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Exportações de flores do Ceará aumentam mais de 7.000% em oito anos

Exportações de flores do Ceará aumentam mais de 7.000% em oito anos

Atualizado: Segunda-feira, 30 Junho de 2008 as 12

Oito anos depois da implantação do Projeto Floricultura no Ceará pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o estado aparece como uma das principais unidades da federação com perspectivas de incremento em 2008.

Dados do Instituto Agropolos do Ceará mostram que as vendas externas de flores no estado saltaram de US$ 64,155 mil em 1999 para US$ 4,992 milhões em 2007. O  crescimento foi de 7.692%, revelou o técnico do instituto Gilber de Vasconcelos Lopes. A área plantada elevou-se de 25 hectares, em 1999, para 288 hectares. A expectativa é de que neste ano as exportações alcancem US$ 5 bilhões ou, pelo menos, mantenham o patamar registrado no ano passado, avaliou Lopes.

Um trabalho de prospecção realizado pelo Sebrae/CE em 1999 identificou que embora prevaleça no estado a área semi-árida, duas regiões serranas distantes uma da outra  300 quilômetros, mostravam condições  propícias  para o cultivo de flores tropicais e temperadas.

Rogério Morais, gestor do Projeto Floricultura, informou que o governo estadual, ao atrair para a região empresas de médio porte com tecnologia desenvolvida, acabou despertando nos pequenos produtores o interesse  pela produção de flores. "Foi aí que o Sebrae percebeu que estimular os pequenos produtores poderia ser algo bem interessante para o município, porque geraria renda e ocupação para aquelas pessoas, diversificando as atividades produtivas das pequenas propriedades".

Por meio do ensino de novas tecnologias e capacitações gerenciais, o Sebrae permitiu aos pequenos produtores de flores e plantas ornamentais acessar  os canais de exportação e comercialização. O diagnóstico da situação da floricultura definiu ações que deveriam ser desenvolvidas no Ceará para dinamização do setor, tendo por base o que já havia de melhor no restante do país. "Houve um esforço no sentido de trazer e aplicar essa tecnologia para que pudéssemos conquistar esse estágio de produção e para que os nossos produtos pudessem estar competindo nos mercados nacional e internacional",  comentou Morais.

O Ceará é hoje o líder nacional na exportação de rosas. "O Ceará mantém-se, há três anos, líder nesse patamar". O desafio do setor é, segundo Rogério Morais,  viabilizar também as flores tropicais. "Nós temos um potencial muito grande, mas as flores tropicais ainda precisam  conquistar um espaço no mercado. Nós temos consciência de que um esforço mercadológico precisa ser feito para que as flores  tropicais possam conquistar também o gosto do público".

Desde 1999, o mercado de floricultura no Ceará tornou-se mais competitivo, o que levou  o Sebrae a aumentar o  trabalho de apoio a esse segmento. Morais lembrou que as regiões do estado que apresentam maior produção são a de Ibiapaba, com tendência mais exportadora e de característica mais propícia para a produção de flores temperadas;  e do Maciço de Baturité, com predomínio de flores tropicais.

Além dessas regiões, existem  áreas situadas ao longo da região metropolitana de Fortaleza e em alguns pontos do semi-árido que mostram grande desenvolvimento de plantas ornamentais, setor que tem crescido muito dentro da floricultura. Morais  afirmou que esse crescimento acompanha o desenvolvimento registrado pelo segmento da construção civil. "Há uma demanda crescente por paisagismo em edificações de maneira geral e em residências. Então, a demanda por plantas tropicais e paisagismo em geral tem estimulado  muito esse setor".

Margarida Passos é uma das pequenas produtoras de flores do Maciço de Baturité. Ela iniciou as atividades em 2003, dedicando-se à produção de rosas do tipo carola, em especial, além de lisianto e ciclâmen, entre outras espécies.

Em apenas cinco anos, o plantio de mudas de rosas de Margarida Passos subiu de 10 mil para cerca de 45 mil. A produção é quase totalmente destinada a outros estados, com destaque para o Pará, além do interior cearense. Por isso, não há  no momento perspectiva de exportação. "O pedido da exportação é muito grande. E como nós temos uma produção diária em torno de mil botões, ainda não temos um perfil de exportador". No futuro, porém, a meta é atingir o mercado internacional. "Nós estamos ampliando as nossas estufas", disse a produtora.

Postado por: Claudia Moraes

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