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Exportações brasileiras engordam lista de destinos

Exportações brasileiras engordam lista de destinos

Atualizado: Segunda-feira, 27 Setembro de 2010 as 2:55

Você já ouviu falar de Santa Lúcia? Essa ilha caribenha, com 156 mil habitantes, pode não fazer parte do imaginário de grande parte dos brasileiros, mas, para o comércio exterior, trata-se de um dos principais destinos das exportações do País neste ano. Entre janeiro e agosto, Santa Lúcia comprou US$ 1,8 bilhão em produtos brasileiros, um crescimento de 17% em comparação com o mesmo período de 2009. Tal volume de compras coloca Santa Lúcia como o 19º principal destino comercial do Brasil no ano, respondendo por 1,4% dos US$ 126 bilhões exportados pelo País até agora.

A ilha caribenha – importadora, principalmente, de petróleo – figura na crescente lista de países que respondem por pelo menos 1% das exportações do Brasil. Levantamento feito pelo iG com base em números oficiais mostra que, entre 1989 e 2010, o número de países que fazem parte desse grupo saltou de 14 para 24, um crescimento de 71%. Além de Santa Lúcia, fazem parte da lista China, Estados Unidos, Argentina, Holanda, Alemanha, Japão, Rússia, Reino Unido, Itália, Espanha, Chile, Venezuela, México, Índia, França, Bélgica, Arábia Saudita, Paraguai, Canadá, Colômbia, Irã e Peru.

O desempenho dos grandes Compare a participação dos principais destinos das exportações brasileiras em 1989 e 2010 (em %).

Em 1989, quando o Brasil iniciou o processo de abertura comercial, a lista de países que tinham pelo menos 1% de exportações era menor. Iraque, Uruguai e Suíça deixaram o seleto grupo, que viu a ascensão da gigante China - o gigante asiático deixou o 0,37% do total exportado em 1989 para os mais de 15% deste ano. Em 2009, os asiáticos atingiram outra marca importante, desbancando os Estados Unidos da liderança da lista.

A ampliação do número de países com mais de 1% das exportações brasileiras mostra um importante movimento do comércio exterior do País. A diversificação ajuda a economia a se proteger de choques externos, especialmente em tempos de crise. “É o velho ditado de não colocar todos os ovos no mesmo cesto”, diz José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

A teoria da “diversificação dos ovos” começa a se desenhar nas exportações brasileiras. Hoje, os Estados Unidos respondem por 9,8% dos embarques do Brasil, número bastante inferior aos 29,5% de 2005. Para Felipe Salto, economista da Tendências Consultoria, a redução das exportações para os Estados Unidos mostra o desenvolvimento de outras economias emergentes. “Existe uma tendência de consolidar essa substituição das exportações”, diz.

Embora o crescimento no número de países com mais de 1% das exportações chegue a 71% nos últimos 20 anos, os especialistas consultados pelo iG dizem que o quadro ainda não é animador. “É um movimento bem tímido”, afirma Roberto Segatto, presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex).

Para ele, o volume de exportações seria pelo menos 30% maior se o País implantasse uma política industrial. “Hoje, estamos desaparelhados. Para importar máquinas e equipamentos, pagamos impostos de 40%”, diz. “Além disso, há uma burocracia enorme para os exportadores, que também esbarram na falta de infraestrutura”, completa.

Dependência das commodities

José Augusto de Castro, da AEB, diz que “os números são bons”, mas escondem uma realidade preocupante. “Precisamos considerar quais produtos fazem parte desta evolução”, afirma. Segundo ele, a forte presença de commodities na pauta de exportações deixa exposta a falta sustentabilidade do crescimento brasileiro. “Se amanhã o mundo inverter o ritmo de crescimento, a demanda por commodities vai cair e o Brasil vai sofrer com isso.”

Economista da Tendências, Felipe Salto alerta para os problemas nas contas externas. “Temos um crescimento do déficit em transações correntes, sem a contrapartida do aumento dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). No médio prazo, isso pode levar a uma ruptura do crescimento.”

Para reverter a situação, os especialistas defendem a criação de políticas de estímulo às exportações, a implantação de políticas industriais, investimentos em infraestrutura e a realização da reforma tributária. “Você nota que eu nem falei a palavra câmbio. Se reduzirmos os outros pontos, não vamos reclamar da taxa de câmbio”, completa o vice-presidente da AEB.

Postado por: Guilherme Pilão

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