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Economia dos EUA registra contração de 6,1% no 1º trimestre de 2009

Economia dos EUA registra contração de 6,1% no 1º trimestre de 2009

Atualizado: Quarta-feira, 29 Abril de 2009 as 12

A economia dos Estados Unidos sofreu uma contração de 6,1% no primeiro trimestre deste ano (dado anualizado), segundo a prévia divulgada nesta quarta-feira, 29 de abril. O dado se segue a uma contração de 6,3% no quarto trimestre do ano passado e indica que reverter a recessão em que o país se encontra desde dezembro de 2007 ainda levará tempo.

O número ficou muito abaixo do esperado pelos analistas, que previam uma retração de 4,7%. O governo informou que a estimativa é baseada em dados que ainda são incompletos ou estão sujeitos a revisão. A próxima leitura, baseada em dados mais completos, será divulgada no dia 29 de maio.

"A queda no PIB [Produto Interno Bruto] no primeiro trimestre refletiu as contribuições negativas das exportações, dos investimentos privados em estoques, equipamentos e software, infraestrutura fora do setor residencial e dos investimentos fixos no setor residencial", diz o comunicado do governo. Os gastos dos consumidores americanos cresceram 2,2%, uma recuperação acentuada quando comparada com a queda de 4,3% vista no quarto trimestre do ano passado.

Segundo o documento, os gastos dos americanos com consumo tiveram uma contribuição positiva. As importações, por sua vez, tiveram queda.

A queda na produção de veículos contribuiu com uma queda de 1,36 p.p. (ponto percentual) no trimestre passado, após tirar 2,01 p.p. no resultado do quarto trimestre do ano passado. Já as vendas de computadores contribuíram com um ligeiro acréscimo de 0,05 p.p. (no último trimestre de 2008 esse item tirou 0,02 p.p. do PIB).

O índice de preços atrelado à leitura do PIB teve uma queda de 1%, após uma queda de 3,9% no quarto trimestre de 2008. O núcleo do índice (que exclui os preços de alimentos e energia) mostrou alta de 1,4%, contra elevação de 1,2% um trimestre antes.

Indicadores

Outros indicadores também vêm destacando a fraqueza da economia americana. Em março o país perdeu 663 mil postos de trabalho, e a taxa de desemprego subiu para 8,5%, maior desde novembro de 1983. Em um corte mais detalhado, o mostrou que desemprego aumentou em 46 Estados em março em relação a fevereiro, com destaque para Michigan (centro-norte do país), onde a taxa chegou a 12,6%.

O número de pessoas que recebem seguro-desemprego no país há pelo menos duas semanas, por sua vez, atingiu a marca recorde de 6,14 milhões, mais que o dobro do nível de um ano antes.

A produção industrial americana também evidencia o declínio da economia: em março houve uma queda de 1,5%, ao menor nível desde dezembro de 1998; no primeiro trimestre a queda foi de 20% (taxa anualizada), a maior para um trimestre desde o início da recessão -em dezembro de 2007.

Expectativas

As expectativas do governo apontam para direções diferentes. O presidente do Fed de Dallas (uma das 12 divisões regionais do Fed, o BC americano), Richard Fisher, disse no dia 1º deste mês que a economia dos EUA terá desempenho negativo neste ano e só voltará a crescer, em ritmo gradual, a partir de 2010. Ele previu então que o primeiro trimestre seria tão ruim, ou mesmo ligeiramente pior, que o quarto trimestre do ano passado.

No último dia 14, no entanto, o presidente americano, Barack Obama, lembrou que 2009 "continuará a ser um ano difícil" apesar das medidas adotadas pelo governo contra a recessão, mas avaliou que essas mesmas medidas "estão começando a gerar sinais de progresso econômico".

Ele destacou o pacote de estímulo à economia, de US$ 787 bilhões - aprovado em fevereiro -, o pacote de ajuda para o setor imobiliário --que prevê um montante de US$ 75 bilhões para financiar entre 3 milhões e 4 milhões de proprietários -, o pacote de ajuda aos bancos --que prevê US$ 500 bilhões para retirar dos balanços dos bancos papéis "podres" (com alto risco de calote, como títulos lastreados em hipotecas e outros empréstimos) -, as ajudas a montadoras e a instituições financeiras fora do setor bancário.

Para o instituto privado de pesquisa Conference Board, apesar da expectativa de uma retomada no crescimento ainda nesta ano, há chances de que os estados Unidos enfrentem outra recessão em 2010 decorrente da facilitação do crédito e do temor da inflação causada pelo enfraquecimento do dólar.

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