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Dados confirmam queda generalizada nas economias da Europa

Dados confirmam queda generalizada nas economias da Europa

Atualizado: Sexta-feira, 15 Maio de 2009 as 12

Alemanha, Reino Unido e França encabeçam a lista dos países mais ricos da Europa, mas isso não os deixa imunes aos efeitos da crise econômica mundial. Números do primeiro trimestre de 2009 mostram que a desaceleração atingiu em cheio o continente e derrubou praticamente todas as economias da região, jogando a maioria delas em recessão (ou perto disso).

Dados sobre os primeiros três meses deste ano mostram que a economia alemã, a mais desenvolvida da região e quarta maior do mundo, sofreu nos três primeiros meses deste ano a maior contração em quase 40 anos.

O PIB (Produto Interno Bruto) alemão caiu 3,8% entre janeiro e março na comparação com o último trimestre do ano. Em recessão técnica (termo usado quando o PIB tem seis meses seguidos de queda) desde o terceiro trimestre do ano passado, a Alemanha viu suas exportações, a base de sua economia, minguarem.

A queda foi pior do que os 3,2% previstos e "a maior contração desde o cálculo e publicação de estatísticas trimestrais em 1970", disse o instituto de estatísticas alemão nesta sexta-feira.

A França entrou oficialmente em recessão, segundo o Instituto Nacional de Estatística (Insee). A economia francesa caiu 1,2% no primeiro trimestre, o que já era esperado pelo governo, puxada pelas perdas no setor automotivo e nas exportações.

O Reino Unido viu sua economia recuar 1,9% nos três primeiros meses do ano, maior recuo desde 1979. Trata-se da primeira vez que o PIB do Reino Unido cai acima de 1% por dois trimestres consecutivos desde que os dados começaram a ser coletados, em 1948.

Segundo o ONS (Escritório Nacional de Estatística, na sigla em inglês), o período de janeiro a março deste ano marcou também o terceiro trimestre consecutivo de contração do PIB britânico, que já havia retrocedido 0,7% no terceiro trimestre do ano passado.

"Pior momento"

A situação não é muito diferente do registrado em outras nações do bloco. A economia holandesa apresentou contração de 2,8% nos três primeiros meses de 2009, uma queda de 4,5% em comparação ao ano passado.

Já a Espanha marcou uma contração de 1,8% do PIB em relação aos três últimos meses de 2008. Portugal, República Tcheca, Finlândia e Hungria também tiveram quedas sem precedentes em suas economias.

Para economistas ouvidos pela agência de notícias Reuters, o primeiro trimstre de 2009 é o pior momento desta crise econômica. "Os recentes dados sobre o PIB [dos países europeus] mostram que a 'grande recessão' está em curso", afirmou Alexander Koch, economista do banco UniCredit.

As avaliações são de que as economias chegaram ao fundo da crise, considerada a pior desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45). "Estamos em algum lugar perto do pico das taxas de desemprego [na Europa] e podemos dizer, com certeza, que o primeiro trimestre foi o pior momento da recessão em termos de quedas."

Desemprego

Segundo a Eurostat, a agência europeia de estatísticas, mais de 20,1 milhões de pessoas estavam desempregadas em toda a União Europeia, quatro milhões de pessoas a mais que em 2008. Na zona do euro, são 14,1 milhões de desocupados.

A zona do euro como um todo, formada pelos 16 países que utilizam a moeda única, registrou um recuo de 2,5% de seu PIB em relação ao trimestre anterior, uma queda sem precedente e superior à dos Estados Unidos.

O PIB já havia recuado 0,2% tanto no segundo quanto no terceiro trimestre em 2008 e 1,6% no quarto trimestre do ano passado. Esta é a queda mais acentuada do PIB da zona euro em um trimestre desde à criação de estatísticas para esta zona, em 1995, destacou o escritório europeu de estatísticas, Eurostat.

Mas a recessão se aprofundou no início de 2009, com o comércio global caindo de maneira acentuada, com os exportadores como a Alemanha, maior economia europeia, profundamente atingidas.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) informou, no relatório "World Economic Outlook" ("Panorama Econômico Mundial", em tradução livre), que o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro registrará contração de 4,2% em 2009 e de 0,4% em 2010.

A zona do euro é formada por Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta e Portugal. A União Europeia inclui, além destes, Bulgária, Dinamarca, Reino Unido, República Tcheca, Suécia, Polônia, Hungria, Romênia, Estônia, Lituânia e Letônia.

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