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FMI volta à Grécia, mas não fala em empréstimo

FMI volta à Grécia, mas não fala em empréstimo

Atualizado: Quinta-feira, 8 Abril de 2010 as 12

Os técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) estão de volta à Grécia. Um mês e meio depois de terem sugerido cortes orçamentários ao primeiro-ministro socialista, George Papandreou, os consultores do Fundo deverão permanecer em Atenas por duas semanas.

Oficialmente, o objetivo da missão do FMI é prestar consultoria técnica ao governo para garantir a redução do déficit público em 4% em 2010. Mas diferentes hipóteses de empréstimos não estariam descartadas.

Ontem, o ministro das Finanças grego, Georges Papaconstantinou, veio a público garantir que a chegada de dez técnicos do FMI ao país não representa uma intervenção no governo, mas apenas uma consultoria.

A versão oficial foi confirmada pela direção do Fundo em Washington. "Funcionários do FMI permanecerão duas semanas em Atenas para prestar assistência técnica ao governo no domínio orçamentário, em particular para melhorar a administração fiscal e a gestão de finanças públicas", afirmou um porta-voz, em nota distribuída à imprensa europeia.

Mas essa versão oficial não convenceu a opinião pública grega. A desconfiança ocorre porque, segundo a imprensa de Atenas, o déficit público do país teria voltado a aumentar no primeiro trimestre de 2010.

Os números oficiais serão anunciados pelo Escritório Estatístico da Comunidade Europeia (Eurostat) em 22 de abril, mas chegariam a 12,9%, 0,2% maior do que o registrado em dezembro.

O eventual aumento do déficit público, causado por um suposto recuo de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nos três primeiros meses do ano, tornaria ainda mais difícil o objetivo do governo de reduzir o déficit a 8,7% até o fim do ano.

Custo. Como consequência das suspeitas que pesam sobre a economia grega, ontem o mercado financeiro chegou a cobrar 7,17% de juros para comprar títulos da dívida do país - a taxa mais elevada da história da Grécia -, bem acima dos 5,9% que vinham sendo exigidos havia 10 dias, que já provocavam o protesto oficial do premiê Papandreou. Essa taxa obrigaria o país a recorrer ao FMI e à União Europeia para obter empréstimos com juros mais baixos.

Como se não bastassem todos os rumores, uma reportagem do jornal britânico Financial Times indicou ontem que o governo grego estaria analisando a hipótese de não aceitar os termos do acordo com a UE, preferindo obter recursos em dólar no mercado internacional, e não apenas no bloco.

A estratégia, já utilizada por outros países europeus, como Alemanha e Espanha, visaria a aumentar o número de possíveis credores, entre os quais bancos centrais asiáticos e fundos de investimento. A Grécia precisa captar no mercado financeiro ? 12 bilhões em maio.

A informação, no entanto, não foi confirmada por Atenas e provocou uma onda de reações. Papaconstantinou protestou contra os "rumores onipresentes" sobre a economia grega.

No mesmo tom, mas em Bruxelas, o presidente do bloco europeu, Herman Van Rompuy, denunciou os "rumores destrutivos" que minam a resistência do país.

Para entender

Dívida grega chega a 125% do PIB

A crise grega se arrasta desde o fim de 2009, quando o novo governo, socialista, revelou que o antigo havia omitido e/ou manipulado dados da verdadeira situação do país. O déficit orçamentário, que, segundo o governo anterior, seria de 6% do PIB, na realidade é de 12,7%. O acordo que criou o euro não admite déficit orçamentário superior a 3%. Além disso, o endividamento do país atinge 125% do PIB, quando os acordos do euro sinalizam que dívidas superiores a 60% do PIB já seriam preocupantes.

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