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Disparidades e semelhanças nos gastos de ricos e pobres

Disparidades e semelhanças nos gastos de ricos e pobres

Atualizado: Quarta-feira, 1 Dezembro de 2010 as 3:13

Até que ponto ricos e pobres se parecem na hora de gastar sua renda? E quais as maiores diferenças no orçamento? O iG levantou algumas disparidades e afinidades entre os dois extremos da pirâmide social a partir do estudo “Evolução das Despesas com Habitação e Transporte Público nas Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF): análise preliminar – 2002-2009", do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Pegar ônibus tem frequência parecida entre os 5% mais ricos e os 25% mais pobres – as faixas de renda nos extremos da pirâmide social analisadas pelo Ipea. Cerca de 23% dos mais pobres relatam gastar com ônibus, enquanto 28% dos mais ricos dizem o mesmo. O gasto com o meio de transporte, entretanto, é muito mais pesado na renda dos mais pobres e representam 8,7% de todo o seu orçamento. Já no caso dos mais ricos, o valor despendido com ônibus é pífio: 0,7%.

Se por um lado o ônibus é o meio de transporte comum entre as variadas classes de renda, o mesmo não acontece com a maioria dos demais meios de transporte público. Os mais ricos usufruem mais de táxi e metrô, enquanto as parcelas menos favorecidas se locomovem por meio transportes alternativos, como vans, kombis e moto-táxi.

Entre os maiores contrastes, a participação no orçamento de despesas com condomínio e aquisição de imóveis. Apenas 0,9% dos mais pobres pagam o taxas de condomínio, enquanto entre os mais ricos a freqüência dispara para 42,3%. Já a compra de imóveis foi realizada por apenas 1,5% dos mais pobres, e por 16,8% dos mais favorecidos.

Por outro lado, a despesa para comprar um imóvel entre os pobres (36,4% da renda) pesa menos em seu orçamento do que a mesmo gasto entre os mais ricos (49,5%).

Já na hora de pagar pela água e pelo aluguel, ricos e pobres se parecem mais na pesquisa. Cerca de 54% da faixa de renda que inclui os menos abastados pagam pelo produto. O percentual entre os que estão no topo da pirâmide chega a 58%. No caso dos aluguéis, 18,3% dos pobres possuem a mesma despesa. O percentual é de 14,6% no topo das faixas de renda. Mas o peso muito maior do gasto com aluguel é um ponto classificado como “problemático” pelo Ipea:

“A frequência dos pagantes de aluguel se manteve estável entre os estratos de renda, variando de 14,6% a 18,5% das famílias entre os estratos de renda familiar. Porém, o mais problemático foi a participação da despesa do aluguel na renda familiar”. Entre os 25% mais pobres, houve frequência de 18,3% dos que pagavam aluguel e destes, a mediana da participação da despesa na renda foi de 20,4%. Já entre os 5% mais ricos, a frequência fora de 14,3%, mas a mediana da despesa com aluguel sobre a renda foi de apenas 4,9%”, assinala o estudo.    

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