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Estatais chinesas voltam a mostrar sinais de força

Estatais chinesas voltam a mostrar sinais de força

Atualizado: Segunda-feira, 6 Setembro de 2010 as 4:40

Durante suas décadas de rápido crescimento, a China avançou ao permitir que empresários antes reprimidos pudessem prosperar, muitas vezes em detrimento do antigo e ineficiente setor estatal da economia. Agora são as empresas estatais que estão avançando rapidamente.

À medida que o governo chinês fica mais rico – e mais preocupado com a sustentação de um crescimento que exige alto consumo de energia –, ele injeta fundos públicos nas empresas que serão necessárias para atualizar a base industrial e empregar mais pessoas. Os beneficiários são os interesses estatais que muitos analistas acreditavam que iriam acabar gradualmente em face da concorrência do setor privado.

Novos dados do Banco Mundial mostram que a proporção da produção industrial por empresas controladas pelo Estado chinês subiu no ano passado, verificando um lento, mas aparentemente inevitável, eclipse. Além disso, o investimento das empresas controladas pelo Estado disparou, impulsionado por centenas de bilhões de dólares em gastos do governo e empréstimos de bancos estatais para combater a crise financeira global.

Isso é mais um sinal de uma série de outros que estão alimentando o debate entre especialistas sobre a China - que se diz socialista, mas é frequentemente vista no ocidente como um país brutalmente capitalista - querer na verdade aumentar o controle do governo sobre algumas partes da economia.

A questão do estatal versus privado é difícil na China. Após décadas de reformas econômicas, muitas grandes empresas estatais enfrentaram a concorrência real e devem operar com lucro. As maiores empresas privadas geralmente obtêm o seu financiamento em bancos estatais, coordenam os seus investimentos com os do governo e seus principais executivos fazem parte de painéis consultivos no governo.

“A China sempre teve uma grande política industrial. Mas, por alguns anos, parecia que estava se afastando de uma política ativa e intervencionista industrial em favor de uma abordagem mais liberal”, disse Victor Shih, cientista político da Universidade Northwestern.

Shih, entre outros, agora acredita que as reformas de 1980, que desencadearam o setor privado da China e as reformas dos anos 1990 que desmantelaram grandes faixas do setor estatal, estão sendo parcialmente desfeitas.

Dados escassos

Não existem estatísticas abrangentes que cataloguem a influência do governo sobre a economia. Assim, a mudança vem parcialmente de medidas grosseiras da quota de financiamento estatal na economia (que aumentou durante a crise financeira) ou da lista das 100 maiores empresas chinesas cotadas em bolsa - delas, apenas uma não pertence ao Estado chinês.

A estatística mostra que um pequeno aumento na quota de produção industrial imputável ao setor estatal é considerado por alguns analistas como uma resposta ao invés do início de uma tendência. Mas outros argumentam que os oficiais sempre tiveram a intenção de criar um setor público vibrante.

O alarme recente a respeito do crescente do papel do Estado, segundo Arthur Kroeber da Dragonomics, uma empresa de previsões econômicas com sede em Pequim, na verdade é “a percepção se equiparando à realidade”.

Postado por: Thatiane de Souza

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