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Fiesp estima que governo pagou R$ 216 bilhões em juros em 2011

Fiesp estima que governo pagou R$ 216 bilhões em juros em 2011

Atualizado: Terça-feira, 29 Novembro de 2011 as 4:04

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, lança o 'Jurômetro'

nesta terça-feira (Foto: Ligia Guimarães/G1) O governo brasileiro pagou, em 2011, R$ 216,854 bilhões em juros líquidos nominais, de acordo com estimativa divulgada na ferramenta “Jurômetro”, criada e lançada na internet pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo ( Fiesp ) nesta terça-feira (29). A projeção da Fiesp é de que o “Jurômetro” alcance R$ 240 bilhões até o fim de 2011.

A ferramenta da Fiesp mede o juro que o governo paga na dívida pública pelo dinheiro que toma emprestado para financiar gastos correntes e investimentos.

O objetivo da entidade, segundo o presidente Paulo Skaf, é divulgar de forma simples o custo dos juros para a sociedade.

A intenção do Fiesp é que, até o começo do ano, dois placares do Jurômetro sejam instalados: um na Avenida Paulista, em frente à sede da Fiesp, e um em Brasília, perto da sede do Banco Central. "Dependemos apenas da autorização das prefeituras”, disse Skaf, durante entrevista coletiva concedida na sede da instituição, na capital paulista. Além de simular o valor pago em juros pelo governo, o Jurômetro aponta investimentos que seriam possíveis com esse montante.

De acordo com a Fiesp, os R$ 216 bilhões registrados hoje viabilizariam a construção de R$ 3,2 milhões de casas populares ou, por exemplo, construir 166 mil quilômetros de ferrovias.

Segundo cálculo da Fiesp,o governo brasileiro pagou R$ 222,9 bilhões em juros nominais líquidos no período de julho de 2010 e junho de 2011, valor que, segundo a Fiesp, representa 40% do Produto Interno Bruto da indústria de transformação e 30% da formação bruta de capital fixo (investimento) no mesmo período.

Conforme explica a entidade, o Jurômetro é calculado com base nos dados divulgados pelo Banco Central e considera o patamar atual da Selic, a taxa básica da economia, que está em 11,5% ao ano e poderá ser alterada nesta quarta-feira (30), quando termina a reunião do Comitê de Política Monetária.

Segundo Skaf, o patamar aceitável para o juro básico no Brasil seria em torno de 6%, dentro da média internacional. “Se for 6,5%, 7%, tudo bem. Mas 11 ou 12% está errado. Não podemos ter um patamar tão diferente há tanto tempo”, afirmou o presidente em entrevista concedida na sede da Fiesp, na capital paulista, para apresentar a nova ferramenta.

Sem medo de inflação

Para a Fiesp, a redução na taxa básica de juros do Brasil não geraria alta preocupante na inflação porque, no Brasil, a variação dos preços é mais afetada pela variação das commodities do que dos juros. Além disso,com base nas projeções divulgadas no relatório Focus, do BC, a Fiesp vê que o desaquecimento da economia global em razão da crise abriria espaço para juros menores e, ainda assim, inflação abaixo do teto da meta em 2011.

Na opinião de Skaf, os altos juros e a invasão dos importados, que encarecem o custo de produção e afetam a competitividade da indústria, são os principais motivos para o desaquecimento da economia já que, segundo o presidente da Fiesp, o Brasil ainda não foi atingido pelos efeitos da crise europeia.

Segundo cálculos divulgados pela Fiesp durante a apresentação do Jurômetro, custo do capital de giro das empresas representou, em 2011 até setembro, 7,5% do preço dos produtos industrializados no Brasil. Conforme a entidade, o juro cobrado para as pessoas jurídicas era de 23,1% ao ano em 2007 e chegou a 20,6% ao ano em 2011.

Sobre o efeito dos produtos importados na produção, a Fiesp calcula que o coeficiente de importação da indústria tenha subido 9,3 pontos entre 2003 e 2010, o que representaria um impacto direto na economia de R$ 125 bilhões. “Isso significou 3,5 milhões de postos de trabalho que deixaram de ser gerados”, diz a entidade.          

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