MENU

Credores da Daslu decidem hoje destino de butique de luxo

Credores da Daslu decidem hoje destino de butique de luxo

Atualizado: Quinta-feira, 24 Fevereiro de 2011 as 9:49

Os credores da Daslu, maior butique de luxo do país, vão decidir nesta quinta-feira o futuro da loja. A megabutique, alvo de operação da Polícia Federal, pode passar das mãos da empresária Eliana Tranchesi para um novo investidor.

A partir das 10h, cerca de 200 credores vão avaliar em assembleia se aprovam ou não o plano de recuperação judicial, apresentado em julho do ano passado à Justiça, para renegociar dívidas da loja de R$ 80 milhões. É uma tentativa de evitar a falência da loja.

A recuperação judicial é um mecanismo de proteção contra a execução de dívidas que substituiu a concordata após 2004.

A maior resistência ao plano de recuperação, segundo a Folha apurou, deve vir do banco HSBC, a quem a Daslu deve cerca de um terço dos R$ 80 milhões. Isso porque o plano prevê desconto de 60% no valor dos débitos com bancos e fornecedores. O restante pode ser pago em seis anos.

O plano prevê a criação de uma nova empresa, a SPE UPI (Unidade Produtiva Isolada), que será dona da marca Daslu e de uma das lojas. É essa unidade que pode ser adquirida por um novo investidor -- caso metade dos credores aprovem hoje o plano. Esse novo controlador assumirá as dívidas da loja com bancos, fornecedores e funcionários.

Desde o ano passado, três ou quatro interessados mantiveram contato com a loja para fazer uma proposta de aquisição. Mas até ontem à noite, a informação era que apenas um investidor havia entregado proposta formal na 1ª Vara de Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo.

O prazo para entregar à Justiça envelope lacrado com a proposta de aquisição da nova empresa terminou na sexta-feira passada.

PROPOSTA NA MESA

Fontes ligadas à negociação informaram que o interessado na aquisição da Daslu seria o empresário Marcus Elias, dono do Laep Investments, fundo que também comprou a Parmalat durante o processo de recuperação judicial da empresa. A Folha não localizou ontem o empresário para comentar o assunto.

Apesar de saber da resistência de parte dos credores e do banco HSBC, a Tranchesi relatou ontem a amigos que estava "otimista" com a aprovação do plano. É que ele foi articulado com alguns dos principais credores da loja. Isso porque eles preferem receber seus créditos em vez de "assistirem a quebra da empresa', segundo um deles relatou.

Se a assembleia rejeitar a proposta de reestruturação da Daslu, nova assembleia deverá ser marcada em março.

OS NEGÓCIOS

A Daslu tem duas lojas em São Paulo e tem planos de expansão para outros Estados. Uma é o complexo Villa Daslu, com 4.800 metros quadrados (boa parte já desativada desde o ano passado). O centro é administrado há cerca de um ano pelo Grupo Iguatemi. A outra loja é no shopping Cidade Jardim, controlado pela JHSF.

A loja passa por dificuldades desde 2005, quando foi alvo da operação Narciso, realizada por Receita, Ministério Público e Polícia Federal. Tranchesi foi presa e condenada a 94 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos.

As dívidas da Daslu com o fisco paulista somavam cerca de R$ 500 milhões (incluindo multas por sonegação de ICMS), segundo advogados. Parte desse total (R$ 60 milhões) foi paga quando a Daslu aderiu ao programa de parcelamento do fisco. Com a Receita Federal, estima-se que as multas por sonegação somem R$ 400 milhões. Esses valores foram atualizados até julho de 2010.

FUTURO

Ao deixar a Villa Daslu, Tranchesi se dedicará a loja que deve ancorar o novo shopping JK Iguatemi, empreendimento que pertence à família Jereissati. A informação foi antecipada pela Folha em maio do ano passado.

Localizado na marginal Pinheiros, na esquina com a avenida Juscelino Kubitschek, o JK Iguatemi terá torres com escritórios e hotel, além de lojas de marcas estrangeiras e grifes brasileiras. O Iguatemi e a WTorre, que é dona do prédio de mais de 7.000 metros quadrados onde a Daslu funciona desde 2005, são sócios no novo projeto.

A Folha tentou conversar com a empresária ontem, mas sua assessoria informou que ela não iria se pronunciar.

Por Clauia Rolli

veja também