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Em Davos, Europa e EUA mostram posturas distintas para vencer a crise

Em Davos, Europa e EUA mostram posturas distintas para vencer a crise

Atualizado: Sábado, 29 Janeiro de 2011 as 10:38

Esta sexta-feira (28) trouxe à tona, em Davos, na Suíça, onde ocorre o Fórum Econômico Mundial, a diferença de postura entre Europa e Estados Unidos com relação à crise econômica global. Europa e EUA apresentaram diferentes prioridades em suas estratégias políticas e econômicas para não frear seus respectivos crescimentos, ainda acompanhados de incertezas.

Enquanto a Europa parece estar unida no objetivo de reduzir o elevado endividamento público, que fez com que os mercados penalizassem a dívida soberana dos países periféricos, os EUA apostam em impulsionar seu atual crescimento sem reduzir a despesa.

A chanceler alemã, Angela Merkel, saiu em defesa do euro e, ao contrário do que fez no ano passado, quando a União Europeia (UE) precisou resgatar a Grécia, mostrou a disposição da Alemanha de se solidarizar com os países que atravessam dificuldades, mas com condições.

Merkel rejeitou a ideia de que exista uma crise do euro, mas reconheceu que a zona do euro atravessa uma crise de endividamento. Em seu discurso no Fórum Econômico de Davos, Merkel disse que "se o euro fracassar, fracassa a Europa".

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, também disse que a prioridade econômica da União Europeia (UE) é "acabar com o fantasma das maciças dívidas soberanas" e impulsionar o crescimento econômico.

Cameron quis dar uma mensagem de otimismo e confiança para a economia europeia contra o atual pessimismo dos mercados financeiros e as críticas dos céticos. "A dívida governamental média na UE é de quase 80% do Produto Interno Bruto (PIB)", lembrou Cameron.

"Uma economia que não se baseie no consumo e na dívida, mas na economia e no investimento; que não se baseie no gasto público, mas no dinamismo empresarial; que não se baseie em uma indústria em um cantinho do país, mas em todos os nossos negócios, em todas as nossas regiões com um nova ênfase nas indústrias, exportações e comércio", é a receita econômica proposta por Cameron para o Reino Unido.

Acrescentou que "conseguir isto não vai ser fácil" e que a recuperação econômica do Reino Unido levará tempo e trabalho até que surtam efeitos.

Estados Unidos

Os EUA, que sofrem de um imenso déficit fiscal e lutam contra um desemprego de 10%, observam que sua economia registra uma expansão sustentável, mas que ainda não é alta.

O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, disse que a confiança na maior economia do mundo está crescendo, mas descartou que o desemprego seja reduzido rapidamente.

Geithner rejeitou as pressões para que os EUA reduzam suas despesas, argumentado que isso enfraqueceria a reação da economia, que cresceu 3,2% no quarto trimestre do ano passado. Um corte drástico e rápido na despesa não seria uma forma responsável de reduzir o elevado déficit fiscal dos EUA, segundo o secretário do Tesouro.

Geithner é o primeiro-secretário do Tesouro americano a participar do Fórum de Davos nos últimos 11 anos, em um momento em que os EUA foi muito criticado por seu imenso déficit fiscal, que alcançará em 2011 o número recorde de US$ 1,5 trilhão, 9,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Crescimento econômico

O dia também foi de falar sobre mudanças. O atual modelo de crescimento econômico, baseado no consumo e sem levar em conta as consequências ambientais, não pode ser mantido pois vai contra a sobrevivência do planeta, advertiram nesta sexta-feira vários líderes políticos em Davos.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e o presidente do México, Felipe Calderón - reforçado pelo êxito da última conferência de Cancún sobre a mudança climática -, pediram a atenção dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, e muito especialmente dos Estados Unidos, para se comprometerem totalmente na luta contra o aquecimento global.

"O modelo atual é um suicídio coletivo. Precisamos de uma revolução no pensamento e na ação", advertiu Ban. "Os recursos naturais são cada vez mais escassos", acrescentou durante um debate sobre como redefinir um crescimento sustentável no Fórum Econômico Mundial.

O secretário-geral acrescentou que, além de recursos básicos para a sobrevivência como a água e os alimentos, "outro recurso está se esgotando, que é o tempo, o tempo para fazer frente à mudança climática".

Brasil

O Brasil, por sua vez, tenta, ao lado de outras potências envolvidas nas negociações da estagnada Rodada de Doha, reativar o processo de liberalização do comércio mundial.

"Estamos aqui para ver se há uma evolução. A intenção é tentar retomar a rodada sobre a base dos progressos já alcançados, mas não tenho certeza de nada", admitiu o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, referindo-se aos encontros ministeriais programados ao longo do fórum.

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