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Documento detalha planos para 500 mil demitidos em Cuba, diz agência

Documento detalha planos para 500 mil demitidos em Cuba, diz agência

Atualizado: Quarta-feira, 15 Setembro de 2010 as 2:36

O governo de Cuba detalhou nesta terça-feira (14) o que os cerca de 500 mil funcionários públicos que devem ser demitidos até o primeiro trimestre de 2011 devem fazer para se sustentar. Entre as sugestões, estão criar coelhos, pintar prédio, fabricar tijolos, coletar lixo e pilotar balsas na Baia de Havana.

As autoridades advertiram, no entanto, que muitos dos novos empreendedores podem ver suas novas empreitadas falharem em um prazo de um ano.

Os planos, assim como um cronograma sobre que setores sofrerão os cortes primeiros, estão em um documento interno do Partido Comunista, obtido nesta terça-feira (14) pela Associated Press. Na véspera, Cuba anunciou planos para cortar cerca de 500 mil trabalhadores públicos até março de 2011, ao mesmo tempo os ajudando a encontrar ocupação no setor público.

Trata-se das reformas mais contundentes desde que Raúl Castro assumiu o governo em 2008, no lugar de seu irmão Fidel.

O documento diz que trabalhadores dos ministérios do Açúcar, da Saúde Pública, do Turismo e da Agricultura serão demitidos primeiro -e que algumas das demissões já começaram a ser feitas em julho.

Os cortes vão terminar na Aviação Civil e nos ministérios de Relações Exteriores e de Serviços Sociais.
Muitos dos demitidos vão ser estimulados a formar cooperativas privadas. Outros serão encaixados em empregos em empresas multinacionais e joint ventures. Outros terão de criar suas próprias pequenas empresas, principalmente nas áreas de transporte e moradia.

O documento de 26 páginas é datado de 24 de agosto.

Muitos dos empregos sugeridos já são feitos atualmente por cubanos que trabalham no mercado negro e que não recolhem impostos.

O documento se refere a um novo sistema de impostos que será "mais personalizado e rigoroso".
Atualmente, o estado emprega 95% da força de trabalho oficial em Cuba, o equivalente a 5,1 milhões de pessoas. A iniciativa privada tem 143 mil empregados.

O documento adverte que um dos grandes desafios do país vai ser o fato de que muitos dos novos negócios não irão adiante porque muitos dos demitidos não terão experiência, capacidade ou iniciativa para trabalhar por si sós.

As radicais mudanças foram precedidas de advertências de Raúl Castro de que o estado não tinha mais capacidade de funcionar da maneira como estava. Em abril, ele insinuou que até um milhão de empregados eram supérfluos e deveriam ser demitidos. 

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