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FGV: expectativa no País é a pior desde janeiro de 2009

FGV: expectativa no País é a pior desde janeiro de 2009

Atualizado: Quarta-feira, 18 Maio de 2011 as 2:52

RIO - As expectativas dos analistas quanto aos rumos da economia brasileira para os próximos seis meses atingiram em abril deste ano o pior nível desde janeiro de 2009. Segundo a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Lia Valls, os especialistas temem o avanço de dois problemas no cenário brasileiro: a alta da inflação e o déficit público.

As análises constam dos dados apurados para a Sondagem Econômica da América Latina, usada para cálculo do Índice de Clima Econômico (ICE) latino-americano, que recuou de 5,8 pontos para 5,6 pontos de janeiro a abril deste ano. O ICE brasileiro desacelerou de 6,7 pontos para 5,9 pontos no mesmo período - o pior clima econômico desde julho de 2009 (5,5 pontos). O índice vai até nove pontos, sendo que, quanto mais próximo de nove, melhor a avaliação.

"Houve uma mudança na percepção dos analistas quanto ao que eles acham do Brasil" , resumiu Lia. A especialista foi questionada se os dados não mostram uma desconfiança maior, por parte dos especialistas, quanto à competência do governo brasileiro de resolver os atuais problemas no cenário macroeconômico. "Claro, não podemos saber o que está na mente de cada analista. Mas provavelmente eles consideram que a questão do déficit público e da inflação não está sendo resolvida a contento", avaliou Lia. "O Brasil, depois de ter estado por um boom de avaliação positiva entre os analistas por seis trimestres, entrou agora em fase de declínio (em termos de avaliação)", afirmou.

Lia comentou que, de uma maneira geral, o aumento nos preços das commodities no começo do ano não era esperado. Embora este fator seja um ponto positivo para as exportações de commodities na América Latina, isso acabou conduzindo a avaliações negativas quanto ao rumo futuro da inflação em economias da região, em especial no Brasil.

A especialista lembrou que, após a disparada dos preços das commodities no segundo semestre do ano passado, a expectativa dos analistas era de um movimento de desaceleração de preços - e não de um novo repique para cima nos valores das commodities, como ocorreu no início do ano. De acordo com a especialista, a previsão de inflação para o Brasil em 2011 saltou de 5,5% para 6,2% do quarto trimestre de 2010 para o primeiro trimestre de 2011.

O cenário fez com que o Brasil caísse da quarta para a quinta posição no ranking de clima econômico da América Latina, de janeiro para abril deste ano. O ranking usa o ICE médio dos últimos quatro trimestres de cada país para calcular a posição de clima econômico entre os 11 países pesquisados para a sondagem.

FMI

A prisão do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, por suspeita de estupro de uma camareira em um hotel nos Estados Unidos, no início desta semana, não deve contribuir para reduzir as expectativas dos analistas quanto aos rumos futuros das economias latino-americanas nos próximos meses, segundo avaliou Lia.

A especialista fez o comentário ao ser questionada sobre se o que ocorreu com Strauss-Kahn pode influenciar a próxima edição da sondagem econômica da América Latina, que será referente ao segundo trimestre do ano. "A probabilidade que algo assim aconteça (uma influência negativa) é pequena. O diretor do fundo também não é uma posição que se possa fazer o que se quer. É uma posição subordinada ao conselho do FMI, que não mudou. Creio que o que aconteceu deve ser mais um problema forte para os franceses", disse, lembrando que Strauss-Kahn estava cotado para participar da corrida presidencial francesa.

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