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Emprego em região de Belo Monte cresceu 150% neste ano

Emprego em região de Belo Monte cresceu 150% neste ano

Atualizado: Sexta-feira, 26 Agosto de 2011 as 10:13

A geração de emprego com carteira assinada na região da futura usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, aumentou 150% nos primeiros sete meses deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com informações da unidade de Altamira (PA) do  Sistema Nacional de Emprego (Sine) , espécie de agência pública de emprego do Ministério do Trabalho.

Entre janeiro e julho deste ano, foram contratados por meio do Sine de Altamira 1.252 trabalhadores, contra 493 do mesmo período de 2010.

A obra de Belo Monte é a maior em andamento no Brasil. A usina será a segunda do país em capacidade de geração de energia, atrás apenas da binacional Itaipu. O governo diz que Belo Monte é essencial para suprir a demanda energética do país em razão do crescimento econômico.

Mas entidades e movimentos sociais afirmam que os impactos socioambientais são prejudiciais para o Brasil. A primeira reportagem da série do G1 sobre a usina abordou o desmatamento em razão da obra, e a segunda mostrou a opinião da comunidade indígena que será atingida.

Trabalhadores

A sede do Sine em Altamira, principal cidade da região, atende também aos municípios de Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu, que têm entre 10 mil e 20 mil habitantes cada e também serão impactadas pela obra. Vitória do Xingu, por exemplo, terá terras alagadas pelo reservatório da hidrelétrica.

Dos empregados neste ano, cerca de 40% trabalham desde maio para o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), empresa contratada pela Norte Energia para executar a obra. A CCBM é formada por Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Norberto Odebrecht, além de algumas outras empresas menores.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego sobre a cidade de Altamira corroboram as informações do Sine (na região, somente os dados de Altamira são contabilizados porque o governo só controla as informações de emprego nas cidades com mais de 30 mil habitantes).

De acordo com o Caged, entre janeiro e julho de 2011, a geração de vagas subiu quase 20% sendo que, na área de construção civil, o percentual de empregados com carteira assinada subiu 270%.

De acordo com a coordenadora do Sine em Altamira, Elcirene Silva de Sousa, a alta na geração de vagas não tem outra explicação senão a usina de Belo Monte.

"Além da obra, as colocações são em novas empresas que estão chegando a Altamira e também em terceirizadas que prestam serviços na obra em alimentação, venda de acessórios, concessionárias, construção civil", afirmou.

Segundo ela, desde que a licença de instalação foi aprovada (o que permitiu o início da obra), aumentaram em Altamira os hotéis, restaurantes, serviços imobiliários. Outro motivo, afirmou, é a pavimentação da Transamazônica (pleito antigo dos moradores locais, mas que só se concretizou por conta da usina).

O motorista Carlos Augusto Aguiar Rocha, 29 anos, de Vitória do Xingu, estava desempregado havia seis meses e trabalha desde junho na infraestrutura para construção da hidrelétrica. Ele é um dos 552 que foram contratados pela CCBM até o fim de julho. Com salário de R$ 1,4 mil, Rocha, que tem dois filhos – um de 2 e outro de 6 anos – diz que a maioria das pessoas em Altamira é a favor da obra por conta do progresso.

"Nasci, cresci em Altamira e tenho orgulho de participar da obra. Acho que, além de trazer emprego, essa obra vai melhorar a cidade para os meus filhos, já está melhorando. Acho que vamos ter colégios melhores. Vai ser bom para todo mundo", diz.

Antes construtora de poços artesianos autônoma, Oslei Nunes de Souza conquistou o primeiro emprego com carteira assinada aos 40 anos para trabalhar em serviços gerais na obra. Antes, ganhava R$ 500 por mês, sem direitos, e agora tem salário em carteira de R$ 1,2 mil.

"A vida vai melhorar muito. Quem fala mal da obra, acredito que não esteja vendo as coisas como são de verdade, o desenvolvimento que vai trazer. Eu, particularmente, quero realizar meus sonhos, ter minha moto, reformar a minha casa, melhorar de vida", diz Oslei.

Zenilda Gomes da Silva, de 45 anos, sempre foi cabeleireira, mas conseguiu emprego de auxiliar de cozinha com salário de R$ 630 e diz que, assim, conseguirá melhorar bem o orçamento. "Posso continuar fazendo cabelo nas horas de folga. A coisa melhorou muito. Aqui, tinha gente passando necessidade. Agora, tem gente conseguindo emprego."

Migração

Dos contratados pelo CCBM, segundo o Sine de Altamira, cerca de 75% são moradores da região de Altamira que estão em cargos que exigem menor qualificação. Os demais já trabalhavam nas empresas que fazem parte do consórcio construtor e acabaram recontratadas pela CCBM para a obra da usina.

Um exemplo é o engenheiro de produção Severino Marques Machado, de 63 anos, que trabalhava para a Odebrecht e agora está atuando na construção de Belo Monte.

"Trabalhei em Angola, em obras da Odebrecht, mas é a primeira vez em hidrelétricas. Me sinto bastante orgulhoso desse início. Vim pelo desafio. Na minha idade, o dinheiro não é mais tão importante." Apesar de os migrantes contratados até agora serem basicamente de indicados pelas construtoras do consórcio, conforme o Sine, o progresso já atrai pessoas de outros estados para a região.            

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