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Empresas usam horários flexíveis para motivar funcionários

Empresas usam horários flexíveis para motivar funcionários

Atualizado: Quarta-feira, 5 Janeiro de 2011 as 10:32

Na hora de ir para o trabalho, você enfrenta trânsito caótico, rodízio, ou metrô e ônibus lotados. Ao longo do dia, são várias as tarefas para resolver, como levar os filhos para a escola ou ir ao banco. Trabalhar numa grande cidade brasileira tem desses inconvenientes, que fazem o tempo evaporar. A boa notícia é que você não é o único a perceber esse problema.

O número de empresas que leva em consideração o impacto da rotina na satisfação e produtividade dos funcionários está aumentando – e elas começam a oferecer alternativas de horários para que os funcionários consigam dar conta de um dia a dia cada vez mais agitado.

As vantagens são óbvias: sem as amarras do relógio, o colaborador passa a se dedicar para cumprir as tarefas às quais se comprometeu em vez de se esforçar para terminar a jornada de trabalho diária. Por isso mesmo, os profissionais liberais e aqueles que trabalham com tecnologia são os mais beneficiados pelos horários de trabalho diferenciados.

Uma das pioneiras a oferecer horários de trabalho flexíveis no Brasil é a multinacional de tecnologia IBM. No começo dos anos 2000, a empresa foi uma das primeiras a permitir que alguns funcionários (especialmente os vendedores e os consultores) trabalhassem fora da sede. Com o tempo, a companhia adotou outros programas, que vão desde o sistema de home office, no qual o empregado trabalha 80% de seu tempo em casa, até um sistema chamado “Flexiplace”, no qual o profissional pode trabalhar de casa duas vezes por semana. Para completar, a IBM oferece o suporte necessário para o funcionário ficar em casa, reembolsando os gatos com assinatura de banda larga e de linha telefônica, por exemplo.

“Isso ajuda muito no equilíbrio da vida do profissional, reduzindo o cansaço e o estresse com o trânsito”, afirma Gabriela Herz, líder de diversidade da IBM Brasil, que dá o exemplo e é adepta da modalidade “Flexiplace”. Claro, a intenção da IBM com esses programas não é apenas ser legal com seus empregados. “Há também um lado lógico de negócios”, explica Gabriela. “A indústria de tecnologia tem uma escassez de mão de obra e precisamos buscar os melhores profissionais do mercado. Essa flexibilidade é um benefício que motiva e mantém os funcionários conosco. A pessoa se sente bem onde trabalha.”

Graças também a isso, a companhia começou a reduzir gastos indiretamente, pois deixou de pagar pelo espaço e equipamento usados pelos empregados. “No começo não havia essa preocupação. Mas depois começamos a avaliar que é, sim, mais barato para a empresa – e melhor para o profissional.”

Empecilhos

O horário de trabalho flexível, no entanto, encontra duas grandes barreiras no Brasil: uma de ordem cultural e outra jurídica. Ainda existem empresários que se sentem melhor mantendo os funcionários por perto e controlando as atividades. “Para a cultura brasileira, a flexibilidade é algo novo”, opina Gabriela. No campo jurídico, o problema é mais espinhoso: como essa modalidade não é regulamentada por lei, as empresas podem ser autuadas em fiscalizações do trabalho.

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