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Fazenda diz que há espaço para nova queda de juros

Fazenda diz que há espaço para nova queda de juros

Atualizado: Quarta-feira, 21 Setembro de 2011 as 9:37

O Ministério da Fazenda informou nesta quarta-feira (21), por meio do documento "Economia Brasileira em Perspectiva", que há espaço, por parte do Banco Central, para continuar no processo de redução dos juros básicos da economia, iniciado no fim de agosto, quando a taxa recuou de 12,50% para 12% ao ano.

"Há espaço para a política monetária [definição dos juros] agir. Se houver continuidade da piora da crise global, o Banco Central está em condições de agir com política monetária expansionista [redução de juros] respondendo a uma possível 'virada' na economia [com retração]", informa o Ministério da Fazenda no documento.

O documento divulgado pela equipe do ministro Guido Mantega lembra que, em 2008 e 2009, durante a primeira etapa da crise financeira internacional, os juros brasileiros estavam na média de 11,3% ao ano. No ano passado, somaram 9,9% ao ano. Em 2011, até o momento, a taxa média de juros ficou em 11,8% ao ano. A previsão do mercado financeiro é de que os juros terminem 2011 em 11% ao ano.

Inflação

As decisões do Banco Central sobre a taxa de juros são orientadas pela inflação. O objetivo da autoridade monetária, pelo sistema de metas, é que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atinja 4,5% em 2011 e 2012, podendo oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

O Ministério da Fazenda lembra, no documento divulgado nesta quarta-feira, que os preços ao consumidor no Brasil, medidos IPCA, cresceram 0,37% em agosto de 2011, 0,21 ponto percentual acima da inflação registrada em julho (0,16%), e que a taxa de inflação, em 12 meses até agosto, subiu 7,23%.

"Uma desaceleração nos índices é esperada para os próximos meses. Segundo projeções do Banco Central do Brasil do Relatório de Inflação de Junho/11, a inflação anual ao consumidor deve terminar 2011 em 5,8%, percentual acima do centro da meta (4,5%), mas abaixo do limite superior de 6,5%", informou o Ministério da Fazenda.

Reservas internacionais e investimentos

Em um capítulo especial dedicado à situação do Brasil, para enfrentar a crise financeira internacional, o Ministério da Fazenda diz que as reservas internacionais brasileiras, atualmente acima de US$ 350 bilhões, representam um "colchão grande" de proteção à economia brasileira contra mudanças repentinas nas condições econômicas.

O Ministério da Fazenda acrescenta que a crise será combatida por meio de investimento e disciplina fiscal, "com contenção dos gastos de custeio para aumento dos investimentos públicos".

O governo avaliou que os investimentos desempenham "papel importante" na manutenção do crescimento econômico em níveis sustentáveis. "A estimativa é de que nesse ano a Formação Bruta do Capital Fixo alcance 19,5% do PIB, puxado pelas oportunidades presentes na economia brasileira e pelas medidas de incentivo ao investimento de longo prazo", informou.

O boletim diz ainda que o país possui "forte mercado doméstico", composto por uma classe média crescente; mercado de crédito sólido, com taxas sustentáveis de crescimento; e baixa exposição de empresas e setor público à volatilidade da taxa de câmbio. "Esse cenário permite melhor condução da política econômica", avaliou o governo.          

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