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Ex-BC defende mais três altas nos juros em 2011

Ex-BC defende mais três altas nos juros em 2011

Atualizado: Quarta-feira, 9 Fevereiro de 2011 as 10:42

O Banco Central (BC) precisa de mais três elevações de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) se quiser terminar 2011 com inflação de 5,5%, na avaliação Gustavo Loyola. Em entrevista concedida ao G1 durante Show Rural, evento do setor agrícola que acontece até sábado (11) em Cascavel, o ex-presidente do BC diz que o importante é que a instituição garanta uma tendência de recuo da inflação em 2012.

“O que importa é a tendência para 2012”, diz Loyola, que classificou como “desejável” uma eventual redução da meta de inflação – medida já cogitada pelo governo Dilma –, desde que o corte seja feito de forma gradual a partir de 2013, para não colocar em risco a credibilidade do BC. Atualmente, a meta de inflação da instituição é de 4,5% em 2011, com tolerância de dois pontos para mais ou para menos.

“Eu acho que pior do que ter uma meta alta é ter uma meta que não tem credibilidade, o que abalaria a credibilidade do Banco Central. Se tiver que fazer uma redução eu iria primeiro para quatro, e depois ir reduzindo gradualmente. Para 2013 pode ser possível a redução para 4%, desde que haja condição política”, afirmou.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

G1 - Com base nos dados do IPCA divulgados nesta terça-feira (8), que mostraram uma alta de 0,83% em janeiro, a maior desde 2005, o senhor acha que vai dar para cumprir a meta de inflação este ano?

Loyola - O centro da meta (de 4,5%) não, mas acho que dá para ficar abaixo dos 6,5%, em torno de 5.5%.

G1 - É preocupante o fato de a inflação ficar acima do centro da meta estabelecida pelo BC?

Loyola - Eu acho assim, o que importa no fundo é a tendência para 2012. Esse ano tem que se levar em consideração que teve um choque externo de alimentos. Não me preocuparia, em princípio, desde que a tendência para 2012 seja claramente de queda. Existe essa margem de manobra justamente para isso. Agora o que não pode é simplesmente ter uma política em que você está sempre acima da margem, porque daí é como se você tivesse, na prática, mudado a meta.

G1 - Essa pressão dos alimentos deve persistir?

Loyola - Eu acho que sim. Em escala global, você tem uma mistura de mudanças de oferta com mudanças de demanda. No caso de oferta, teve quebra em várias regiões produtoras, como Rússia, Argentina, Austrália, mesmo nos EUA, [em que] a safra não foi boa. E tem o problema da demanda, que está muito aquecida. E [tem] uma pressão muito grande de aumento de consumo de proteínas vegetais para produção de proteínas animais, para ração de criação de galinha, porco.

G1 - O que o senhor acha das discussões em torno de se reduzir a meta de inflação, medida cogitada pelo governo Dilma?

Loyola - Eu sou favorável à redução da meta. A próxima fixação de meta é para 2013, e uma redução é desejada. Agora, eu iria muito gradualmente. Eu acho que pior do que ter uma meta alta é ter uma meta que não tem credibilidade, o que abalaria a credibilidade do Banco Central. Se tiver que fazer uma redução eu iria primeiro para 4%, e depois ir reduzindo gradualmente. Para 2013 pode ser possível a redução para 4%, – tem que ver se temos condição política. Se for viabilizada, seria desejável. Porque as metas no Brasil ainda são muito altas, e acho que a gente precisava de uma meta um pouco menor, até atingir uns 3,5%. Abaixo de 3,5% para o Brasil já não seria razoável.

G1 - O senhor tem dito que o ritmo de crescimento da economia brasileira registrado no ano passado (que deve ficar em torno de 7,5%) não é sustentável. Isso tem se confirmado? Qual a previsão de crescimento para 2011?

Loyola - Tem se confirmado, eu acho que a inflação de serviços está muito forte, rodando em torno de 8% ao ano, então não é o problema de um choque de oferta. O próprio preço dos alimentos tem um componente de demanda também. Tem que desaquecer um pouco a economia para evitar que a inflação fuja da meta – na linha em que o BC está agindo, mas não acho que deva parar ainda agora. Acho que temos que ter mais umas três altas de 0,5 ponto, no mínimo, para colocar a inflação em um nível razoável. Não é nem atingir [o centro] a meta, estou falando em termos de chegar a uma meta de 5,5% este ano, e o ano que vem uns 5%, 5,5%.

G1 - E para o crescimento da economia?

Loyola - Acho que dá para o Brasil chegar em 4%, 4,5% (em 2011). Mínima de 4% e máxima de 4,5%.   Por: Ligia Guimarães

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