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Falta mais transparência ao BNDES, diz Armínio Fraga

Falta mais transparência ao BNDES, diz Armínio Fraga

Atualizado: Terça-feira, 17 Maio de 2011 as 1:28

RIO - O presidente do Conselho de Administração da BM&FBovespa e ex-presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, cobrou hoje mais transparência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O comentário foi feito no 23º Fórum Nacional, enquanto Fraga defendia maior acompanhamento dos programas dos diversos ministérios do governo, "para aprender o que dá resultado e o que não dá". "Isto se aplica também a esta ilustre casa que nos recebe, falta um esforço de mais transparência e autoavaliação", disse.

Armínio Fraga disse ver com entusiasmo os primeiros sinais do governo Dilma Rousseff em focar em gestão e meritocracia, e lembrou que não há país desenvolvido com governo ineficiente. Mas disse ver o Brasil diante de uma encruzilhada, e ressalvou que a meritocracia é difícil de ser posta em prática, já que pode exigir o afastamento de aliados. "Vejo com esperança e otimismo o momento que estamos vivendo. Acredito, sim, que estamos numa encruzilhada, que vai exigir muito esforço, é dura. A meritocracia é muito bonita no papel mas muito difícil na prática."

Armínio Fraga critica o baixo nível de investimento do Brasil, diz que é preciso dividir melhor o papel do governo e do setor privado em investimento, e que o avanço do setor privado em governança e eficiência deveria contaminar positivamente o ambiente estatal. Segundo ele, é preciso que a estratégia de desenvolvimento do País seja mais bem definida e executada. "Se eu tivesse que deixar uma mensagem, seria esta", disse.

O ex-presidente do BC disse ainda sentir falta de um equilíbrio entre consumo e investimento. "A pobreza tem se reduzido, a classe média baixa tem crescido, isso tudo é maravilhoso. No entanto, tenho um pouco de medo da cultura exagerada do consumo, isso é ruim inclusive do ponto de vista social."

Segundo Fraga, o atual nível de investimento do Brasil é baixo e insuficiente para se manter um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em patamares desejáveis. No ano passado, lembrou, o País investiu 18,4% do PIB. "Esta é claramente uma taxa de investimento insuficiente para que cheguemos à uma taxa de crescimento que gostaríamos, de 5% a 6% (do PIB). Possivelmente, é uma taxa insuficiente até mesmo para preservar esses 4% que temos tido. Esta talvez seja a maior surpresa negativa no campo econômico nos últimos anos", disse.

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