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Dados da economia grega fazem bolsas da Europa cair

Dados da economia grega fazem bolsas da Europa cair

Atualizado: Segunda-feira, 3 Outubro de 2011 as 10:51

Os índices divulgados sobre a economia grega derrubaram as bolsas europeias no pregão desta segunda-feira (3).

Perto das 9h30 (horário de Brasília), Frankfurt operava em baixa de 2,25% e Londres tinha queda de 1,23%. Madri recuava 2,03%, Milão caía 1,13% e Paris cedia 1,99%.

Os investidores temem cada vez mais o risco de contágio da crise graga no restante das economias do bloco europeu. O gabinete de governo da Grécia aprovou neste domingo (2) o orçamento do país para 2012 e afirmou que não será possível cumprir as metas de déficit determinadas no plano de resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) neste ano e no próximo. Isso pode resultar na procura do país por mais empréstimos dos credores internacionais

 Segundo o ministro das Finanças grego, o orçamento será enviado ao Parlamento nesta segunda-feira (3), dia de grande expectativa para o mercado.O projeto indica que a dívida pública grega será em 2012 de 172,7% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, o equivalente a 381,2 bilhões de euros, e que a contração da economia será de 5,5% do PIB em 2011.

Como informou nesta segunda-feira o Ministério de Finanças grego, os orçamentos serão discutidos nos próximos dias na Comissão Permanente de Assuntos Financeiros e votados depois pela assembleia plenária até o final do mês.

Os orçamentos contemplam medidas adicionais de austeridade para os anos 2011 e 2012 de 7,110 bilhões de euros, dos quais 2,110 bilhões de euros serão arrecadados no restante do período atual.

O buraco orçamentário deste ano é de 4,3 bilhões de euros, o que equivale a 2% do PIB.

O país acredita que o déficit orçamentário de 2011 ficará em 8,5% do PIB neste ano, sem atingir a meta de 7,6%, segundo os documentos aprovados. Em 2012, a expectativa é que o déficit chegue a 6,8%, ainda acima da meta de 6,5%.

Resgate

Ainda sem a liberação da parcela de 8 bilhões de euros (R$ 20 bilhões) da ajuda da União Europeia, a endividada Grécia pode ficar sem fundos para honrar suas contas nas próximas semanas.

Negociações entre o FMI, a UE e o Banco Central Europeu (BCE), conhecidos como "Troika", estão ocorrendo para solucionar o orçamento grego e reformas desde quinta-feira (29).

O fracasso de atingir a meta do deficit em 2011 significa que a Grécia precisaria de quase 2 bilhões a mais de euros só para financiar suas despesas no ano. Também quer dizer que o aumento emergencial dos impostos e cortes salariais anunciados nos últimos dois meses para atingir a meta não funcionaram.

"O círculo vicioso continua para o governo”, disse Yanni Varoufakis, professor de economia da Universidade de Atenas. “Temos receitas decepcionantes, metas descumpridas e isso vai trabalhar novas medidas e nova austeridade”, afirmou.

Demissões

Para convencer a Troika a liberar a próxima parcela de empréstimos, a Grécia prometeu aumentar impostos, cortar salários de funcionários públicos e acelerar os planos de reduzir o número de trabalhadores do setor público em 20% até 2015.

A medida cria uma “reserva de trabalho”, permitindo que 30 mil funcionários tenham seu salário reduzido para 60% do valor total e sejam demitidos após um ano.

A decisão cria um campo minado legal e político no país, já que os empregos governamentais estão explicitamente protegidos pela constituição grega.

Na segunda-feira (3), os ministros de finanças da zona do euro devem discutir a Grécia em uma reunião em Bruxelas, mas aguardam o relatório dos inspetores da Troika antes de tomar novas decisões.

A expectativa é que os inspetores dêem luz verde para a liberação da próxima parcela de 8 bilhões de euros (10,7 bilhões de dólares) de ajuda à Grécia, para evitar que a zona do euro afunde ainda mais em incertezas.

Se os inspetores concluírem que a recessão grega continuará sendo pior do que o esperado, os governos da União Europeia já sugeriram que os bancos credores - que concordaram rever 21% do valor da dívida da Grécia em julho - talvez sejam forçados a assumir mais esforços.            

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