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Economista prega protecionismo para desenvolvimento de países pobres

Economista prega protecionismo para desenvolvimento de países pobres

Atualizado: Terça-feira, 13 Janeiro de 2009 as 12

Economista prega protecionismo para desenvolvimento de países pobres

O economista sul-coreano Ha-Joon Chang, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, disse na última segunda-feira, dia 12 de janeiro, que o protecionismo de países em desenvolvimento é a forma mais eficaz dessas nações ganharem mercado e equilibrarem as forças em instâncias que determinam o rumo da economia global.

Para Ha-Joon Chang, o fechamento das fronteiras para os importados é uma das causas do desenvolvimento de países como Estados Unidos e Inglaterra. Segundo ele, é com o protecionismo que Brasil e outras nações latino-americanas podem se desenvolver de forma sustentável.

Chang participou hoje das primeiras palestras do Programa Avançado Latino-Americano para o Repensamento do Macro-desenvolvimento da Econômico (Laporde, na sigla em inglês), que está sendo realizado na sede da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo.

Durante o evento, o economista lançou edição traduzida de seu livro Maus Samaritanos: O mito do livre comércio e a historia secreta do capitalismo..

Na obra, Chang resgata a história do capitalismo mundial e demonstra como países que romperam com a teoria do livre-comércio alcançaram maior êxito econômico. Os países orientais, como o Japão, são alguns dos exemplos citados por ele no livro.

Segundo Chang, em 1958, o Japão resolveu investir na produção de automóveis para exportação. Contudo, na época, os carros japoneses eram reconhecidos no restante do mundo pela sua má qualidade e estética ultrapassada.

Mesmo com as dificuldades para ingressar no mercado internacional, o Japão persistiu investindo na sua indústria e apostou no consumo doméstico. Fechou as portas para os carros estrangeiros e, em 50 anos, tornou-se referência para a indústria automobilística.

"Instituições, como o Banco Mundial, alertaram o governo japonês sobre a quebra da indústria do país. O Japão continuou investindo. Hoje, todo mundo quer produzir um carro como os produzidos no Japão", disse.De acordo com o sul-coreano, países que recomendam a abertura do comércio de outras nações o fazem, justamente, por terem condições privilegiadas para competir com a indústria local."Os ricos pregam que o desenvolvimento é efeito do mercado. Mas não querem mostrar que o desenvolvimento deles foi causado pelo mercado, pelo protecionismo e pela regulação. São os maus samaritanos", afirmou Chang.

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