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"Dinossauros" substituem boias-frias no Rio de Janeiro

"Dinossauros" substituem boias-frias no Rio de Janeiro

Atualizado: Terça-feira, 3 Abril de 2012 as 9:23

Ailton Santos dorme há vinte e cinco minutos sob a sombra de um ônibus. A sensação térmica, agravada pela ausência total de ventos, beira os cinquenta graus.

O sol indica que passa um pouco de meio-dia. No canavial da fazenda Boa Vista, em Campos dos Goytacazes, norte fluminense, não há outra sombra que não seja aquela.

O homem de 43 anos, que aparenta pelo menos uma década a mais, desperta com o barulho da máquina fotográfica. Perguntado sobre o que estava sonhando, Ailton se apresenta e diz: “Aqui a gente não sonha, não.

É só pesadelo mesmo”.

Um dos pesadelos atuais de quem se sustenta diretamente do trabalho nos canaviais no Rio de Janeiro é a chegada de uma máquina apelidada de “dinossauro” (por ser imensa, com mais de dez metros de altura) ou, no nome técnico, colheitadeira mecânica. O artigo 27 da Lei 4.771/65 do Código Florestal obriga o fim das queimadas “nas florestas e demais formas de vegetação”, mas não é clara em relação ao fim da prática em atividades “agropastoris”. Cada estado tem adotado medidas para se adequar.

A lei estadual 5.990/11-RJ prevê uma redução gradativa das queimadas até 2020, quando deve ser extinto o uso completo do fogo. Sem queimadas, a colheita em grande escala só é possível com uso de máquinas.

É aí que o pesadelo de Ailton Santos fica maior porque os ruralistas estão sendo obrigados a investir em colheitadeiras modernas. Uma das mais antigas atividades agrícolas do País corre o risco de desaparecer em alguns anos em todo o território nacional. Mas no Estado do Rio ainda há cerca de dez mil pessoas vivendo da produção de cana, segundo cálculos do Sindicato Rural do Norte Fluminense.

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