consumo, mas também ao aumento dos preços das commodities, que são produtos básicos como minério de ferro e até mesmo o açúcar e que têm seus preços estipulados pelo mercado internacional.

Em março, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), utilizado como medidor oficial da inflação pelo governo, bateu em 0,79% e, no ano, acumula alta de 2,43%. O problema é que com esse resultado, a inflação atingiu 6,2% nos últimos 12 meses.

Como a meta do governo é de 4,5%, com uma margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, a inflação continua assustando não só a equipe econômica como a população, que perde seu poder de compra. Os analistas consultados no Focus acreditam até mesmo em uma piora nesse cenário.

De acordo com a pesquisa, a expectativa para a inflação oficial neste ano subiu de 6,26% para 6,29%, em um patamar ainda mais distante do centro da meta de inflação. No caso da inflação de curto prazo, o mercado elevou de 0,63% para 0,70% a previsão para o IPCA de abril de 2011.

O economista Octavio de Barros, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco, analisou em documento distribuído a clientes do banco que é possível que o BC reajuste a Selic em apenas 0,25 ponto percentual.

O motivo dado pela equipe do banco seria que “os custos de combater os efeitos primários desses choques são elevados em termos de atividade econômica e, diante da flexibilidade existente no regime de metas de inflação, é possível buscar a convergência para a meta em um período mais prolongado”.

Em outras palavras, o economista afirma que o governo aplicou doses muito grandes do remédio contra a inflação, que é a taxa Selic. Como nem sempre é possível verificar o resultado desse “tratamento” em um período curto de tempo, o BC pode esperar um pouco mais para tentar domar a inflação até o final do ano.

Copom

A reunião do Copom é dividida em duas sessões. Na primeira, que ocorre nesta terça-feira, os chefes de departamento do BC e o gerente-executivo de Relações com Investidores apresentam análises sobre a inflação, nível de atividade econômica do país e evolução do mercado financeiro.

Na segunda sessão, nesta quarta-feira (20), participam só o presidente e diretores do BC, todos com direito a voto, além do chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep), sem voto. Os diretores de Política Monetária e de Política Econômica analisam as projeções para a inflação e fazem recomendações para a taxa de juros de curto prazo, em seguida todos os diretores se manifestam e apresentam eventuais propostas alternativas.

Criado em junho de 1996, o Copom tem o objetivo de estabelecer as diretrizes de política monetária e de definir a taxa de juros, nos mesmos moldes do Fed (Federal Reserve, o BC americano).

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